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sábado, 4 de maio de 2024

#creia

 

Vocês têm essa alegria porque estão recebendo a sua salvação, que é o resultado da fé que possuem. (1Pe 1.9)

A pregação da salvação por meio da fé começa com o versículo mais traduzido e mais conhecido da Bíblia: “Deus amou tanto o mundo que deu seu Filho, seu único filho, pela seguinte razão: para que ninguém precise ser condenado; para que todos, crendo nele, possam ter vida plena e eterna. Deus não se deu ao trabalho de enviar seu Filho apenas para poder apontar um dedo acusador e dizer à humanidade como ela é má” (Jo 3.16-17, AM). E passa por aquela passagem central da Carta aos Efésios: “Tanto neste mundo como no próximo, ele quis derramar sobre nós graça e bondade, em Cristo Jesus. A salvação foi ideia e obra dele. Nossa parte em tudo isso é apenas confiar nele o bastante para permitir que ele aja em nossa vida. É um imenso presente de Deus!” (Ef 2.7-8, AM). E descamba na palavra de Paulo: “Assim percebemos que a pessoa é aceita por Deus pela fé e não por fazer o que a lei manda” (Rm 3.28).

Tendo tudo isso em mente, não achamos nada estranho na resposta certa e incisiva dada por Paulo ao carcereiro de Filipos quando ele perguntou o que deveria fazer para ser salvo: “Creia no Senhor Jesus e você será salvo – você e as pessoas da sua casa” (At 16.31).

A salvação pela graça mediante a fé não é uma pregação exclusiva de Paulo. É de todos os apóstolos. Daí a palavra de Pedro aos fiéis da Diáspora: “Vocês têm essa alegria porque estão recebendo a sua salvação, que é o resultado da fé que possuem” (1.9). Em outras palavras, o objetivo, a meta, o bom termo, o fim, o alvo, a recompensa final da fé – é a salvação.

Quando o alto funcionário do governo da Etiópia perguntou se poderia ser batizado como cristão, Filipe respondeu de pronto: “Se o senhor crê de todo o coração, é claro que pode” (At 8.36-37). O etíope cria na morte vicária de Jesus e em sua ressurreição. Era o bastante!

Graças a Deus pela salvação, ideia e obra dele mesmo!


sábado, 10 de fevereiro de 2024

#FÉ: DESEJAR E CRIAR PROBLEMAS

 

FÉ: DESEJAR E CRIAR PROBLEMAS
”É tolice acreditar que a fé sem nenhuma ação valha alguma coisa.” (Tiago 2:20)
Nem toda ação pode ser considerada um ato de fé, no entanto, toda fé autêntica implica em uma ou mais ações que a traduzam de forma visível e observável. A fé, por sua natureza dinâmica, brota a partir de um chamado à ação, uma situação nova e desafiadora que abala as estruturas vinculadas ao status quo, nos pressionando para fora da nossa zona de conforto. Dessa forma, uma fé já presente em nós, porém em estado de dormência, é ativada e energizada pelas exigências do próximo nível, uma nova fase cheia de riscos e incertezas.

Imagine um par de óculos de visão infravermelha. Só se pode comprovar sua eficácia quando as luzes se apagam. Da mesma forma, a fé de Abraão só se revelou útil e eficaz quando ele foi desafiado a entrar num novo nível de obediência e confiança: sacrificar o seu próprio filho Isaque. Da mesma forma nas nossas vidas, são as exigências de novos níveis de experiência que vão ativar a nossa fé.

A maioria de nós vive grande parte da vida com uma fé latente e desativada. Não precisamos de uma fé ativada para fazer o que sempre fizemos. A fé se torna desnecessária quando nosso hoje é idêntico ao ontem. É aquela antecipação de adentrar o “quarto escuro” de novos desafios e possibilidades que ativam a nossa fé.

Tiago cita dois personagens do Antigo Testamento para exemplificar a diferença entre a fé dormente e a fé ativada: Abraão e Raabe. Ambos tiveram sua fé ativada e validada quando decidiram subir para o próximo nível. Cada um entrou no seu próprio “quarto escuro” sem saber o que havia do outro lado da porta e sem saber se os “óculos infravermelhos” da fé iriam ou não funcionar.

No caso de Abraão, destaca-se a disposição para sacrificar seu filho, sem base lógicas ou explicações, mas apenas na certeza de que Deus estava no controle. Quanto a Raabe, sua decisão de esconder os espiões reflete sua confiança de que, ao favorecer os israelitas, ela estaria do lado vitorioso quando Israel conquistasse Jericó com a ajuda de Deus.

“Você pode ver que tanto a fé de Raabe como as suas ações, estavam atuando juntas, e a fé foi aperfeiçoada (ativada) pelas suas ações. (Tiago 2:22)

Pense na fé como uma semente. Os desafios, os próximos níveis, os problemas, os riscos e as incertezas representam a terra fértil que ativa e impulsiona a semente, fazendo-a germinar. Essa terra precisa ser desejada e não evitada.

Paulo Costa - Pastor da Primeira Igreja Batista de Tampa - Estados Unidos da América.


sábado, 28 de outubro de 2023

# assassinos da mente

 [...] tentamos entender por que há tanta confusão sobre a natureza da fé. Vimos que os novos ateus definem essencialmente como fé o que a maioria das pessoas considera como fé cega; ao passo que o o dicionário oxford (OED) deixa claro que fé e crença são conceitos cognatos intimamente relacionados à questão da evidência substancial. Isto é, a fé baseada em evidências é o conceito normal no qual baseamos nossa vida diária.

Concluímos, então, que a definição idiossincrática de fé dos novos ateus os induz a deixar de preciar o papel da fé na ciência e os impede de ver que a crença de que o universo é racionalmente intelegível está no coração da ciência. Prosseguimos para ver que a visão que os novos ateus têm da origem da faculdade cognitiva humana não lhes dá base para a fé na ciência, uma fé da qual eles não podem prescindir se desejam ter êxito. Na verdade, a sua redução do pensamento humano à Neurofisiologia é basicamente niilista e destrói a possibilidade da verdade, debilitando, assim, a validade de todos os argumentos, incluindo aqueles dos novos ateus. A fé dos novos ateus acaba por não ter alguma base probatória. O seu ponto de vista, portanto, é um exemplo perfeito da sua própria (e errônea) noção de uma "posição de fé". Por outro lado, a visão bíblica de que podemos fazer ciência faz sentido perfeitamente. O universo é (em parte) inteligível para a mente humana, já que ambos se originam do mesmo Criador.

Nesse ponto, a fé ateia me parece o oposto de algo grandiosos. Para citar uma frase finíssima de Cristopher Hitchens fora de contexto, os novos ateus são "assassinos da mente". Epistemicamente seu ateísmo é cego, anticientífico e incoerente, embora emocionalmente seus defensores pareçam incapazes de assumir isso. No entanto, se alguém ainda insistir em levar adiante a ideia que toda a fé é cega, então o Novo Ateísmo deve ser rejeitado também; já que, tal como o velho ateísmo, ele é uma questão de fé. É irônico constatar que os novos ateus são exemplos clássicos da mesmíssima noção que eles desprezam: eles são carcterizados pela fé cega de que toda fé é cega. Também é irônico o fato de que os novos ateus nem sequer veem que eles mesmos são movidos pela fé, mesmo quando eles se empenham em destruí-la. Eles acreditam que o mundo é racional, que a verdade é importante. Eles acreditam que suas própria mentes podem entender os assuntos nos quais eles estão falando. Eles também, tem fé que podem nos convencer com seus argumentos. Se eles pensam que a sua visão não é uma fé ou um sistema de crenças, por que então, eles tentam fornecer evidências para fazer o restante de nós crer nela? Eles fazem tudo isso, deixando inocentemente de ver que seu ateísmo corta a base racional sob eles, uma base sobre a qual eles tanto desejam permanecer.

John Lennox - Em defesa de Deus

sábado, 17 de julho de 2021

distinção entre "religião" e a "fé no Deus da Bíblia"

    Assim como foi importante para os judeus no Antigo Testamento, continua importante para nós a distinção entre "religião" e a "fé no Deus da Bíblia". Em sua definição, a religião inclui um conjunto de dogmas nos quais acreditamos. A fé bíblica é a atitude tomada em virtude daquilo em que acreditamos. Crença e atitude nâo podem ser separadas no reino de Deus. Julgamentos morais são sempre situacionais, ou aplicados a uma situação real; a Bíblia não nos dá "morais abstratas" ou ideias que podemos adotar sem que haja implicações ou aplicações. Não podemos citar o sexto mandamento - "Não matarás" - sem definir o que significa matar e trabalhar para impedir que isso aconteça. Não podemos dizer "Não roubarás", sem definir o direito à propriedade e defender a propriedade privada. Então as leis de Deus não são princípios abstratos; são princípios e valores aplicados a situações específicas. As leis bíblicas são leis vivas.

 

hahaha... não achei a anotação do autor. 

 

 

sábado, 7 de março de 2020

#equívoco

Há muito equívoco na compreensão a respeito de fé. É comum supor-se que ela seja um salto no escuro, completamente incompatível com a razão. Não é assim. A verdadeira fé nunca é irrazoável, porque seu objeto é sempre digno de confiança. Quando nós, seres humanos, confiamos uns nos outros, a racionalidade de nossa confiança depende da confiabilidade relativa das pessoas em questão. A Bíblia, no entanto, testemunha Cristo como inteiramente digno de confiança. Ela nos conta quem ele é e o que ele fez, e a evidência que ela provê em favor de sua pessoa e obra únicas é convincente ao extremo. À medida que nos expomos ao testemunho Bíblico a respeito desse Cristo, e à medida que sentimos seu impacto - profundo e ainda assim simples, diversificado mas ainda assim unânime -, Deus cria a fé dentro de nós. Recebemos o testemunho. Cremos.

Era isso o que Paulo tinha em mente quando escreveu:

E, assim, a fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo. (Romanos 10.17)


John Stott



sábado, 29 de fevereiro de 2020

#asEscriturastestemunham

As Escrituras "podem tornar-te sábio para a salvação pela fé em Cristo Jesus", escreveu Paulo (2Tm 3.15). Visto que seu propósito (ou o propósito do autor divino, que falou e fala por meio delas) é levar-nos à salvação e que a salvação está em Cristo, elas apontam para Cristo, como vimos. Mas seu objetivo ao apontar para Cristo não é simplesmente para que possamos conhecê-lo ou compreendê-lo, nem mesmo para que passemos a admirá-lo, mas para que coloquemos nossa confiança nele. As Escrituras testemunham Cristo não para satisfazer nossa curiosidade, mas para extrair de nós uma resposta de fé.



John Stott



sábado, 12 de outubro de 2019

sábado, 30 de março de 2019

Fé sólida.

Pessimismo e otimismo são enfermidades da alma. Ambos trazem prejuízo e não poucos frustrações. O pessimismo perde oportunidades porque desconfia de tudo e de todos. O otimista envolve-se em muitas situações impróprias porque se precipita e recusa ponderação mais aprofundada. Pessimistas precisam abrir-se para Deus e Suas infinitas possibilidades. Otimistas precisam submeter-se a Deus em Sua soberania. Pessimistas e otimistas precisam render-se à visão cristã da vida e do mundo. Como ecreveu Jürgen Moltmann: "Quem crê em Deus não é um otimista. Ele não precisa do pensamento positivo. Quem crê em Deus não é pessimista. Ele não precisa da lógica da dialética negativa. Quem confia em Deus sabe que Deus aguarda por ele, que ele está convidado para o futuro de Deus e tem em suas mãos, com isso,o mais maravilhoso convite de sua vida". Há uma confiança na fé que que o pessimista não pode rejeitar. Há um realismo que o otimista não pode recusar.

Uma das melhores ilustrações da visão cristã do mundo vem do Antigo Testamento. Trata-se da atitude dos amigos de Daniel ante as ameaças do rei Nabucodonosor: "se,ao som dos instrumentos, vocês não se prostarem diante da imagem que criei, os lançarei na fornalha sete vezes aquecida; e quero ver quem é o Deus que irá livrá-los de minhas mãos" (conforme Daniel 3.15). Pessimistas se desesperariam. Otimistas negariam qualquer possibilidade de tragédia. Mas os jovens responderam: "fiquem sabendo,ó rei,que se o nosso Deus, a quem servimos, quiser nos livrar, Ele nos livrará. Se não quiser, ainda assim não nos prostraremos diante de sua imagem!" O final dessa história conhecemos bem.

Enfim, contra toda tendência de uma vida que oscile entre os extremos do pessimismo e do otimismo, a fé firme e sólida nas palavras de Jesus: "no mundo vocês terão aflições(nada otimista), mas tenham bom ânimo- eu venci o mundo! (nada pessimista).Assim seja!


Marcelo Gomes



sábado, 16 de fevereiro de 2019

"Ele" nos mostrou.


Esforços humanos são inócuos quando desacompanhados do favor divino. Este, por sua vez, independe daqueles. Prescinde deles. Ensina que há uma sabedoria no descanso que falta à ansiedade. Ensina que há momentos nos quais entregar no altar celestial nossos anseios e desejos é melhor que fazer "das tripas, coração" para realizá-los. É preciso abrir mão para receber, perder para ganhar, renunciar para ter, como mostrou-nos o próprio Senhor Jesus.


Marcelo Gomes



sábado, 1 de dezembro de 2018

...

"Combato o bom combate da fé. Tomo posse da vida eterna, para o qual eu fui chamado e faço uma boa confissão na presença de muitas testemunhas."

Jair Tomaz



sábado, 3 de novembro de 2018

O objeto da fé...

... é tudo aquilo em que cremos. Para os cristãos evangélicos, isso engloba tudo que Deus revelou na Bíblia. Esse objeto de fé é expresso por proposições que nos permitem entrever não a fé, mas o objeto da fé. Os atos litúrgicos e morais, por exemplo, são proposições que exprimem em que cremos. Entretanto, não são os objetos derradeiros da fé, são apenas objetos secundários. O objeto derradeiro da fé é apenas um: a Palavra de Deus, o próprio Deus. As proposições são o "mapa", a estrutura da fé. Deus é o objeto real da fé e também o Autor da fé - o que revela as doutrinas objetiva em que cremos, bem como Aquele que inspira o coração do ser humano que escolhe livremente acreditar nelas.

É errado parar no nível das proposições e não deixar nossa fé alcançar o Deus vivo, bem como denegrir as proposições, considerando-as dispensáveis ou até mesmo nocivas à fé viva. Sem um relacionamento real com o Deus vivo, as proposições são inúteis, porque o objeto delas é apontar para além de si e revelar Deus. ("Um dedo é útil para apontar para a lua, mas ai daquele que confunde o dedo com a "lua", diz um sábio provérbio). Entretanto, sem as proposições, não podemos permitir que outros vislumbrem o Deus em quem acreditamos e o que cremos a respeito dele.

Manual de Defesa da Fé.

sábado, 27 de outubro de 2018

Crônica de um desastre anunciado.

A impossibilidade teológica da utopia humana.
Todo texto tem que estar em seu contexto, sob pena de ser contrário a teologia cristã e anti-bíblico. Crença é pessoal, todos somos livres para crer em qualquer coisa, seja na ciência, no horóscopo, na leitura de mãos, no espiritismo, etc., etc., mas a crença ter que ter um fundamento, uma base para se apoiar, caso contrário você crê é em si mesmo. Por exemplo, o horóscopo começou com pessoas que, na falta de contato com Deus (após a queda) passaram a acreditar que os astros eram uma forma de divindade e portanto interfeririam em nossas vidas. O espiritismo veio de uma pessoa que falou com um "espírito guia" que explicou como era a ligação e influência do mundo espiritual (demônios que aproveitaram a falta de Deus na vida da pessoa).
Eu creio no deus judaico-cristão que tudo criou, que enviou seu filho Jesus para nos salvar, remir e redimir. Esse Deus deixou uma maneira do homem o conhecer e relacionar-se com Ele, a Bíblia. A partir daqui temos alguns desdobramentos: 
  •  é possível crer em outro deus? Sim, como já coloquei é possível cer no que quiser, já ter uma fundamentação mínima é outra coisa.
  • é possível crer só em parte  da Bíblia? Com coerência não! Citando Agostinho: "Se você crê somente naquilo que gosta no evangelho e rejeita o que não gosta, não é no evangelho que você crê, mas, sim, em si mesmo."
Qual a fundamentação do cristão? A Bíblia, toda, evidentemente texto dentro do contexto. Ora, ou eu creio na Bíblia toda ou em nada, afinal o contrário é ilógico, incoerente (interna e externa), contra fundamentos teológicos, históricos... contrário a vontade de Deus expressa na Bíblia.
Caminhemos mais um pouco.                                                                           A base do cristianismo é a Bíblia, a base da salvação é o Jesus encarnado (homem e Deus), que passou pelo que nós passamos, viveu a vida dentro da vontade de Deus Pai, pregou as boas novas, morreu crucificado em nosso lugar, ressuscitou ao terceiro dia, viveu mais 40 dias, apareceu a mais de 500 pessoas, ascendeu aos céus (com o corpo físico) e está a direita do Pai (direita significava posição de autoridade reconhecida). Bem, se eu não creio na Bíblia, qual o fundamento para que eu diga que sou cristão? Nenhum.                                                                                                                            
  •  Ok Jair, mas eu creio que Deus deixou uma alegoria, no caso a Bíblia, como exemplo de como alcançar a salvação.
Deus é perfeito, onisciente, onipresente, onipotente, portanto não mente. Baseado nessa constatação e, somado os outros vários fatores como história, antropologia, arqueologia, etc., etc., que validam a Bíblia (tanto Antigo Testamento como o Novo testamento) e a existência de Jesus (e o que ele disse ser), a posição de crer na Bíblia como alegoria deixada por Deus não tem o menor fundamento ou sentido. Tentemos de novo:
  •  Eu só creio no Novo Testamento.
O raciocínio é o mesmo: se Jesus existiu, ou era louco ou era o filho de Deus. Não há outra alternativa (assunto para outro texto). Se Jesus era Deus Filho, não mentiria, e Jesus não só confirmou o Antigo Testamento como disse que Ele (Jesus) veio para tirar o fardo da "lei", isto é, Jesus nos salva, nos cura, nos capacita a amá-lo e através desse amor nos capacita a fazer a vontade dEle. Portanto não há a menor possibilidade de se dizer cristão e não crer na Bíblia, como também não é possível crer só em parte. A Bíblia afirma isso. Só Jesus salva, só Jesus nos transforma,  só Jesus nos capacita a amá-lo e a fazer a vontade dEle por amor, fazer o que é necessário... tudo vem DELE, por Ele, para Ele.

Jair Tomaz - olheparaacruz@hotmail.com 

sábado, 30 de junho de 2018

Ato de fé




É infrutífero falar da contraposição entre razão e a fé.


A razão é ela mesma uma questão de fé.


É um ato de fé asseverar que nossos pensamentos têm alguma relação com a realidade.




Gilbert Keith (G. K.) Chesterton





domingo, 16 de abril de 2017

Páscoa



Celebre a Páscoa e agradeça a Deus pelo sangue de Jesus derramado por nós.


Uma noite antes de entregar a vida para expiar os pecados da humanidade, Jesus celebrou a Páscoa com os seus discípulos. Chegara o dia em que o Cordeiro deveria ser morto. Cristo então enviou Pedro e João a fim de que fizessem os preparativos e assim pudessem comemorar juntos.
Os discípulos, seguindo a instrução de Jesus, prepararam a refeição. Depois que todos já se haviam postado ao redor da mesa, Jesus, sabendo que em poucas horas ia ser torturado e morto, declarou: “Desejei ansiosamente comer esta Páscoa com vocês antes de sofrer. Pois eu lhes digo: Não comerei dela novamente até que se cumpra no Reino de Deus” (Lc 22. 15,16).
Enquanto comiam, Jesus pegou o pão, deu graças, partiu-o e o entregou aos discípulos, dizendo: “Isto é o meu corpo dado em favor de vocês; façam isto em memória de mim” (v. 19).
Então tomou o cálice nas mãos e explicou: “Este cálice é a nova aliança no meu sangue, derramado em favor de vocês” (v. 20).
Foi um momento maravilhoso na celebração daquela festa tão importante. Em poucas horas Jesus se tornaria o Cordeiro imaculado do sacrifício, morto para remover os pecados da humanidade!
Deus determinou que a Festa da Páscoa seja celebrada para sempre, por todas as gerações, começando com Moisés e os filhos de Israel: “Estas são as festas fixas do SENHOR, as reuniões sagradas que vocês proclamarão no tempo devido: a Páscoa do SENHOR, que começa no entardecer do décimo quarto dia o primeiro mês” (Lv 23. 4,5). E também: “Este dia será um memorial que vocês e todos os seus descendentes celebrarão como festa ao SENHOR. Celebrem-no como decreto perpétuo” (Ex 12. 14).
Deus enfatizou que essas eram as suas festas e se referiu à Páscoa como a “Páscoa do Senhor”. Os filhos de Israel iniciavam o ano com essa festividade, realizando-a no décimo quarto dia do primeiro mês, durante a primeira colheita da cevada, o que corresponde ao mês de abril em nosso calendário.
O propósito de Deus ao estabelecer essa festa era lembrar a todos a libertação sobrenatural de Israel do cativeiro e o cordeiro do sacrifício, que os protegera do anjo da morte, quando este veio matar os primogênitos dos egípcios.
A Páscoa deveria ser um tempo de regozijo e celebração. O termo “Páscoa” vem do hebraico pessach e significa “passar por cima”, uma alusão a passagem do anjo da morte sobre as casas ungidas com sangue.
Para relembrar a libertação do cativeiro, no décimo dia do mês, cada família selecionava um cordeiro, um para cada casa. O animal tinha de ser macho de um ano e não podia ter defeitos (Êx 12. 3,5,6).
No décimo quarto dia, o chefe de cada casa matava o cordeiro e o apresentava ao sacerdote, que aspergia o sangue do animal sobre o altar. O sangue também era borrifado, com um ramo de hissopo, na verga e nos umbrais da porta de entrada da casa do ofertante.
Na mesma noite, todos os familiares se reuniam e comiam a Páscoa. O cordeiro era assado, e eles o comiam com pão sem fermento e ervas amargas. Antes e depois da refeição, os israelitas cantavam o hallel: iniciavam entoando os Salmos 103 e 104 e terminavam cantando os Salmos 105 a 108.
Foi essa mesma refeição que Jesus celebrou com seus discípulos. Ao tomar o pão, dar graças e distribuí-los aos discípulos, estava se identificando com o holocausto. Ao passar-lhes o cálice de vinho, informou-lhes de que o seu sangue seria derramado para purificar a humanidade do pecado.
Jesus declarou aos discípulos: “Desejei ansiosamente comer esta Páscoa com vocês antes de sofrer” (Lc 22.15). Ele era o Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo (Ap 13.8). Muito antes que a terra fosse tomada, Ele estava aguardando esse dia, em que ia entregar a própria vida em sacrifício.
Por meio de sua morte, Jesus cumpriu a Páscoa. Como Cordeiro de Deus, foi morto, e o seu sangue foi derramado para nos redimir dos pecados. “Ele foi oprimido e afligido; e, contudo, não abriu a sua boca; como um cordeiro foi levado para o matadouro, e como uma ovelha que diante de seus tosquiadores fica calada, ele não abriu a sua boca” (Is 53.7).
O sangue do cordeiro colocado nos umbrais da porta protegeu os israelitas do anjo da morte, pois foi esse o meio que Deus usou para livrá-los do cativeiro egípcio.
O sangue de Cristo derramado na cruz e aspergido sobre a nossa vida nos purifica do pecado e nos livra da escravidão de Satanás e da morte eterna. O sangue de Cristo é a base para nossa libertação.
Não somos mais escravos do pecado, e sim filhos de Deus! Não temos mais de permanecer presos à doença, às moléstias ou à pobreza. Já fomos libertos! O sangue do Cordeiro imaculado de Deus nos libertou! Estamos livres do pecado e de suas consequências. Deus já concedeu a provisão plena para suprir todas as nossas necessidades!
A vontade de Deus é que guardemos a Páscoa. Paulo recomenda aos coríntios: “Livrem-se do fermento velho, para que sejam massa nova e sem fermento, como realmente são. Pois Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi sacrificado. Por isso, celebremos a festa, não com fermento da maldade e da perversidade, mas com os pães sem fermento, os pães da sinceridade e da verdade” (1Co 5.7,8).
O apóstolo recomendou que “celebremos a festa”, mas como fazer isso?
Jesus declarou: “Façam isto em memória de mim” (Lc 22.19). participar da Ceia do Senhor é mais que cumprir ordenança. Guardamos a festa da Páscoa aspergindo o sangue em nossa vida, pela fé. CRISTO É O NOSSO CORDEIRO PASCAL SACRIFICADO EM NOSSO LUGAR!
O “fermento velho” ao qual Paulo se refere é o pecado.
O pão sem fermento, comido durante a refeição da Páscoa com o cordeiro assado, representava a vida pura e sem pecado de Cristo. Era feito com farinha fina e assado em forma de panqueca. Durante a festa, não podia haver nenhum tipo de fermento na casa dos israelitas. Os filhos de Israel faziam uma inspeção rigorosa na despensa para ter a certeza de que não havia mais vestígio de fermento na casa.
Sabendo que o sangue de Cristo nos libertou completamente da escravidão de Satanás, devemos purificar-nos de todo o pecado. O “fermento” da maldade e da perversidade deve ser lançado fora. Da mesma forma em que não podia haver fermento na casa dos israelitas durante a Páscoa, devemos consagrar-nos a Deus e anular as obras da carne.
Assim como os israelitas comeram o cordeiro pascal e receberam força e suprimento para a sua jornada após a libertação do cativeiro do Egito, devemos buscar o nosso alimento espiritual e a nossa força – enfim, toda a nossa vida – na comunhão com o Senhor.
Guardamos a Páscoa tomando posse, pela fé, das provisões divinas: salvação, libertação, cura, força, sabedoria e tudo o mais que Ele reservou para nós!



Bíblia de Estudo – Editora Central Gospel – págs. 1329 e 1330 


sábado, 18 de fevereiro de 2017

Como devemos lidar com as questões não resolvidas sobre a Bíblia?






Como Deus é verdadeiro e honesto, podemos esperar que a sua autorrevelação escrita (nos manuscritos originais) seja verdadeira, em tudo o que afirma. Mas nem tudo nas Escrituras é perfeitamente claro. O apóstolo Pedro admitiu que os textos de Paulo são de difícil entendimento, em algumas passagens (2 Pe 3.15, 16). Além do material teológico sofisticado, existem a distância histórica e as diferenças culturais, entre o mundo bíblico e o nosso. O que era aparente para Israel e para a igreja primitiva pode parecer menos claro hoje em dia para nós. Mas falta de clareza não significa discrepância.

Alguns críticos citam inúmeras “contradições” que,na realidade, são solucionáveis, com o exame dos textos. Como a Bíblia é, ao mesmo tempo, uma obra de inspiração divina redigida por mãos humanas, podem esperar (1) que nela sejam expressos diferentes estilos de escrita e diferentes personalidades, e (2) o uso de registros ou documentos anteriores e materiais de autores externos à Bíblia (cf. Js 10.13; 1 e 2 Cr; Lc 1.1-4). Nós não devemos exigir que os autores bíblicos citem passagens do Antigo testamento literalmente; eles poderiam generalizar ou resumir, sem ser precisos (por exemplo, o que foi dito no batismo de Jesus; a confissão que Pedro fez de Jesus; os dizeres afixados sobre a cruz de Jesus).

Ao descobrir passagens mais desafiadoras, no entanto, como devemos proceder?



Esclarecer uma passagem, examinando o seu contexto ou usando passagens claras para examinar a que parece confusa. O contexto revela que “justificar” e “obras” em Tiago 2 significam algo diferente do que significam em Romanos 3. Além disto, o ensinamento das epístolas do Novo testamento pode nos ajudar a distinguir entre descrições históricas no livro de Atos e o que é normativo para a vida na igreja,

A ausência de evidência não é evidência de ausência. Os céticos podem mencionar cidades bíblicas que ainda não foram descobertas (embora muitas tenham sido!), concluindo que as Escrituras não são confiáveis. Mas acusações anteriores de ausência de evidência, a respeito dos camelos de Abraão, do povo heteu ou da dinastia de Davi foram revertidas por descobertas arqueológicas posteriores, que confirmam as Escrituras.


Ser caridosos com amor. Vejamos um exemplo. Provérbios 26.4, 5 aconselha a (1) não responder ao tolo segundo a sua estultícia, e, em seguida, (2) a responder a ele! A acusação dos céticos de “estupidez” ou “contradição” não é realista. Certamente devemos conceder o benefício da dúvida ao sábio compilador do livro de provérbios: ele reconheceu que, às vezes, responder a um tolo é apropriado e que, em outras ocasiões, o silêncio é a melhor escolha.
O que a Bíblia descreve frequentemente é diferente do que ela prescreve. Outro exemplo: quando as Escrituras mencionam o voto impensado de Jefté (Jz 11), esse voto não é endossado por Deus.


O autor pode estar usando uma estratégia literária, explicando um detalhe teológico em particular, ou apenas fazendo uma observação; a precisão jornalística nem sempre é a sua preocupação. Mateus 8 e 9 intencionalmente agrupam milagres, não cronologicamente. Mateus enfatiza a importância de Pedro, minimizando, deste modo, as suas tolices, mencionadas em outros Evangelhos.Os dois “grande luminares” de Gênesis 1, ou seja, o sol e a lua, são luzes relativamente pequenas, se comparadas a outros corpos conhecidos hoje no universo, mas a referência da Bíblia é observacional, e não científica (cf. “por do sol”, e não “a rotação da terra”).


Teremos que nos contentar por conviver com perguntas não respondidas. Embora haja muitos excelentes comentaristas e estudiosos evangélicos lidando com as perguntas e dúvidas que possamos ter, muitas coisas não serão totalmente esclarecidas. Agora vemos por espelhos em enigma.


Paul Copan


 

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Alimento.


"Alimente seus medos, e sua fé morrerá de fome. Alimente sua fé, e seus medos é que morrerão."

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

O que é certo...

Fé não é crer que Deus vai fazer aquilo que você quer. Fé é crer que Deus vai fazer o que é certo.

terça-feira, 17 de maio de 2016

...para que em tudo em Ti confie...



Guia-me pra que em tudo em Ti confie...

Sobre as águas eu caminhe...


Por onde quer que chames...


Leva-me mais fundo do que já estive...

E minha fé será mais firme Senhor, em tua presença!


(da música Oceanos)

 

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

A fé cristã como irracional?


Como vimos, a análise que Dawkins faz da fé é altamente simplista e não leva em conta o modo como as palavras são usadas em contextos religiosos. Ludwig Wittgenstein levantou o ponto incontestável de que as palavras são usadas com significados deferentes em contextos deferentes. Para Wittgenstein, a Lebensform ("forma de vida") dentro da qual uma palavra é usada possui importância decisiva para estabelecer o seu significado. Conforme Wittgenstein mostrou, precisamente a mesma palavra pode ser usada num grande número de contextos, com significados diferentes em cada um.





Um modo de contornar esse problema poderia ser inventar um vocabulário totalmente novo, no qual o significado de cada palavra fosse definido de modo firme e inequívoco. Mas essa não é uma opção real. As línguas são entidades vivas e não não podem ser forçadas a se comportar de um modo artificial.


Uma abordagem perfeitamente aceitável, de acordo com Wittgenstein, é se dar ao trabalho de definir o sentido específico pelo qual uma palavra deveria ser entendida, para se evitar confusão com os seus muitos outros sentidos. Isso envolve um estudo cuidadoso de suas associações e uso na "forma de vida" à qual ela se relaciona. Em vez de assumir cega e ingenuamente que uma palavra que significa uma coisa numa dada situação signifique precisamente o mesmo em outra, é universalmente aceito que precisamos tomar muito cuidado ao estabelecer como palavras são usadas em cada contexto, e os significados que carregam.


Esse tópico deveria ser familiar a qualquer cientista competente, bastante acostumado a usar na vida cotidiana as palavras num certo sentido e, num sentido mais preciso, restrito, dentro de uma cultura de laboratório. Trabalhei durante vários anos, no final da década de 1970, no grupo de pesquisa do professor Sir George Radda, no departamento de bioquímica da Universidade de Oxford. Todas as manhãs, às onze horas, reuníamo-nos para um café em torno de um antigo fogão. Quando alguém pedia ao vizinho "passe o açúcar", o que a pessoa pedia de fato era a substância química conhecida como "sacarose" ou, mais precisamente: [2-0-(alpha-D-glucopyranosyl)-beta-D-fructofuranoside]. Já nas ciências naturais, o termo "açucar" representa uma classe muito ampla de substâncias de açucar (sacarose), leite (lactose) e várias frutas (frutose). Todos variando enormemente em graus de "doçura". Por exemplo, a lactose tem apenas 16% da doçura da sacarose.

O "açucar" do mundo cotidiano é, portanto, uma forma de fato muito específica da categoria científica mais geral do açúcar - especificamente, um 1,2'-glicosídeo. Essa simples diferença de vocabulário pode causar imensa confusão, especialmente em relação aos problemas de saúde que surgem do consumo da sacarose. Poderia até levar alguém a colocar lactose em seu café. Precisaríamos de uma quantidade seis vezes maior de lactose em nosso café para alcançar o mesmo grau de doçura da sacarose. Todos que estavam reunidos para o café sabiam que as palavras estavam sendo usadas com significados diferentes em contextos diferentes, e percebiam a distinção entre eles.

Ora, não há um problema aqui. A pessoa se acostuma a viver em mundos diferentes e ser sensível às suas sutis diferenças lingüísticas. Ela percebe que as palavras significam coisas diferentes dentro de comunidades diferentes. Os que estão de fora podem considerar um problema essas diferenças sutis, e muitas vezes não entender por que as diferentes linguagens de diferentes comunidades existem. Não se trata de nenhuma questão de desonestidade, como se alguém estivesse tentando enganar as pessoas usando essas formas específicas de linguagem. Elas evoluem naturalmente, em resposta às necessidades profissionais e diferentes tarefas das comunidades envolvidas. É uma questão de simplesmente se tornar bilíngue, e sensível aos diferentes significados das palavras nos diversos contextos. Significa estar preparado para perguntar às pessoas: "O que você quer dizer quando usa esta palavra?" e preparar-se para aceitar que o uso que elas fazem daquela palavra pode não ser idêntico ao uso que você faz da palavra - o que não significa que as pessoas estejam erradas, e você certo. Caso contrário, a comunicação através das fronteiras disciplinares se tornaria impossível. Os cientistas usam a linguagem de um modo que difere do uso comum; assim também fazem os teólogos. A primeira fase em qualquer tentativa de se engajar numa disciplina é entender o uso que ela faz da linguagem.

Dawkins, de forma correta, fez uma crítica mordaz à filósofa Mary Midgley por ela criticar a sua hipótese do "gene egoísta" sem qualquer consciência de como os cientistas usavam a linguagem. As palavras de Dawkins merecem ser citadas:

"Midgley] parece não entender o uso que a biologia ou os biólogos
fazem da linguagem. Sem dúvida minha ignorância ficaria da mesma maneira óbvia se me lançasse precipitadamente ao campo em que ela é perita, mas então eu adotaria um tom mais modesto. Como ambos estamos em meu terreno, é difícil não considerar isso uma grosseria."

Mas, esse não é o mesmo Richard Dawkins que, nada sabendo sobre teologia cristã, se lança precipitadamente no campo, e diz aos teólogos o que eles realmente querem dizer ao usarem sua própria linguagem? Ou que eles de fato querem dizer "confiança cega" quando falam de "fé?" Há uma total falha por parte de Dawkins até mesmo para começar a entender, na linguagem da teologia cristã, o que ela significa. Na verdade, é muito difícil considerar com algum grau de seriedade os julgamentos que faz das alegadas falhas na linguagem teológica.

Vamos tentar ser mais diretos neste momento. Como um teólogo histórico profissional, não hesito em afirmar que a tradição cristã clássica sempre valorizou a racionalidade, não defendendo que a fé envolva o completo abandono da razão ou a crença contra a evidência. Na verdade, a tradição cristã é tão consistente nessa questão que é difícil entender de onde Dawkins tirou a idéia de fé como "confiança cega". Até mesmo uma leitura superficial das obras dos grandes filósofos cristãos como Richard Swinburne (Universidade de Oxford), Nicolas Wolterstorff (Universidade de Yale), e Alvin Plantinga (Universidade de Notre Dame) revelaria um fervoroso compromisso com a questão de como alguém poderia fazer declarações "seguras" ou "coerentes" a respeito de Deus. Não existe a questão confiança cega. A questão é como se poderia fazer um juizo embasado, racional e defensável da questão sobre Deus, quando a evidência é tão ambivalente.

Ora, talvez Dawkins esteja tão ocupado escrevendo livros contra religião que não tenha tempo de ler as obras de religião. Nas raras ocasiões em que cita os teólogos clássicos, tende a fazê-lo de segunda mão, muitas vezes com resultados assustadores. por exemplo, Dawkins elege o escritor cristão Tertuliano (c. 160 - c. 225) para fazer um comentário particularmente acerbo, por conta de duas citações de seus escritos: "É certo porque é impossível" e "sem dúvida creio porque é absurdo". Dawkins tem pouco tempo para tal tipo de tolice. "Esse é o caminho da loucura".

Na visão dele, a abordagem de Tertuliano - como comprovada por essas citações isoladas - é exatamente como a da Rainha Branca em Através do Espelho, de Lewis Carroll, que teimava em acreditar em seis coisas impossíveis antes do café da manhã. Como essa referência desprezível a Tertuliano é uma das poucas ocasiões em que Dawkins emprega representantes sérios da tradição teológica cristã, proponho tomar seus comentários com seriedade e verificar para onde nos levam. Eles poderiam nos dizer algo sobre Tertuliano, até mesmo sobre o cristianismo, ou, então, mais uma vez, sobre o próprio Dawkins.

Tertuliano nunca escreveu as palavras "sem dúvida creio porque é absurdo". Essa citação deturpada é muitas vezes atribuída a ele em textos menores. Mas é uma atribuição indevida e assim tem sido tratada por muitos. Portanto, no mínimo podemos pressupor com certa razão que Dawkins não leu diretamente Tertuliano, mas tirou essa citação de uma duvidosa fonte secundária. Isso poderia nos dizer algo sobre quão seguros são seus julgamentos sobre estas questões.

No entanto, Tertuliano escreveu as palavras "é certo porque é impossível". Porém o contexto deixa claro que, em nenhum momento, está argumentando em defesa de uma "fé cega". Eis a passagem completa, primeiro em latim:

Crucifixus est dei filius; non pudet, quia pudent est.
Et mortuus est dei filius; credibile prorsus est, quia ineptum est.
Et sepultus resurrexit; certum est, quia impossibile.

O Filho de Deus foi crucificado: não me envergonho, porque é vergonhoso.

O Filho de Deus morreu: á absolutamente crível, porque é torpe.
Ele foi sepultado, e se levantou novamente: é certo, porque é impossível.

Nessa passagem, ao contrário do que Dawkins acredita, Tertuliano não está discutindo a relação entre fé e razão, ou a base evidencial do cristianismo. Lendo a passagem no contexto, imediatamente é eliminada qualquer idéia desse tipo. Sabe-se desde 1916 que, nessa passagem, Tertuliano está lidando com algumas idéias de Aristóteles. James Moffat, que demonstrou a relação, nota o aparente absurdo das palavras de Tertuliano:

Este é um dos paradoxos mais desafiantes em Tertuliano, uma das sentenças vivas, reveladoras, nas quais não hesita em destruir o sentido das palavras para fazer a sua observação. Ele exagera deliberadamente para chamar a atenção para a verdade que quer transmitir. A frase é muitas vezes citada de forma errônea, e muito frequentemente é considerada como cristalização de um preconceito irracional em sua mente, como se ele desprezasse e desdenhasse a inteligência na religião - uma suposição que não sobreviverá a uma comparação em primeira mão com os escritos do pai africano.

A questão é que o evangelho cristão é, naquele momento, profundamente contracultural e contra-intuitivo. Assim, por que alguém iria querer ajustá-lo, quando é tão obviamente improvável, a tais padrões de sabedoria? Tertuliano, então, parodia uma passagem da Retórica de Aristóteles, a qual argumenta que uma afirmação extraordinária poderia muito bem ser verdadeira, precisamente pelo fato de ser tão fora do comum. O que com certeza devia ser uma piada retórica para os que conheciam Aristóteles.

Mas esse é apenas um de toda uma série de argumentos que Tertuliano apresenta nesse momento, e é grotescamente inexato determinar toda a sua atitude em relação à racionalidade com base em uma única e isolada frase. A atitude de Tertuliano a respeito da razão está definitivamente resumida na seguinte citação:

Porque a razão é uma propriedade de Deus, visto que não existe nada que Deus, o criador de todas as coisas, não previu, organizou e determinou através da razão. Além disso, não existe nada que Deus não deseje que seja investigado e entendido pela razão.

No final das contas o que importa é que não existe limite para o que pode ser "investigado e entendido pela razão". O mesmo Deus que criou a humanidade com a capacidade de raciocinar espera que a razão possa ser usada na investigação e representação do mundo. Sendo que a maioria dos teólogos cristãos faz hoje, como fez no passado. Com certeza há exceções. Mas Dawkins parece preferir tratar as exceções como se fossem a regra, não oferecendo qualquer evidência em defesa dessa conclusão altamente questionável.

As visões de Dawkins sobre a natureza da fé deveriam muito bem ser consideradas como um embaraço a qualquer um envolvido com a precisão acadêmica. Algo que não contribui em nada para a sua credibilidade, em especial suas ocasionais declarações em tom de sermão, por exemplo: "Como amante da verdade, suspeito de crenças defendidas com vigor que não sejam sustentadas pela evidência". Então, vamos apenas estipular um limite para esse nonsense e passar para algo mais interessante.


O Deus de Dawkins - Alister McGrath - págs.121 a 127


quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

O caráter de Deus



Há algumas impressões sobre a fé cristã que se tornaram amplamente disseminadas no imaginário dos não-cristão, em certa medida por responsabilidade de uma boa parcela dos próprios cristãos, atráves da promoção de determinadas teologias que se tornaram mais populares ou mais acessíveis, mas que em uma análise minimamente atenta, não encontram o necessário respaldo bíblico de sustentação.

Destaca-se nesse contexto a noção de que Deus é um agente a ser acionado pela fé para atender às demandas dos homens bons sempre que solicitado. Deus aí é quase um gênio da lâmpada a atender desejos. Se Deus não agiu, foi porque a fé da pessoa não atingiu o nível satisfatório para movê-lo de sua posição de mero observador para a de distribuidor de bênçãos.
Por conta disso, surgem também justificativas necessárias para quando o "truque" falha, quando o resultado esperado não é alcançado: Foi falta de fé, foi castigo.


É facilmente perceptível, simplesmente ao ler a Bíblia, o quanto esta "mágica" está distante do discurso bíblico. Sim, porque é algo mais perto da feitiçaria, que busca dominar as forças naturais e sobrenaturais para conseguir alcançar objetivos. Basta observar as palavras do próprio Jesus, às portas da crucificação: "...se possível afasta de mim este cálice, mas que seja feita a SUA vontade" (Mc. 14:36Lc 22:42), ou quando o apóstolo Paulo fala sobre o tal do espinho na carne com o qual ele se debatia e sobre o qual disse "...acerca do qual três vezes orei ao Senhor para que se desviasse de mim. e disse-me: A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza." (II Cor.12:9).

São apenas dois exemplos de casos em que um pedido não foi atendido e não podemos dizer que houve falta de fé.


É verdade que a Bíblia está repleta também de passagens que falam coisas como "...se tiverdes fé e não duvidardes..."ou"...tudo o que pedirdes na oração, crendo, o recebereis..."

Porém, algo importante é deixado de lado, que é mencionado em outro trecho: "Pedis, e não recebeis, porque pedis mal, para o gastardes em vossos deleites." (Tiago 4:3).
Quer dizer, a prática da fé, pressupôe tb uma sintonia com a vontade de Deus. Deus não pode e não vai entrar em contradição consigo mesmo para satisfazer as mais loucas expectativas que um ser humano é capaz de ter.

É verdade também que, por experiência própria, todos nós poderemos nos lembrar de algo não atendido por Deus, que aos nossos olhos estaria longe de ser algo fútil, ou desnecessário. Porém, o ponto aqui é que o relacionamento com Deus, conforme proposto na escritura, vai muito além de uma experiência baseada no pedir e receber, mas em um vínculo crescente de confiança e sintonia com o caráter pessoal deste Deus.


Por isso, também, temos que ter cuidado com explicações simplórias que dizem que Deus não deu por falta de fé, ou por castigo. A Bíblia diz sobre o caráter de Deus: "...para que sejais filhos do Pai que está nos céus; porque faz que o seu sol se levante sobre maus e bons e a chuva desça sobre justos e injustos." (Mateus 5:45).  Deus, portanto, pode muito bem estar proporcionando coisas boas para quem não merece, não para endossar o que estas pessoas fazem, mas justamente para esta pessoa, quem sabe, finalmente ter um vislumbre da bondade divina ou talvez alguns anos mais para que repense alguns de seus valores.
Nesse contexto, a fé à luz da Bíblia, deixa portanto de ter aquele estereótipo de ser um poder de mover objetos, ou de pensamento positivo, uma coisa quase mágica para fazer "Deus trabalhar para nós" e se torna algo totalmente consistente com confiança que se tem no caráter desse Deus. É a certeza do controle e das melhores intenções dele em tudo, apesar de tudo e apesar das aparências.

Como em uma ilustração que me ocorreu certa vez, sobre a fé no caráter de Deus:
"A fé não é o que te faz colocar a família no carro e ir à praia

num dia de chuva, na certeza de encontrar o Sol por lá.
Fé é o que te dá a certeza de que o mau tempo não será
suficiente para estragar o momento que Deus preparou para você ali."

Confiar no caráter de Deus é mais do que uma busca por realizar desejos e se livrar de incômodos existenciais. Confiar no caráter de Deus é acreditar em um Deus que se relaciona de forma prática e contínua com o homem. É acreditar que Deus tem prazer em atender os anseios do coração humano, mas que também é soberano na sua vontade e esta soberania se manifesta no que é o melhor para nós, que Ele nunca irá nos deixar em falta, nunca irá nos trair e nunca irá nos decepcionar.

"Conheçamos e prossigamos em conhecer o SENHOR". (Oséias 6.3).

Fonte: texto publicado originalmente no site http://razaoparacrer.blogspot.com.br, em 20 de janeiro de 2013, por Hamilton Furtado.