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quarta-feira, 28 de março de 2012

Não são bem nossas ações...




Como os raios de uma roda

   Não são bem as nossas ações que preocupam Deus. O que lhe importa mais é que nos tornemos criaturas de um certo tipo ou qualidade - precisamente aquele tipo de criatura que ele pretendeu que nós fôssemos. Ele pretendeu que fôssemos criaturas que se relacionassem com Ele de uma determinada maneira. Não acrescento a isso "que se relacionassem umas com as outras de determinada forma", porque isso já está implícito; se você estiver bem com Ele, provavelmente estará bem com todas as criaturas com quem você se relaciona, da mesma forma que os raios de uma roda de bicicleta,quando encaixados da maneira correta entre o cubo e o aro, estão todos na posição certa uns em relação aos outros. Enquanto uma pessoa imaginar Deus como um examinador, incumbido da tarefa de aplicar um teste, ou em contrapartida de uma espécie de barganha - enquanto ela pensar na sua relação com Deus em termos de lucro e reivindicação de lucro -, estará longe de ter a relação certa com ele. Essa pessoa não terá entendido quem ela é nem quem é Deus. E jamais conseguirá ter a relação certa, enquanto não descobrir que somos falidos.
   Quando eu me refiro a essa "descoberta", quero dizer uma verdadeira descoberta; não algo mecânico. É claro que qualquer criança, desde que tenha recebido alguma educação religiosa, logo aprenderá que não temos nada a oferecer a Deus que já não seja dele e que mesmo isso não somos capazes de oferecer sem guardamos algo para nós. Mas a verdadeira descoberta de que estou falando é a de se chegar à conclusão de que essa é a mais pura verdade, por meio de uma experiência pessoal.




C S Lewis - Cristianismo Puro e Simples



segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Carta número I


 

 

CARTA Número I

 

Meu Caro Wormwood:

Prestei bastante atenção no que você disse acerca de conduzir as leituras do seu paciente, tomando cuidado para que ele assimile bastante daquele amigo materialista. Mas você não está sendo um pouquinho ingênuo nesta tarefa? Parece-me que você está se convencendo (não sei baseado em quê) que através da argumentação você pode afastá-lo da influência do Inimigo. Isso até seria aceitável, se seu paciente tivesse vivido alguns séculos atrás, pois naquele tempo os humanos ainda sabiam distinguir quando uma coisa havia sido provada ou não. E se tivesse sido, os homens a aceitavam e mudavam sua maneira de agir e de pensar, somente seguindo uma corrente de raciocínio. No entanto, devido à imprensa semanal e a armas semelhantes, alteramos bastante este contexto. Parta do princípio que sua vítima já se acostumou desde criança a ter uma dúzia de filosofias diferentes dançando em sua cabeça. Ele não usa o critério de "VERDADEIRO" ou "FALSO" para conferir cada doutrina que lhe apareça (seja do Inimigo ou nossa). Ao invés disso, ele verifica se a doutrina é "Acadêmica" ou "Prática", "Antiquada" ou "Atual", " Aceitável" ou "Cruel". O jargão e a expressão feita (e não o argumento lógico) são seus melhores aliados para mantê-lo longe da Igreja. Não perca tempo tentando levá-lo a concluir que o Materialismo seja verdadeiro (sabemos que não é). Faça-o pensar que ele é Forte, Violento ou Corajoso - ou ainda, que é a Filosofia do Futuro! Este é o tipo de coisas que lhe despertarão a atenção. Percebo que você tem intenções produtivas, mas há um problema muito grande quando tentamos persuadir o paciente a passar para nosso lado pelo emprego de argumentos e lógica: isto conduz toda a luta para o campo do Inimigo, que para azar nosso também sabe argumentar (e melhor do que nós). Por outro lado, no que diz respeito à propaganda prática (ainda que falsa) que lhe sugeri, Ele tem se mostrado por séculos bem inferior ao Nosso Pai lá de Baixo. Pela pura argumentação, você despertará o raciocínio do paciente; uma vez que a razão dele desperte, quem poderia prever o resultado? Veja que perigo! Mesmo que uma cadeia de raciocínio lógico possa ser torcida de modo a nos favorecer, isso tende a acostumar o paciente ao hábito fatal de questionar as coisas, analisando as mesmas com visão geral, e desviando-se das experiências ditas "concretas", que na verdade são apenas experiências sensíveis e imediatas. Sua maior ocupação deve ser portanto a de prender a atenção da vítima de modo a jamais se libertar da corrente do "Se eu vejo, creio!". Ensine-o chamar esta corrente "Vida Real", e jamais deixe-o perguntar a si próprio o que significa "Real". Lembre-se que ele não é puramente espírito como você. Nunca tendo sido humano (E abominável a vantagem do Inimigo neste ponto) você não percebe o quanto os humanos são escravizados à rotina. Uma vez, tive um paciente, ateu convicto, que costumava fazer pesquisas no Museu Britânico. Um dia, estando ele a ler, notei que seu pensamento esvoaçava com tendência a um caminho errado. Com efeito, o Inimigo ali estava ao seu lado, naquele momento. Antes que desse por mim, vi o meu trabalho de vinte anos começando a desmoronar. Se tivesse entrado em pânico e tentado argumentar, eu estaria irremediavelmente perdido. Mas não fui tolo a esse ponto! Recordei da parte da vítima que mais estava sob meu controle e lembrei-lhe que estava na hora de almoçar. O Inimigo acho lhe fez uma contra-sugestão (você bem sabe como é difícil acompanhar aquilo que Ele lhes diz) de que a questão que lhe surgira na mente era mais importante do que o alimento. Penso ter sido essa a técnica do Inimigo porque quando lhe disse "Basta! Isto é algo muito importante para se meditar num final de manhã...", vi que o paciente ficou satisfeito. Assim, arrisquei dizer: "E muito melhor se você voltar ao assunto depois do almoço e estudar o problema com cabeça mais fresca. Não havia acabado a frase e ele já estava no meio do caminho para a rua. Na rua, a batalha estava ganha. Mostrei-lhe um jornaleiro gritando "Olha o Jornal da Tarde", e o Ônibus No.73 que ia passando, e antes que ele tivesse dado muitos passos, eu o tinha convencido de que sejam lá quais forem as idéias extraordinárias que possam vir à mente de alguém trancado com seus livros, basta uma dose de "Vida Real" (que ele entendia como o ônibus e o jornaleiro gritando) para persuadi-lo que "Aquilo Tudo" não podia ser verdade de jeito nenhum. A vítima escapara por um fio, e anos mais tarde, gostava de se referir àquela ocasião como "senso inarticulado de realidade, que é o último salva-vidas contra as aberrações da simples lógica". Hoje, ele está seguro, na Casa de Nosso Pai. Começa a perceber ? Graças a processos que ensinamos em séculos passados, os homens acham quase impossível crer em realidades que não lhes sejam familiares, se estão diante de seus olhos fatos mais ordinários. Insista pois em lhe mostrar o lado comum das coisas. Acima de tudo, não faça qualquer tentativa de usar a Ciência (digo, a verdadeira) como defesa contra o Cristianismo. Certamente, as Ciências o encorajariam a pensar em realidades que a visão e o tato não percebem. Tem havido tristes perdas para nós entre os cientistas da Física. Se a vítima teimar em mergulhar na Ciência, faça tudo que você puder para dirigi-la para estudos econômicos e sociais, acima de tudo, não deixe que ela abandone a indispensável "Vida Real". Mas o ideal é não deixar que leia coisa alguma de Ciência alguma, e sim lhe dar a idéia de que já sabe de tudo e que tudo que ele assimila das conversas nas "rodinhas" são resultados das "descobertas mais recentes". Não se esqueça que sua função é confundir a vítima. Pela maneira como alguns de vocês, diabos inexperientes falam, poderiam até pensar (que absurdo!) que nossa função fosse ensinar!

Seu afetuoso tio,
Screwtape


 Fonte: C S Lewis - cartas do inferno

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

o peso da glória...



Posso imaginar alguém dizendo que não gosta da minha idéia de céu como um lugar em que levamos tapinhas nas costas. Por trás desse não gostar, no entanto, esconde-se um orgulhoso mal-entendido. No fim, essa Face que é o prazer ou o terror do universo deverá virar-se para cada um de nós com uma expressão ou outra, conferindo glória inexprimível ou infligindo vergonha que jamais será curada nem disfarçada. Li outro dia num periódico que o essencial é o que achamos de Deus. Pelo amor desse mesmo Deus, não é nada disso! O que Deus pensa de nós não só é mais importante, mas infinitamente mais importante. Na verdade, o que pensamos dele não tem importância alguma a não ser na medida que tenha a ver com o que Ele pensa a nosso respeito, está escrito que nós nos “apresentaremos diante” dele, mostraremos a ele, seremos inspecionados por Ele. A promessa de glória é a promessa, quase incrível e somente possível pela obra de Cristo, de que alguns de nós, qualquer um de nós que realmente escolhe, verdadeiramente sobreviverão a esse exame, encontrarão, aprovarão, agradecerão a Deus. Agradar a Deus... ser um verdadeiro ingrediente da alegria divina... ser amado por Deus, não simplesmente digno de pena, mas ser usufruído como a obra em que o artista se deleita, ou um pai no filho – isso parece impossível, é um peso da glória, ou ônus, que nossos pensamentos mal podem suportar. Mas é isso.

C S Lewis – O peso da glória – pág. 42 – editora Vida
 

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Ame o seu inimigo

                                                
                                                           


Imagino que alguém dirá: “Bem, se nos é permitido condenar os atos dos nossos inimigos, punindo e matando-os, que diferença poderá haver entre a moralidade cristã e a perspectiva comum?” Acredito que toda a diferença do mundo! Lembre: nós cristãos acreditamos que o homem viverá para sempre. Portanto, o que importa realmente são aqueles pequenos marcos ou deformações do lado de dentro da alma que se reverterão, a longo prazo, em uma criatura ou celeste ou infernal. Devemos matar, se necessário, mas não devemos jamais odiar (os inimigos) ou ter prazer em odiá-los. Devemos punir, se necessário, mas não devemos sentir prazer em fazê-lo. Em outras palavras, o que é preciso matar é algo que está dentro de nós: a mágoa e o ressentimento, o desejo de querer conquistar-se a si mesmo de volta. Não quero dizer que algum de nós seja capaz de decidir, de uma hora para a outra, que nunca mais sentirá isso. Não é assim que as coisas acontecem. O que eu quero dizer é que, toda vez que isso nos passar pela cabeça, dia após dia, ano após ano, por toda a nossa vida, é preciso que façamos o que é certo. Trata-se de um trabalho pesado, mas a tentativa não é impossível. Mesmo quando matamos e punimos, temos que nos empenhar em ter o mesmo sentimento pelo inimigo que temos por nós mesmo – temos que torcer para que ele deixe de ser mau; esperar que ele seja curado quer seja neste mundo, quer no outro; temos que desejar sinceramente o melhor para ele, sem fazer de conta que somos seus fãs ou sem dizer que ele é legal quando não o é.

C S Lewis – Cristianismo Puro e Simples


  Que seja uma semana de grande intimidade com Deus!
  Bom dia!!
  Inté+
  Jair Tomaz
                                     

quinta-feira, 8 de julho de 2010

sobre homens e livros



"Um país se faz com homens e livros."


Monteiro lobato


sexta-feira, 2 de julho de 2010

“A leitura de um bom livro é um diálogo incessante: o livro fala e a alma responde.”

André Maurois

Bom Dia! Como vocês puderam perceber os textos postados aqui são de vários autores. Gosto muito de ler, não só como hobby, mas também como disciplina. A leitura é imprescindível para nosso crescimento e amadurecimento. Temos que ler e reter o que é bom. Evidentemente não ler apenas o que gostamos ou ler “de vez em quando”... o hábito de ler também exige disciplina, ler é um exercício, e como tal deve ser executado com constância e perseverança.

Mas não basta saber ler, é preciso aprender a entender! Estude, busque conhecimento, compare, analise, questione e critique com padrão e argumentação, pois de nada vale questionar ou criticar sem fundamento.
Leia, e leia muito, seus horizontes vão mudar...
Ah, leia muito a bíblia, leia, estude e ore!
“Bíblia: enquanto outros livros informam e poucos reformam, só este livro transforma” – A. T. Pierson
Para trabalharmos o conhecimento postarei a biografia de alguns dos autores citados. Começarei com C S Lewis, um dos melhores escritores cristãos do século XX. Recomendo os livros “Cristianismo puro e simples” – linguagem objetiva e ao mesmo tempo profunda; “O mais relutante dos convertidos” – biografia de Lewis (editora vida), livro fantástico, conta a infância de Lewis até a sua conversão, leiam... vale a pena!

Clive Staples Lewis nasceu no inverno de 1898 em Belfast, Irlanda do Norte e morreu em 22 de novembro de 1963, em sua casa de Oxford. Em sua sintética, mais oportuna biografia de Lewis, Henrique Elfes nos diz que Lewis do pai, galês, advogado de profissão, herdou a tendência romântica, sentimental e apaixonada; da mãe, inglesa, o raciocinio lúcido, a ironia e o senso prático; dos dois, o amor pelos livros. Aos seis anos, morreu-lhe a mãe, e com ela "desapareceram da minha vida toda a tranqüilidade e segurança".

Hipersensível, imaginativo, voltado para a auto-análise e empenhado desde muito cedo na busca do que chamaria joy, "alegria", na compreensão e procura das emoções, em breve desenvolveria também ao extremo o senso crítico e racional, talvez para alcançar a sempre evasiva equanimidade de temperamento.
Recebeu a primeira educação religiosa no "protestantismo do Ulster", mas numa versão pouco rigorista, atenuada pelo temperamento paterno. Já aos treze anos, num colégio interno, veio a perder a fé e a declarar-se "ateu". Leu G.K. Chesterton (que lhe pareceu ter "mais bom senso do que todos os modernos juntos") e George MacDonald, que preparariam a sua posterior conversão e aos quais se referiria algumas vezes como os "mestres que lhe ensinaram o cristianismo". Em 1916, prestou exames para Oxford e foi admitido no trinity College. No ano seguinte, foi convocado para o exército, mas por razão de ferimento foi retirado da Primeira Guerra e retomou os estudos e graduou-se em primeiro lugar em Filosofia, Línguas Clássicas e Línguas e Literatura Inglesa. Em 1925, foi eleito membro e tutor de Língua e Literatura Inglesa do Magdalen College na mesma Universidade. Em 1931 conhece J.R.R. Tolkien e o anglicano Hugh Dyson e se converte ao cristianismo, tornando-se anglicano. E depois de quase dez anos de silencioso amadurecimento intelectual e espiritual, C.S. Lewis - como assinaria todas as suas obras - resolveu lançar à brecha em defesa do cristianismo autêntico, alvo perpétuo de ataques nos meios intelectuais. Com a publicação do conhecido The Screwtape Letters ("Cartas de um demônio ao seu sobrinho", 1942), firmou a sua reputação como "o mais popular dos apologistas cristãos", completada pelos ensaios que escreveu sobre temas diversos como The problem of pain ("O problema do sofrimento", 1940), The Abolition of Man ("A abolição do homem", 1943 ou Miracles ("Milagres", 1947). Ao mesmo tempo, o abstrato scholar de Língua e literatura inglesa dava vasão ao seu poder imaginativo numa série de romances de ficção científica (a "Trilogia de Ranson", 1938-45) e em contos alegóricos infanto-juvenis (as "Crônicas de Narnia", 1950-56, que conheceram imenso sucesso e que recentemente foram levadoas à tela do cinema. Em 1952 casaria com a poetisa americana Helen Joy Gresham que viria falecer pouco depois. Seguiram-se anos difíceis, mas férteis para a sua produção literária: dos seus apontamentos aparece A Grief Observed, "Uma dor observada" (1961), livro de sincero registro da emoção e dor humana sentidas pela perda de alguém; esta obra viria a servir de base para o roteiro de Shadowlands, "Terras de Sombra", de Richard Attenborough (1993)

Fonte: www.aquinate.net/atualidades/personalidades - Por Paulo Faitanin

terça-feira, 22 de junho de 2010

Os fins e os meios


“Houve homens que se interessaram de tal forma em provar a existência de Deus que acabaram desinteressando-se por completo do próprio Deus... como se o bom Deus nada tivesse a fazer além de existir! Houve alguns tão ocupados em tornar o Cristianismo conhecido que jamais pensaram em Cristo. Nossa! E é possível ver isso nas mínimas coisas. Já conheceu um amante de livros que, a despeito de todas as suas primeiras edições e obras autografadas, tivesse perdido a capacidade de lê-los? Ou, quem sabe, um organizador de projetos de caridade que perdesse todo o amor pelos pobres? Trata-se da mais sutil de todas as armadilhas.”


C. S. Lewis – O grande abismo – página 87

quinta-feira, 20 de maio de 2010

A carne, como Deus a vê

Nós, os cristãos, devemos nos lembrar, mais uma vez, do que Deus pensa sobre a carne. O Senhor Jesus diz que “a carne para nada aproveita” (Jô 6.63). Tanto o pecado da carne, como a justiça dela, são inúteis. O que é nascido da carne, seja quem for, é carne, e jamais deixará de o ser. Tanto a carne no púlpito, nos ouvintes, na oração, na consagração, na leitura da bíblia, no cântico de hinos, ou fazendo o bem – nada disso aproveita, diz o Senhor. Os crentes podem vangloriar-se na carne. Entretanto Deus diz que todas as suas obras são inúteis. Isso porque a carne não é útil à vida espiritual, nem pode cumprir a justiça de Deus. Vejamos algumas observações a respeito da carne, feitas pelo Senhor, por meio do apóstolo Paulo, na carta aos Romanos.

  1. “O pendor da carne dá para a morte.” (8.6). De acordo com o ponto de vista de Deus, existe morte espiritual na carne. A única maneira de escapar é entregá-la à cruz. A respeito de ela ter a capacidade de praticar o bem, ou de elaborar planos visando a obter a aprovação dos homens, Deus pronunciou uma única sentença sobre a carne: morte.
  2. “O pendor da carne é inimizade contra Deus.” (8.7). Ela se opõe a Deus. Não existe a menor possibilidade de uma coexistência pacífica. Isso é fato não só com relação aos pecados que brotam da carne, mas também às suas ações e pensamentos mais elevados. Os pecados que maculam o homem obviamente são hostis ao Senhor. E é importante observar que podemos praticar atos de justiça fora da dependência de Deus.
  3. “Pois não está sujeito à lei de Deus, nem mesmo pode estar.” (8.7). Quanto melhor for o trabalho da carne, mais longe de Deus ela se encontrará. Quantas das pessoas “boas” desejam crer no Senhor Jesus? Sua justiça própria não é justiça nenhuma; na verdade, é injustiça. Ninguém jamais poderá obedecer a todos os ensinamentos da bíblia. Uma pessoa pode até ser boa; uma coisa, porém, é certa: ela não se submete à lei de Deus. Se for má, ela transgride a lei. Se for boa, ela estabelece uma justiça própria, sem Cristo, anulando, assim, o propósito da lei (“pela lei vem o pleno conhecimento do pecado” {Rm 3.20}).
  4. “Os que estão na carne não podem agradar a Deus.” (8.8). Esse é o veredicto final. Por mais qualidades boas que um homem tenha, nada do que ele faz, se provém dele mesmo, pode agradar ao Senhor. Deus só tem prazer em seu Filho. Fora de Cristo e de sua obra, nada pode lhe agradar. O que realizamos pela carne pode até parecer muito bom. Todavia, como procede do ego e é realizado na força natural, não satisfaz a deus. O homem pode inventar as mais variadas maneiras de fazer o bem, de melhorar e se aperfeiçoar. Entretanto nem uma delas, por ser carnal, pode agradar ao Senhor. E isso não se aplica apenas aos incrédulos. Vale, também, para os crentes. Mesmo que nossas obras sejam recomendáveis e eficientes, se realizadas com as próprias forças, não obtêm a aprovação divina. Deus se agrada ou se desagrada de algo não pela sua natureza, isto é, se é bom ou mau, mas pela sua procedência. Uma ação pode ser em extremo correta, não obstante Deus quer saber qual a sua origem.

Dessas referências das Escrituras, podemos ver como são inúteis os esforços da carne. Depois que o crente passar a entender que a carne não tem valor diante de Deus, não mais errará com facilidade. Nós, os seres humanos, classificamos todos os atos como bons ou maus. Deus, no entanto, vai à origem deles, e os classifica de acordo com a fonte de cada um. Até os feitos mais excelentes da carne provocam o mesmo descontentamento divino que os pecados mais vis e ímpios, pois tudo é da carne. Deus abomina a justiça própria da mesma maneira que a injustiça. Para Ele, as boas ações que praticamos naturalmente, sem necessidade de regeneração, de união com Cristo ou de dependência do Espírito Santo, não são menos carnais do que a imoralidade, a impureza, a licenciosidade, e outras. Mesmo que as atividades do homem sejam excelentes, se não nascerem de uma completa confiança no Espírito Santo, são carnais e, portanto, Deus as rejeita. Ele se opõe a tudo que pertence à carne, rejeitando e odiando, independentemente de sua aparência exterior, ou de ter sido praticado por um crente ou um pecador. O veredicto é: a carne deve morrer.

(Watchman Nee – O Homem Espiritual – pags 146-148)

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Inspirações para a vida...



O Poema "Se", abaixo, de autoria do inglês Kipling, foi de grande inpiração na vida do missionário Stanley Dale, que levou o evangelho até a região de Cale do Seng, Papua, Nova Guiné: uma região inóspita encravada numa ilha próxima ao continente Australiano. Região habitada por indígenas guerreiros canibais, mergulhados em suas crença e superstições. Foi morto por uma das tribos, e sua morte foi uma demonstração de como Deus pode usar grandes tragédias para trazer bênçãos eternas sobre os povos. Um grande exemplo de obediência, onde a vontade de Deus é, verdadeiramente, colocada acima de tudo, até da própria vida. Que Deus possa estar despertando em nós o "amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, toda a tua alma, acima de todas as coisas".

Graça e Paz!


Se

Se és capaz de manter tua calma, quando,

todo mundo ao redor já a perdeu e te culpa...
De crer em ti quando estão todos duvidando,
e para esses no entanto achar uma desculpa;

Se és capaz de esperar sem te desesperares,

ou enganado, não mentir ao mentiroso,
Ou, sendo odiado, sempre ao ódio te esquivares,
e não parecer bom demais, nem pretensioso;

Se és capaz de pensar - sem que a isso só te atires,

de sonhar - sem fazer dos sonhos teus senhores;
Se, encontrando a desgraça e o triunfo, conseguires
tratar da mesma forma a esses dois impostores;

Se és capaz de sofrer a dor de ver mudadas,

em armadilhas as verdades que disseste
E as coisas, porque deste a vida estraçalhadas,
e refazê-las com o bem pouco que te reste;

Se és capaz de arriscar numa única parada,

tudo quanto ganhaste em toda a tua vida,
E perder e, ao perder, sem nuca dizer nada,
resignado, tornar ao ponto de partida;

De forçar coração, nervos, músculos, tudo,

a dar seja o que for que neles ainda existe;
E a persistir assim quando, exausto, contudo,
resta a vontade em ti, que ainda te ordena: Persiste!

Se és capaz de, entre a plebe, não te corromperes,

e, entre Reis, não perder a naturalidade;
E de amigos, quer bons, quer maus, te defenderes,
se a todos pode ser de alguma utilidade;

Se és capaz de dar, segundo por segundo,

ao minuto fatal todo valor e brilho;
Tua é a Terra com tudo o que nela existe,
e - o que ainda é muito mais - és um Homem, meu Filho!


Joseph Rudyard Kipling (30 de dezembro de 1865, em Bombaim, Índia - 18 de janeiro de 1936); escritor britânico, nascido na Índia