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sábado, 19 de fevereiro de 2022

Debate

 

Debate com um ateu 

"Nilvadex Aramis" x "Yuri Schein"

(O Nome do Ateu foi mudado para não expor ele a vergonha pública, que ele considere uma benevolência de minha parte) caso ele objete, posso expor o nome dele publicamente.

Imagem compartilhada por um membro do grupo com a frase "de acordo com que Padrão"

Os erros de português foram mantidos propositalmente, o debate seguirá a íntegra...

COMENTÁRIO ATEÍSTA [Nivaldex Aramis]:

De qual deus vcs estão falando?

para um deus ser ''o bom absoluto'' primeiro ele tem que aparecer e provar que ele existe, do contrario e só bla,bla,bla.

Agora se vcs estão falando deus bíblico, ele é um imoral segundo os padrões de moral vigente, exemplo: apoiar a escravidão, o estupro, o engano.

já é uma merda um deus mandar ''seu povo'' matar outros povos.

O pior ainda é ele matar crianças e animais. E qual é a desculpa? eram idolatras kkkkk já pensou ovelha idolatra.

E o livre arbítrio kd?

pois é, segundo os padrões de moral vigentes hoje, esse deus além de imoral é um mal caráter.

RESPOSTA APOLOGÉTICA PRESSUPOSICIONALISTA [YURI SCHEIN]:

Nivaldex Aramis

"De qual deus vcs estão falando?"

Quantos deuses existem de fato? Você pode provar a existência dos outros deuses? Nós eliminamos todos os outros supostos deuses com a nossa apologética, se trata de excluir todas as impossibilidades, é um raciocínio lógico.

"Se o cristianismo é verdadeiro, todas as outras cosmovisões são falsas" é um princípio claro da lei da não-contradição, então só precisamos apontar o cristianismo e todas as outras cosmovisões se tornam irrelevantes, pela Lei da não contradição.

Alguém poderia usar esse seu mesmo argumento falacioso contra você

"por que a sua cosmovisão ateísta é a verdadeira se existem outras docentes cosmovisões?"

"para um deus ser 'o bom absoluto' primeiro ele tem que aparecer e provar que ele existe, do contrario e só bla,bla,bla."

"Agora se vcs estão falando deus bíblico, ele é um imoral segundo os padrões de moral vigente, exemplo: apoiar a escravidão, o estupro, o engano."

"já é uma merda um deus mandar ''seu povo'' matar outros povos."

"O pior ainda é ele matar crianças e animais. E qual é a desculpa? eram idolatras kkkkk já pensou ovelha idolatra."

"E o livre arbítrio kd?"

"pois é, segundo os padrões de moral vigentes hoje, esse deus além de imoral é um mal caráter."

Você também disse "para um Deus ser o bom absoluto, ele tem que aparecer para provar que ele existe..."

De acordo com que critério? A experiência sensorial? Quer dizer que você confia apenas no que vê? Me responda você vê as leis da lógica? As verdades matemáticas?

Como elas podem existir se você não vê elas, elas existem só na sua mente? Quer dizer que se você ou nenhum outro ser humano existir as leis da lógica deixam de existir? Me explique?

Como você pode provar a ciência pelo próprio método científico? Me explique aí.

Se todo o conhecimento das coisas vem pela experiência sensorial, como você sabe que algo é verdade, pelo que você vê? Então me explique, como você aprendeu pela sua visão, o significado da palavra "se" ou da palavra "talvez".. coloque tudo isso em um silogismo pra mim.

Você acredita na lei da Gravidade? Por que? Por que você vê os efeitos dela? Mas e o mundo foi causado pelo que? Sua existência é efeito do que? Como você resolve a questão da causalidade AD INFINITUM?

"Agora se vocês estão falando Deus bíblico, ele é imoral segundo os padrões morais vigentes..."

De onde vem os padrões morais vigentes? Eles são absolutos ou são subjetivos, se eles são absolutos quem os fez? Se eles são apenas subjetivos porque eu deveria dar bola para essa objeção estúpida?

Me responda quais são os padrões vigentes? E quem determina eles? Novamente: eles são absolutas regras morais? Não? Então que tipo de objeção estúpida é essa?

Deus apoiou o estupro, a escravidão e o engano? Então porque ele deu leis contra essas coisas, em uma época onde essas práticas eram comuns na sociedade? Por que ele ordenou o Israelita soltar seus escravos depois de 7 anos? Por que ele ordenou que o estuprador (que tenha sido comprovado) seja morto? Por que ele deu uma lei contra o falso testemunho?

Me diga você cobiça? De acordo com que Padrão não seria certo um homem cobiçar a sua mulher, as suas irmãs ou seus parentes? Por que ele não deve pensar nelas enquanto faz qualquer coisa repugnante em seu quarto?

"Já é merda um deus mandar "seu povo" matar..."

Me diga, de acordo com que Padrão? Justifique porque é errado? É sua opinião? Então por que acha que seu comentário é mais relevante que eu assistir um vídeo de um besouro vira-bosta?

"O pior ainda é ele matar crianças.... desculpa idólatras... blá blá?"

Novamente você não faz uma objeção moral relevante, se a moral não é objetiva isso é só sua opinião, e porque alguém teria que seguir sua opinião irrelevante? Você acha errado Deus mandar matar uma ovelha? Me explique, por que é errado matar uma ovelha? De acordo com que critério? Você é vegano? Se for, Como você justifica o veganismo ?

"Livre arbítrio".

De onde você tirou que temos livre arbítrio? Por que você faz decisões? Mas se você é ateu e não existe mais nada se não o mundo material, os seus axiomas são reações químicas do cérebro influenciadas por hormônios, etc... como você defende o livre arbítrio na sua cosmovisão? Existe uma mente imaterial que domina sobre o seu cérebro? Você crê em uma mente imaterial? Mas se a única coisa que existe é o mundo físico, como você justifica a liberdade do pensamento, se seu pensamento é fatalmente determinado pela química, física e leis naturais? Além disso, você também sofre influências externas, neurocientistas dizem que você não tem liberdade alguma pra pensar no que quiser.

Como você pode apelar para livre arbítrio?

"Pois segundo os padrões morais vigentes hoje... deus é imoral e um mal caráter?"

Eu não sabia que Deus morava na terra e era temporal, e deveria seguir os padrões morais vigentes (aqui na terra) e hoje (temporal).



sábado, 17 de novembro de 2018

Se...

O ateísmo que eu adotara por tanto tempo vergou sob o peso da verdade histórica. Era um resultado surpreendente e radical, certamente não o que eu previra quando embarquei nesse processo investigativo. Mas era, na minha opinião, uma decisão forçada pelos fatos.
tudo isso me levou à pergunta: "E daí?". Se isto é verdade, que diferença faz? Havia várias implicações óbvias.

  • Se Jesus é o Filho de Deus, seus ensinos são mais que meras ideias corretas de um mestre sábio; são posições divinas sobre as quais posso com confiança edificar minha vida.
  • Se Jesus estabelece o padrão da moralidade, posso agora ter um fundamento inabalável para minhas escolhas e decisões, em vez de baseá-las na areia movediça dos interesses próprios e do egocentrismo.
  • Se Jesus ressuscitou, ele ainda está vivo hoje e disponível para que eu o encontre pessoalmente.
  • Se Jesus derrotou a morte, ele pode abrir a porta da vida eterna para mim também.
  • Se Jesus tem poder divino, ele tem  capacidade sobrenatural de me guiar, ajudar e transformar enquanto eu o sigo.
  • Se Jesus conhece pessoalmente a dor da perda e do sofrimento, ele pode me consolar e encorajar em meio à turbulência que ele avisou que seria inevitável em um mundo corrompido pelo pecado.
  • Se Jesus me ama como diz, ele tem meus melhores interesses em mente. Isso significa que nada tenho a perder e tudo tenho a ganhar ao me confiar a ele e a seus propósitos.
  • Se Jesus é quem afirma ser (e lembre-se de que nenhum líder de qualquer religião importante jamais disse ser Deus), como meu Criador ele merece por direito minha lealdade, obediência e adoração.

Lembro de ter escrito essas implicações em meu bloco de anotações e depois ter me reclinado na cadeira. Eu chegara ao ponto culminante de minha peregrinação de quase dois anos. Finalmente estava na hora de encarar a pergunta mais premente de todas; "E agora?"


Lee Strobel - Em defesa de Cristo


sábado, 8 de setembro de 2018

três perguntas

[...] quero compartilhar o cerne do que aprendi naqueles meses de pesquisa, para que você também possa ver que o cristianismo não é um mito, nem fantasia ilusória de alguns sonhadores religiosos, nem um embuste forjado sobre mentes simplórias. É uma verdade, sólida como a rocha firme. E garanto que, quando você reconhecer por si mesmo essa verdade, estará no limiar de encontrar as respostas a essas três perguntas: quem eu sou? Qual o meu propósito? Qual o meu destino?


Josh McDowell - Mais que um carpinteiro



sábado, 28 de julho de 2018

Coincidências?!


Marco de pedra da Babilônia

A Doutrina de Amenemope

PROVÉRBIOS 22. Estruturado em 30 capítulos de tamanhos variados, a Doutrina de Amenemope é um texto egípcio que data provavelmente da época de Ramessés. O texto está muito bem preservado em papiro, no Museu Britânico, como também em diversos fragmentos de outras coleções. Nesse texto, Amenemope instrui seu jovem filho a respeito da conduta e da mentalidade apropriadas ao homem ideal. Esse homem deve ser generoso, satisfeito com o que possui, reservado e capaz de se controlar. Deve também respeitar os superiores e demonstrar reverência para com seu deus.

Os estudiosos encontraram paralelos interessantes entre a Doutrina de Amenemope e o livro de Provérbios, especialmente os capítulos 22 e 23. O capítulo 1 da obra de Amenemope começa com uma instrução similar à encontrada em Provérbios 2.2: dar ouvidos à sabedoria e inclinar o coração para o discernimento (cf. 22.17). Ambos os textos advertem contra a expansão de um campo pela remoção das pedras que demarcam o limite de uma propriedade (Amenemope, VII, 11-14; Pv 22.28; 23.10). Ambos advertem contra a exploração do pobre (Amenemope, IV,4-5; Pv 22.22), a associação com pessoas de temperamento violento (Amenemope, XI 12-14; Pv 22.24, 25), a glutonaria à mesa de um oficial (Amenemope, XXIII, 13-20; Pv 23.1-3) e comer a comida de um avarento (Amenemope, XV, 9-12; Pv 23.6-8). Ambos os textos ressaltam a tendência que a riqueza tem de criar asas e voar como um pássaro (Amenemope, X 4-5; Pv 23.4-5), afirmam que a boa reputação é mais importante que as riquezas (Amenemope, XVI, 11-12; Pv 22.1), que a pessoa talentosa servirá aos governantes (Amenemope, XXVII, 15-17; Pv 22.29) e que a melhor atitude para com o pobre é a generosidade (Amenemope, XVI, 5-10; Pv 22.9). De fato, alguns estudiosos acreditam que a divisão em 30 capítulos de Amenemope é um reflexo da versão original hebraica de Provérbios 22.20.

É bem provável que o escritor desses provérbios tenha incorporado elementos da sabedoria de outras fontes, como Amenemope, enquanto compilava seu trabalho, mas isso não anula a inspiração divina do texto bíblico. O compilador de Provérbios pode ter feito uso de elementos da literatura sapiencial estrangeira que demonstravam a justiça e a moralidade apropriadas, embora mantendo o princípio de que a verdadeira sabedoria sempre começa com "o temor do Senhor" (1.7).



Bíblia de Estudo Arqueológica



sábado, 21 de julho de 2018

Pluralismo Religioso.

 

“Suicídio” religioso


O conceito de pluralismo religioso, o qual afirma que todas as religiões são igualmente verdadeiras, também se autorrefuta.



Se todas as religiões são verdadeiras, então, segue-se que o cristianismo é verdadeiro. No entanto, uma das verdades do cristianismo afirma que as outras religiões são falsas. Ou o cristianismo é verdadeiro e as outras religiões são falsas ou alguma outra visão de mundo é verdadeira e o cristianismo é falso. Em qualquer um dos casos, não é possível que todas as religiões sejam verdadeiras.



Uma objeção comum à noção de inspiração bíblica diz o seguinte: A Bíblia foi escrita somente por homens. Trata-se de um livro repleto de ideias humanas e todas as ideias humanas possuem falhas. Portanto, a Bíblia é um livro cheio de falhas.



Se todas as ideias humanas possuem falhas, então, a ideia de que todas as ideias humanas possuem falhas também é uma ideia falha, o que configura uma contradição. A objeção se autodestrói.



C. S. Lewis cita um exemplo que ilustra esse mesmo problema. Em resposta à alegação freudiana e marxista de que todos os pensamentos são, em sua origem, psicológica ou ideologicamente marcados, Lewis escreve:

“Se eles afirmam que todos os pensamentos são assim marcados, então, obviamente, devemos lembrá-los que o freudismo e o marxismo são sistemas de pensamento da mesma forma que o são a teologia cristã ou o idealismo filosófico. O freudiano e o marxiano acham-se no mesmo barco em que todos nós estamos, e não podem nos criticar como se estivessem do lado de fora. Fazendo isso, cortam o galho sobre o qual eles mesmos estão sentados. Se, em contrapartida, eles disserem que o estar marcado não precisa invalidar o pensamento deles, tampouco, portanto, precisa invalidar o nosso. Nesse caso, eles salvam o galho em que estão, mas também salvam o nosso.” (God in the dock, p. 300)


O hinduísmo como uma visão religiosa também parece transigir com noções contraditórias. Ele sustenta que a realidade como a conhecemos é uma ilusão, uma ideia que se chama Maya dentro da perspectiva hinduísta. Somos todos parte dessa ilusão e não existem identidades individuais verdadeiras.



Minha pergunta é: se sou parte dessa ilusão, como eu poderia saber disso? Como eu conseguiria possuir o verdadeiro conhecimento de que não existo ou possuir qualquer espécie de conhecimento se não sou real? Os indivíduos em um sonho sabem que não passam de fantasmas? Charlie Brown sabe que ele é um personagem de desenho animado?



O conceito hindu de que o mundo é uma ilusão contradiz a ideia de que eu posso ter o conhecimento que me diz que não sou uma mera ilusão, o que torna o conceito hindu um pensamento que se autorrefuta.


A maneira mais comum de escapar desse problema é a reivindicação de que a lei da contradição é uma noção ocidental e não se aplica ao pensamento oriental, como o hinduísmo. As noções contraditórias são igualmente verdadeiras no pensamento deles. Mas esse estratagema não é menos autodestrutivo. Se as noções contraditórias são igualmente verdadeiras na religião oriental, então a visão contrária – a de que as contradições de fato devem ser levadas em conta –, tem de ser aplicada também.


Gregory Koukl


 

sábado, 23 de junho de 2018

Pense

Quando os críticos da Bíblia perguntam: "Como você pode crer na Bíblia, estando ela crivada de erros?", o que você responde? Muitos cristãos arremessam isso direto para a fé; apegam-se tenazmente a sua crença, não importando quanto possa haver de evidência em contrário. Entretanto, isso não só contraria as escrituras como também é uma insensatez.


A Bíblia declara: "Portai-vos com sabedoria [...] para saberdes como deveis responder a cada um" (Cl 4.5-6). Pedro instou aos crentes: "Santificai a Cristo, Como Senhor, em vosso coração, estando sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir razão da esperança que há em vós, fazendo-o, todavia, com mansidão e temor" (1Pe 3.15-16).

De fato, Jesus ordenou: "Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento" (Mt 22.37). Uma parte desse amor que devemos a Cristo é encontrar respostas para aqueles que questionam a Palavra de Deus. Pois, como disse Salomão: "Ao insensato responde segundo a sua astultícia, para que não seja ele sábio aos próprios olhos" (Pv 26.5)

A verdade é capaz de se manter sobre os seus dois pés. Jesus disse: "Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará" (Jo 8.32). Nada temos a temer quanto à verdade. Jesus disse ao Pai: "A tua palavra é a verdade" (Jo 17.17). A Bíblia resistiu à crítica dos maiores céticos, agnósticos e ateístas por todos esses séculos, e ela pode resistir aos fracos esforços nesse sentido feitos pelos críticos incrédulos de hoje. Contrariamente a muitas outras religiões atuais que apelam a sentimentos místicos ou a uma fé cega, o cristianismo diz: "Pense antes de agir".



Norman Geisler




sábado, 16 de junho de 2018

Como a arqueologia confirma a Bíblia?

sábado, 19 de maio de 2018

A importância da apologética



 Em minha opinião, a igreja está realmente falhando com esses jovens. Em vez de fornecer a eles um bom treinamento na defesa da fé cristã, nós ficamos envolvidos em lhes proporcionar experiências de louvor carregadas de emoção, ficamos nos preocupando com suas necessidades e em entretê-los. Não é a toa que eles se tornam presas fáceis para um professor que racionalmente ataca a sua fé. No segundo grau e na faculdade, os estudantes são bombardeados com todo tipo de filosofia não cristã combinada com um avassalador relativismo e ceticismo. Temos que preparar nossos jovens para essa guerra. Como temos coragem de enviá-los desarmados para essa zona de guerra intelectual? Os pais devem fazer mais do que apenas levar seus filhos à igreja e ler histórias da Bíblia para eles. Pais e mães precisam ser bem treinados em apologética para que sejam capazes de explicar aos seus filhos, desde pequenos e cada vez com maior profundidade, porque cremos naquilo que cremos. Honestamente falando, acho difícil de entender como casais cristãos, nesses tempos em que vivemos, podem correr o risco de trazer filhos ao mundo sem terem recebido um bom treinamento em apologética como parte de seu ofício de pais.

Em guarda - Willian Lane Craig



sábado, 12 de maio de 2018

A Bíblia contém erros?




"Por que você crê na Bíblia? É um livro antigo, cheio de erros e contradições". Todos nós já ouvimos isto muitas vezes. Contudo, muitos cristãos evangélicos conservadores discordam desta declaração. Eles defendem uma doutrina chamada infalibilidade das Escrituras.

O ponto de início da nossa discussão é uma definição de infalibilidade e erro. Por infalibilidade, queremos dizer que, quando todos os fatos são conhecidos, a Bíblia - em seus manuscritos originais e interpretada de modo apropriado - provará ser verdadeira, e nunca falsa, em tudo o que afirma, quer com relação à doutrina, ética ou às ciências sociais, físicas ou da vida. Três aspectos nesta definição são dignos de nota. Em primeiro lugar, existe o reconhecimento de que nós não possuímos toda a informação para demonstrar a verdade da Bíblia. Muitas informações foram perdidas devido a passagem do tempo. Elas simplesmente não mais existem. Outras informações esperam por escavações arqueológicas. Em segundo lugar, a infalibilidade é definida em termos da verdade que muitos filósofos hoje em dia interpretam como sendo uma propriedade de sentenças, e não de palavras. Isto quer dize que todas as sentenças, ou afirmações, indicativas da Bíblia são verdadeiras. Com base nesta definição, portanto, um erro na Bíblia exigiria que ela fizesse uma falsa declaração. Finalmente, toda informação contida na Bíblia, qualquer que seja o assunto, é verdadeira. Isto é, ela registra com exatidão eventos e conversas, incluindo as mentiras de homens e Satanás. Ela ensina verdadeiramente Sobre Deus, a condição humana, e o céu e o inferno.

A crença na infalibilidade se apoia em pelo menos quatro linhas de argumentação: a bíblia, a história, a epistemologia e a do terreno escorregadio.

O argumento bíblico é obtido do que a Bíblia tem a dizer sobre si mesma, e é o mais importante. Este argumento pode ser formulado de uma maneira circular e de uma não-circular. É circular, quando alguém afirma que a Bíblia diz é inspirado e inequívoco, e que é verdade, porque é encontrado em uma escritura inspirada e inequívoca. Não é circular, quando são feitas declarações que podem ser comprováveis fora do documento. Isto é possível, porque a Bíblia faz declarações históricas e geográficas que podem ser confirmadas independentemente. A  infalibilidade resulta do que a Bíblia tem a dizer sobre a sua inspiração. É o sopro de Deus (2 Tm 3.16) e o resultado da orientação do espirito Santo sobre os autores humanos (2 Pe 1.21). É um livro humano-divino. Além disto, o reconhecimento de um profeta no Antigo Testamento requer nada menos do que a total honestidade (Dt 13.1-5; 18.20-22). A comunicação escrita de Deus pode ter um padrão inferior a esse? Deve-se observar que tanto a forma oral de comunicação como a escrita envolvem o elemento humano. Isto mostra que o envolvimento humano não indica necessariamente a presença de erro. A Bíblia ensina a sua própria autoridade, também. Mateus 5.17-20 ensina que os céus e terra passarão antes que o menor detalhe da lei deixe de cumprir-se. João 10.34,35 ensina que as escrituras não podem ser anuladas. Além disto, a maneira como as Escrituras usam as Escrituras respalda a sua infalibilidade. Às vezes, os argumentos nas escrituras se baseiam em uma única palavra (Sl 82.6; Jo 10.34,35), no tempo de um verbo (Mt 22.32), ou no número de um substantivo (Gl 3.16). Finalmente, o caráter de Deus está por trás da sua palavra, e Ele não mente (Nm 23.19; 1 Sm 15.29; Tt 1.2; Hb 6.18).

Um segundo argumento é o histórico. Embora haja os que discordam, a infalibilidade tem sido a perspectiva cristã padrão ao longo da história. Agostinho escreve: "Eu aprendi a dedicar este respeito e esta honra somente aos livros canônicos das Escrituras: estes livros são os únicos sobre os quais eu posso crer firmemente que os autores estavam completamente isentos de erros". Lutero diz: "Todos, na verdade, sabem que, às vezes, eles (os pais) erraram, como os homens erram; por isto, eu estou pronto a confiar neles, somente quando eles provam suas opiniões com base nas Escrituras, que nunca erra". John Wesley tem uma opinião similar: "Na verdade, se houvesse algum engano no livro, poderia igualmente haver mil. Se há alguma falsidade nesse livro, ela não vem do Deus da verdade".

Um terceiro argumento é o epistemológico (baseado no que sabemos, e como sabemos). Uma maneira útil de formular este argumento é reconhecer que, se a Bíblia não é inteiramente verdade, então qualquer parte dela pode ser falsa. Isto é particularmente problemático quando algumas das mais importantes informações que a Bíblia transmite não podem ser confirmadas por meio de fatos independentes. Ela ensina sobre um Deus invisível, anjos e céu. A infalibilidade requer que as afirmações da Bíblia que podem ser comprovadas sejam apresentadas como verdadeiras, sempre que toda informação relevante esteja disponível. Os que criticam a veracidade integral da Bíblia apontam vários supostos erros. Mas nestes casos, a passagem em questão pode ter sido mal interpretada pelo crítico, ou nem todos os fatos relevantes foram esclarecidos. Durante o século XX, numerosas declarações da Bíblia, que eram consideradas equivocadas, foram provadas como verdadeiras, com a ajuda de novas informações. Sendo assim, por que alguém deveria crer no que não é possível verificar? Somente uma Bíblia infalível assegura-nos de que o que lemos é verdade.

O quarto argumento é o terreno escorregadio (neste caso, não uma falácia). O argumento afirma que a infalibilidade é tão fundamental que o que admitem a ocorrência de erros na Bíblia logo abrirão mão de outras doutrinas essenciais, como a divindade de Cristo e/ou a expiação substitutiva. A negação da infalibilidade leva a maior erro doutrinário. Isto não acontece em todos os casos, mas é demonstrável como uma tendência.

Cada um desses argumentos foi alvo de críticas. Todavia, uma objeção comum e fundamental a eles afirma que esta doutrina não tem sentido, uma vez que é verdade apenas com respeito a originais que não existem (os manuscritos originais). Mas é mesmo sem sentido? Não, se satisfizermos duas condições: (1) nós possuímos um número suficiente de cópias de alta qualidade dos originais, e (2) existe uma disciplina sofisticada de crítica textual aplicada ao uso destas cópias na determinação do que o original deve ter dito. Estas condições são satisfeitas, no caso da Bíblia.

A questão fundamental é o ensinamento da Bíblia sobre a sua própria infalibilidade. E para os que são céticos, a ciência, a arqueologia e a história confirmaram esta afirmação repetida vezes.


Paul D. Feinberg



sábado, 10 de fevereiro de 2018

Gosto pela análise.




Quando leio a Bíblia, não faço da mesma maneira pelo qual me aproximo de outras formas de literatura. Isso não significa que eu ponha de lado minha capacidade crítica. Na verdade, meu gosto pela análise fica ainda mais aguçado quando leio a Escritura, porque me vejo motivado por um desejo profundo de compreendê-la.

R C Sproul



sábado, 3 de fevereiro de 2018

Argumentos que se autorrefutam.




Algumas ideias tendem a se autodestruírem ao se apresentarem. Sua tarefa é apenas ressaltar essa tendência, e então observar tal ideia se desmoronar lentamente.



Durante o processo de desenvolvimento de uma fé racional, percebemos às vezes que defender-se contra um oponente não exige de nós nenhum esforço. Em certas ocasiões, a maneira mais fácil de lidar com um ponto de vista contrário ao seu não é alimentá-lo com mais informações, mas, sim, usar uma tática que revele a falácia do raciocínio do seu objetor. Umas das mais eficazes é uma que eu chamo de tática do “suicídio”.


Certa vez alguém disse que se você der corda o bastante para uma pessoa, ela irá se enforcar. A tática do “suicídio” tira vantagem da tendência de muitos argumentos se autodestruírem quando são enunciados. Essas ideias caem na armadilha de sua própria esperteza e logo se evaporam.


Elas são comumente conhecidas como pensamentos que se autorrefutam, ou seja, ideias que anulam a si mesmas. Não raro, pensamentos que se autorrefutam são evidentes. A declaração “Meu irmão é filho único” é um exemplo. Um outro exemplo  foi visto impresso na camiseta de um estudante de filosofia. Na frente, lia-se: “A frase na parte de trás dessa camiseta é falsa.” Atrás, estava escrito, “A frase na parte da frente dessa camiseta é verdadeira”.



Se for verdadeira, é falsa

 


Uma visão que se autorrefuta é necessariamente falsa. Não lhe é nem possível ser verdadeira. Mas se der a impressão de ser à primeira vista, ainda assim se provará falsa. Eis a razão.

O filósofo J. P. Moreland observa que toda declaração é sobre alguma coisa. Por exemplo, “Cachorros têm pulgas” é sobre cachorros. Às vezes, algumas afirmações incluem em si próprias aquilo a que elas estão se referindo. A frase “Todas as sentenças em português são curtas” refere-se a todas as sentenças em português, incluindo ela mesma. Quando uma afirmação falha em satisfazer seu próprio critério de validade, temos uma afirmação que anula a si mesma. Não há possibilidade de ela ser verdadeira.

Outro exemplo, a sentença “Não sei falar uma palavra em português” se autorrefuta quando pronunciada em português. A afirmação de que não há frases com mais de cinco palavras também é necessariamente falsa (conte as palavras). Da mesma forma, ideias que se autorrefutam já trazem dentro de si as sementes de sua própria destruição. Expressam uma contradição e, portanto, um conceito que anulam a si mesmas. Sua tarefa é apenas ressaltar isso e depois observar esse conceito se destruir. Se você estiver atento, isso pode ser feito quase sem esforço, como Charlie Brown demonstra nesse diálogo com Sally:

Sally: “‘Não!’ Esta é minha nova filosofia. Não me interessa o que qualquer pessoa diga, a resposta é ‘Não!’.”
Charlie Brown: “Esta é sua nova filosofia, certo?”
Sally: “Sim! Quer dizer, ‘Não!’…[Desesperando-se] Você destruiu minha nova filosofia.”

Isso acontece o tempo todo. Durante uma transmissão de rádio, discordei da teologia de alguns televangelistas. Imediatamente fui contestado por um ouvinte que ligou e disse: “Você não deveria corrigir líderes cristãos de forma pública numa rádio”. Eu respondi, “Então por que você está ligando para me corrigir de forma pública em meu programa de rádio?”


Já outros, convencidos de que argumentar é proibido pelas Escrituras, argumentam com persistência de que estou sendo desobediente às ordens bíblicas ao assumir posicionamentos contrários aos de meus ouvintes.


Há os que rejeitam a missão da apologética por acharem que a razão nunca é adequada na busca de descobrir a verdade. Em seguida, essas mesmas pessoas listam, de forma sistemática, as razões que as levam a pensar que a opinião delas é verdadeira.

Aqui estão alguns outros exemplos evidentes que encontrei ao longo dos anos:

“Não existe verdade.” (Essa sentença é verdadeira?)
“Não existem absolutos.” (Você tem certeza absoluta disso?)
“Ninguém pode saber nenhuma verdade sobre religião.” (E de que maneira, exatamente, você veio a saber essa verdade sobre religião?)
“A ciência é o único método seguro de descobrir a verdade.” (Que experimento científico te ensinou essa verdade?)

Abaixo mais exemplos diretos de declarações que se autorrefutam. Como você revelaria as falhas delas?

“Não se pode saber nada com certeza.”
“Falar sobre Deus é algo sem sentido.”
“Só se pode conhecer a verdade através da experiência.”
“Acho que não devemos impor aos outros os valores de outra pessoa.”

Embora estes sejam exemplos óbvios de declarações que derrotam a si mesmas, às vezes as falhas são mais sutis.


O relativismo moral se autodestrói


Sempre que alguém disser, “Você não deve me impor sua moralidade”, pergunte “Por que não?”. Geralmente, a resposta será um exemplo de imposição de moralidade por parte dessa pessoa. Para que a objeção faça sentido, ela terá que afirmar um padrão moral enquanto nega a existência de quaisquer normas morais. Essas tentativas se reduzem a “Você está errado em dizer que as pessoas estão erradas”, ou, de forma mais direta, “Você não deve julgar, seu intolerante mesquinho”. Essas declarações são muitas vezes apelos em favor da tolerância. Uma pessoa não deve tentar mudar as crenças de outra.


Mas isso não é um avanço. A exortação em si é uma tentativa de te persuadir a mudar suas crenças “intolerantes”.


Para ilustrar esse ponto, eu estava tendo uma conversa amigável com um não cristão quando chegamos ao tema da homossexualidade. Ele logo se ofendeu com minha visão “condenatória”.


“Sabe, esse é o problema dos cristãos”, ele disse. “Estão sempre julgando a moral das outras pessoas”. Por um momento, ele ficou sem palavras quando mostrei que essa frase constituía um interessante julgamento moral da parte dele. Recuando, ele refez seu discurso e tentou argumentar de outra maneira.

“Está bem”, ele admitiu após refletir um pouco. “Acho que não há problema em julgar, desde que você não tente impor sua moralidade sobre os outros”. Ele pensou que isso resolveria seu problema. Enganou-se.


“Essa é a sua moralidade?” Perguntei. Ele assentiu. “Então por que você está impondo-a sobre mim?”. Ele estava de volta à “estaca zero.”


Depois de algumas tentativas frustradas, ele desiste: “Isso não está certo. Não consigo achar uma forma de dizer isso de modo que funcione.” Ele achou que eu estava brincando com ele.


Sorri discretamente. “Você não consegue achar uma forma porque ela não existe. Sua frase é contraditória. Não há como ela ser verdadeira.”


Relativistas morais sempre são pegos nessa dificuldade. É como se dissessem, “Não existem regras morais; aqui está uma.”


A única maneira de um relativista ser consistente é dizer, “Sinto que está errado, mas meu parecer não passa de uma opinião pessoal e não tem nada a ver com você. Por favor, desconsidere meus comentários.

C. S. Lewis faz a seguinte observação:

“Sempre que encontramos um homem a afirmar que não acredita na existência do certo e do errado, vemos logo em seguida este mesmo homem mudar de opinião. Ele pode não cumprir a palavra que lhe deu, mas, se você fizer a mesma coisa, ele lhe dirá “Não é justo!” tão rápido que você não terá tempo de dizer palavra alguma. Um país pode dizer que os tratados de nada valem; porém, no momento seguinte, porá sua causa a perder afirmando que o tratado específico que pretende romper não é um tratado justo. Se […] não existe um certo e um errado […] qual a diferença entre um tratado justo e um injusto?”

É possível que alguém discuta com você com entusiasmo e eloquência em defesa do relativismo moral e, contudo, reclame quando alguém toma a frente dele na fila. Essa mesma pessoa alegará tratamento injusto recebido no trabalho e denunciará a injustiça no sistema legal. Criticará os políticos desonestos que traem a confiança do povo e condenará os fundamentalistas intolerantes que impõem seus pontos de vista morais sobre outros. Acontece que, cada uma dessas objeções não tem sentido nenhum, são exemplos de um raciocínio autodestrutivo.

É a verdade verdadeira?


Em um debate acerca do pós-modernismo na Universidade Chapman, defendi o que parecia ser uma alegação bastante modesta: A verdade objetiva pode ser conhecida. Meu oponente, Dr. Marv Meyer, foi forçado a argumentar contra minha proposição, declarando de forma eficaz que ele conhecia a verdade que não se podia conhecer.


Esse debate me fez lembrar de um mestre de obras que, certo dia, reclamava da qualidade do ar em Los Angeles. “Essa fumaça está me matando,” ele disse. “Preciso de um tempo. Vou aqui fora fumar um pouco”. O comentário dele encerra uma contradição. Ele fez referência a algo condenável e, em seguida, passou a fazer, sem perceber, justamente o que ele tinha condenado. Não notou nenhum conflito entre sua reclamação e seu procedimento.


A proposta do Dr. Meyer era muito semelhante à declaração do mestre de obras. Primeiro, meu oponente argumentava que o conhecimento era de determinada forma. Segundo, afirmava que o conhecia tal como ele é. Ao longo de todo o debate, ele sustentou que essas afirmações são falsas. Meu trabalho já estava feito antes mesmo de eu começar.


Nas minhas considerações finais, eu disse à plateia que concordava alegremente com muitas das afirmações feitas pelo meu oponente. Elas provavam meu ponto.

“Quando lhes for solicitado que votem ao final do debate desta noite”, eu disse, “muitos de vocês votarão a favor da proposta de Marv, o que significa dizer que ele convenceu vocês de que a perspectiva dele era a verdadeira e a minha era a falsa. Caso isso aconteça, terei a certeza de que tive êxito em defender meu argumento. Com satisfação, considerarei cada voto para Marv como um voto a favor da seguinte resolução: A verdade objetiva pode ser conhecida.”


A versão “cristã” do pós-modernismo não se sai melhor. Alguns pensadores cristãos flertam com o relativismo, batizando-o com linguagem religiosa. “Há dois tipos de verdade”, eles dizem, “a verdade de Deus e a verdade do homem. A verdade de Deus é absoluta e só pode ser conhecida por ele. Só podemos conhecer a verdade do homem, que é limitada e relativa às nossas perspectivas pessoais”. Minha pergunta é: que tipo de verdade se reflete nessa afirmação? Se é a Verdade de Deus, como eles vieram a saber o que só Deus pode conhecer? Se é meramente a perspectiva falível do homem, então por que eu deveria confiar em uma generalização tão abrangente sobre a questão da verdade absoluta?

“Suicídio” religioso


O conceito de pluralismo religioso, o qual afirma que todas as religiões são igualmente verdadeiras, também se autorrefuta.


Se todas as religiões são verdadeiras, então, segue-se que o cristianismo é verdadeiro. No entanto, uma das verdades do cristianismo afirma que as outras religiões são falsas. Ou o cristianismo é verdadeiro e as outras religiões são falsas ou alguma outra visão de mundo é verdadeira e o cristianismo é falso. Em qualquer um dos casos, não é possível que todas as religiões sejam verdadeiras.


Uma objeção comum à noção de inspiração bíblica diz o seguinte: A Bíblia foi escrita somente por homens. Trata-se de um livro repleto de ideias humanas e todas as ideias humanas possuem falhas. Portanto, a Bíblia é um livro cheio de falhas.


Se todas as ideias humanas possuem falhas, então, a ideia de que todas as ideias humanas possuem falhas também é uma ideia falha, o que configura uma contradição. A objeção se autodestrói.


C. S. Lewis cita um exemplo que ilustra esse mesmo problema. Em resposta à alegação freudiana e marxista de que todos os pensamentos são, em sua origem, psicológica ou ideologicamente marcados, Lewis escreve:

“Se eles afirmam que todos os pensamentos são assim marcados, então, obviamente, devemos lembrá-los que o freudismo e o marxismo são sistemas de pensamento da mesma forma que o são a teologia cristã ou o idealismo filosófico. O freudiano e o marxiano acham-se no mesmo barco em que todos nós estamos, e não podem nos criticar como se estivessem do lado de fora. Fazendo isso, cortam o galho sobre o qual eles mesmos estão sentados. Se, em contrapartida, eles disserem que o estar marcado não precisa invalidar o pensamento deles, tampouco, portanto, precisa invalidar o nosso. Nesse caso, eles salvam o galho em que estão, mas também salvam o nosso.” (God in the dock, p. 300)

O hinduísmo como uma visão religiosa também parece transigir com noções contraditórias. Ele sustenta que a realidade como a conhecemos é uma ilusão, uma ideia que se chama Maya dentro da perspectiva hinduísta. Somos todos parte dessa ilusão e não existem identidades individuais verdadeiras.


Minha pergunta é: se sou parte dessa ilusão, como eu poderia saber disso? Como eu conseguiria possuir o verdadeiro conhecimento de que não existo ou possuir qualquer espécie de conhecimento se não sou real? Os indivíduos em um sonho sabem que não passam de fantasmas? Charlie Brown sabe que ele é um personagem de desenho animado?


O conceito hindu de que o mundo é uma ilusão contradiz a ideia de que eu posso ter o conhecimento que me diz que não sou uma mera ilusão, o que torna o conceito hindu um pensamento que se autorrefuta.


A maneira mais comum de escapar desse problema é a reivindicação de que a lei da contradição é uma noção ocidental e não se aplica ao pensamento oriental, como o hinduísmo. As noções contraditórias são igualmente verdadeiras no pensamento deles. Mas esse estratagema não é menos autodestrutivo. Se as noções contraditórias são igualmente verdadeiras na religião oriental, então a visão contrária – a de que as contradições de fato devem ser levadas em conta –, tem de ser aplicada também.


Liberdade, racionalidade e conhecimento


Há quem defenda que tudo na vida é determinado por condições físicas prévias e que, na verdade, a liberdade da vontade não é uma realidade. O mesmo pode ser dito se a alma não existir.  Se não há um centro dentro de nós que exerça livre arbítrio, segue-se que todas as nossas “escolhas” não passam de resultados inevitáveis de forças físicas cegas.


E o problema é justamente esse. Sem liberdade genuína, não pode haver racionalidade. Ninguém seria capaz de escolher suas crenças fundamentando-as em alguma base de evidências. As crenças seriam sustentadas por que assim haviam sido predeterminadas.


Por esse motivo, é estranho quando alguém tenta argumentar a favor do determinismo. Sua convicção não pode estar baseada em razões, nos méritos da posição em si, mas em condições prévias que produziram tal crença. Essa pessoa estaria “determinada” a acreditar no determinismo enquanto outras estariam “determinadas” a discordar dele.

Portanto, se não há livre arbítrio, nem sequer se poderia saber disso. Todos os nossos pensamentos, atitudes e opiniões seriam frutos de uma predeterminação em vez de terem sido escolhas com base em boas razões.


Há outros que limitam o campo do conhecimento apenas aos fenômenos que podem ser testados empiricamente. Para eles, todo conhecimento se baseia na observação. Mas essa é uma verdade que eles aprenderam com base na observação? E mais: será que eles observaram todo conhecimento a fim de saberem qual a natureza de todo conhecimento?


Alvin Plantinga, da Universidade de Notre Dame, chama essa tendência suicida de “labirinto filosófico”. Se você usa a ideia em outra pessoa, ele diz, é bem possível que você já esteja preso nela.

Você é aquilo que come?


Certa vez vi uma placa em um restaurante na qual se lia, “Você é o aquilo que come”. Ressaltei para o garçom que se somos o que comemos, logo não poderíamos ser algo até que comêssemos alguma coisa. Mas não podemos comer algo até sermos algo. Assim, não é verdade que somos o que comemos.


O garçom me olhou e disse, “Você terá que conversar com o gerente.”


Sempre esteja atento a argumentos com tendências suicidas. Faça a pergunta, “Essa posição carrega em si as sementes de sua própria destruição?” Não pense que você precisa fazer todo trabalho refutando um argumento ruim. Mantenha-se atento e fique em alerta. Quando perceber que o ponto de vista de seu oponente é autodestrutivo, faça uma pergunta que explore o problema. Então deixe ele se afogar no próprio navio!


Traduzido por Reginaldo Castro e revisado por Jonathan Silveira.

Texto original: Arguments That Commit Suicide. Stand to Reason.

Autor: Gregory Koukl obteve seu mestrado em filosofia da religião e ética na Talbot School of Theology e seu mestrado em apologética cristã na Simon Greenleaf University. É professor adjunto de apologética cristã na Biola University. Tem apresentado seu próprio programa de rádio por 20 anos, onde defende a cosmovisão cristã.

Copiado do endereço: http://tuporem.org.br/argumentos-que-se-autorrefutam/