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sábado, 18 de novembro de 2023

#amor real

 Um Deus que certamente é todo poderoso não poderia ter evitado todo esse mal e sofrimento terríveis, simplesmente por criar seres humanos incapazes de fazer o mal?

Bem, ele certamente poderia ter feito seres assim. Mas eles não teriam sido seres humanos, ou sim? Deixe-me tentar explicar. Uma parte essencial e maravilhosa de ser um ser humano é que fomos  dotados da capacidade de amar. Amar envolve dizer "sim" ao invés de "não" para outros, e isso não teria sentido se a capacidade de escolher entre essas duas alternativas não existisse. Em outras palavras, a capacidade de amar está intimamente ligada à possessão do que chamamos de "livre-arbítrio". Estamos conscientes, é claro, de que a liberdade implícita não é ilimitada: não somos livres para fazer tudo. Por exemplo, não sou livre para correr a mais de 110 quilômetros por hora! No entanto, para que um ser possa sentir-se livre para dizer sim, ele deve ser livre para dizer não; para que seja livre para amar, ele deve ser livre para odiar; para que seja livre para ser bom, ele deve ser livre para ser mau.

Deus poderia ter removido o potencial para o ódio e o mal de uma só vez, criando-nos como autônomos, ou seja, meras máquinas capazes de fazer apenas aquilo para o qual foram programadas. Mas isso teria sido remover tudo o que nós mesmos valorizamos e que constitui a nossa humanidade básica.


John Lennox - John Carson Lennox é um matemático, filósofo da ciência, apologista cristão e professor de matemática da Universidade de Oxford. Ele é conselheiro do Green Templeton College, Oxford e um Fellow em matemática e filosofia da ciência pela mesma universidade.


sábado, 12 de março de 2022

presença direta?

 

Deus forneceu provas suficientes nesta vida para convencer qualquer um que esteja disposto a acreditar, mas Ele também deixou alguma ambiguidade, de modo a não compelir aquele que não estiver disposto.


Com o objetivo de assegurar que a nossa escolha é totalmente livre, ele (Deus) nos colocou num ambiente repleto de provas de sua existência, mas sem a sua presença direta – uma presença tão poderosa que poderia sobrepujar nossa liberdade e, assim, negar nossa possibilidade de rejeitá-la.


O propósito dessa vida é fazer a escolha livremente, sem coação. “O irresistível e o indiscutível são as duas armas que a própria natureza de Deus o impede de usá-las. Simplesmente sobrepor-se à vontade humana (o que sua presença certamente faria, ainda que em grau mais ínfimo) seria inútil para ele. Ele não pode arrebatar. Pode apenas cortejar”.



sábado, 2 de junho de 2018

Interação Direta

A vida no Espírito se manifesta, no exterior, de duas maneiras. Os dons do Espírito nos permitem realizar algumas funções específicas - como servir, curar ou liderar o culto -, com efeitos que superam, de forma clara, nossas capacidades. Esses dons cumprem propósitos de Deus no meio de seu povo, mas não indicam, necessariamente, a condição de nosso coração.



O fruto do Espírito, em contrapartida, é indicador seguro de um caráter transformado. Quando aprendemos a deixar que o Espírito cultive a vida de Jesus dentro de nós, temos atitudes e inclinações mais profundas semelhantes às de Jesus. Paulo confessou: "Fui crucificado com Cristo. Assim, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim" (Gl 2:19-20). O resultado de Cristo viver em nós por meio do Espírito é fruto: "amor, alegria, paz, domínio próprio" (Gl 5:22-23; cf. também Jo 15:8).

Tanto os dons quanto o fruto são o resultado, e não a realidade da presença do Espírito em nossa vida. O que nos transforma à semelhança de Cristo é nossa interação direta e pessoal com Cristo por meio do Espírito. O Espírito torna Cristo presente pra nós e nos aproxima de sua semelhança. Ao contemplarmos desse modo "a glória do Senhor [...] estamos sendo transformados com glória cada vez maior, a qual vem do Senhor, que é o Espírito" (2Co 3:18).



Dallas Willard - A Grande Omissão



sábado, 11 de novembro de 2017

Livre arbítrio




Deus criou coisas dotadas de livre-arbítrio: criaturas que podem fazer tanto o bem quanto o mal. Alguns pensam que podem conceber uma criatura que, mesmo desfrutando da liberdade, não tivesse possibilidade de fazer o mal. Eu não consigo. Se uma coisa é livre para o bem, é livre também para o mal. E o que tornou possível a existência do mal foi o livre-arbítrio. Por que, então, Deus o concedeu? Porque o livre-arbítrio, apesar de possibilitar a maldade, é também aquilo que torna possível qualquer tipo de amor, bondade e alegria. Um mundo feito de autômatos - criaturas que funcionassem como máquinas - não valeria a pena ser criado.

C S Lewis



sábado, 18 de março de 2017

Como a Bíblia pode declarar a Soberania Divina e, ao mesmo tempo, a Liberdade Humana?



Deus é o governante soberano do universo e de todos os assuntos humanos, e os seres humanos são responsáveis, perante Deus, pelas escolhas morais que fazem e pelas ações que realizam. Sim, a Bíblia ensina as duas coisas, a soberania divina e a liberdade humana, e as duas coisas são verdadeiras.


O que a Bíblia ensina sobre o governo soberano?

Consideremos Daniel 4.35, onde somos instruídos de que Deus, "segundo a sua vontade, opera com o exército do céu e os moradores da terra;não há quem possa estorvar a sua mão e lhe diga: Que fazes?" Com base neste versículo, são necessários três observações. Em primeiro lugar, o governo de Deus é o exercício da "sua vontade". Isto é, Ele decide, de antemão, o que deseja que aconteça, de modo que a sua vontade antecede e orienta tudo o que acontece. Em segundo lugar, Ele exerce a sua vontade universalmente - sobre os que estão no céu e sobre todos os habitantes da terra. Não há nenhum lugar onde a sua vontade não seja pertinente ou exercida. E, em terceiro lugar, nenhuma criatura de Deus pode frustrar o cumprimento da vontade de Dele, ou acusá-lo de injustiça. Em resumo,o governo de Deus, segundo a sua vontade, é absoluto,universal e eficaz.

Consideremos, ainda, os tipos de realidade sobre os quais Deus reina. A Bíblia contém vários textos que exibem o controle supremo de Deus sobre o bem e o mal, a luz e as trevas, a vida e a morte. Em Isaías 45.6, 7, Deus anunciou "Eu sou o Senhor, e não há outro. Eu formo a luz e crio as trevas; eu faço a paz e crio o mal; eu, o Senhor, faço todas essas coisas" (Ex 4.11; Dt 32.39; 1Sm 2.6, 7; Ec 7.13, 14; Lm 3. 37, 38). E, embora afirmemos alegremente que Deus é bom (apenas!), e que Deus não aprova o mal, nem o mal habita nele (Sl 5.4), ainda assim devemos afirmar, com as Escrituras, que Ele reina sobre tudo da vida, tanto sobre o seu bem como o seu mal, e que, em tudo o que acontece, "o conselho da sua vontade" (Ef 1.11) é cumprido.

O que as escrituras ensinam sobre a responsabilidade moral humana?

Desde as primeiras páginas da Bíblia, todos os seres humanos são avisados de que Deus nos considera responsáveis pelas escolhas morais que fazemos e pelas ações que realizamos. A lei de Deus - seja a simples lei de não comer o fruto de certa árvore do jardim (Gn 2.16, 17), a lei entregue no Sinai (Ex 20), ou a lei de Cristo (1 Co 9.21;Gl 6.2) -, estabelece a estrutura moral em que as vidas humanas devem ser vividas. Deus "recompensará cada um segundo as suas obras" (Rm 2.6), e este juízo se baseará no fato de que temos perseverança em fazer o bem (Rm 2.7) ou que somos desobedientes à verdade e obedientes à iniquidade (Rm 2.8). Não há como negar que Deus considera a nós, humanos, responsáveis pelas decisões que tomamos e pelas ações que realizamos, e o dia do juízo final trará o testemunho da maneira como decidimos viver a nossa vida.

Assim, Deus é o governante soberano acima de tudo, e os seres humanos são responsáveis diante dele. Mas, como as duas coisas podem ser verdadeiras?

Nós não conseguimos compreender plenamente como as duas coisas podem ser verdadeiras ao mesmo tempo, mas o fato de que elas devem funcionar juntas é exigido pelo claro ensinamento das Escrituras. Consideremos um exemplo escritural em que são vistas as duas coisas - especificamente, uma lição da história de José (Gn 37-45).

Os irmãos de José sentiam uma profunda inveja dele, e passaram a desprezá-lo. Quando se apresentou uma oportunidade, eles o venderam para o Egito (Gn 37.25-36), onde josé foi mal interpretado e maltratado. Apesar disto, a mão de Deus estava sobre José, e ele foi nomeado o segundo no comando do Egito (Gn 41). Durante um período de fome, os seus irmãos viajaram ao Egito para comprar grãos, e ali José se deu a conhecer a eles. O que José lhes disse é tão inacreditável como instrutivo: "Não fostes vós que me enviaste para cá, senão Deus" (Gn 45.8).

"Espere!", poderíamos protestar. "Certamente, eles mandaram José para o Egito!"

Sim, eles fizeram isto, e José o tinha reconhecido anteriormente (Gn45.4). Mas para compreender a plena razão por que foi mandado para o Egito, é preciso considerar não somente os irmãos, mais também, e com maior importância, Deus.

Assim, está claro: Ambos, Deus e os irmãos de José, foram responsáveis por mandá-lo para o Egito. Ambos, o governo soberano de Deus e os atos morais dos irmãos dele, estavam ativos. Como José explicou mais adiante, ao falar com seus irmãos: Vós bem intentaste mal contra mim, porém Deus o tornou bem" (Gn 50.20). Os irmãos de José agiram visando o mal, e Deus, nos mesmos eventos, visando o bem.

Nem todas as perguntas foram respondidas aqui, mas nós verificamos que devemos afirmar tanto o governo soberano de Deus, como a autenticidade da nossa responsabilidade moral. As duas coisas estão unidas nas Escrituras, e o que elas uniram, nenhum homem deve separar.

Bruce A Ware