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sábado, 29 de janeiro de 2022

para todas as pessoas...

 

Padrões de Moralidade Sexual

Hb 13.4 “Venerado seja entre todos o matrimônio e o leito sem mácula; porém

aos que se dão à prostituição e aos adúlteros Deus os julgará”.


O crente, antes de mais nada, precisa ser moral e sexualmente puro (2Co 11.2; Tt 2.5; 1Pe 3.2). A palavra “puro” (gr. hagnos ou amiantos) significa livre de toda mácula da lascívia. O termo refere-se a abstenção de todos os atos e pensamentos que incitam desejos incompatíveis com a virgindade e a castidade ou com os votos matrimoniais da pessoa. Refere-se, também, ao domínio próprio e a abstenção de qualquer atividade sexual que contamina a pureza da pessoa diante de Deus. Isso abrange o controle do corpo “em santificação e honra” (1Ts 4.4) e não em concupiscência” (4.5).


sábado, 2 de novembro de 2019

Nós existimos

"Nós existimos", diz fundadora do Movimento de Ex-Gays do Brasil... -

Felipe Sakamoto e Lucas Cabral
Colaoração para Universa
26/09/2019 04h00
Miriam Fróes viveu como homossexual dos 13 aos 33 anos, aproximadamente. A partir dos 30, começou a sentir uma mudança interna. "Eu trocava muito de parceira e aquilo foi causando crises existenciais em mim", diz. Depois disso, passou a frequentar a igreja. Hoje, "muito evangélica", diz ter encontrado um novo modo de viver sob os preceitos da Bíblia.
Além de ex-homossexual e pastora da igreja Manancial Palavra Viva, Miriam, 55, também é idealizadora do Movimento de Ex-Gays do Brasil (MEGB), fundado em agosto. Ficou conhecida após se reunir com a ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, no dia 5 daquele mês, em busca de reconhecimento. "Nós existimos" diz.
Há 20 anos, ela acolhe pessoas que buscam a reorientação sexual. Para isso, a fundadora do movimento de ex-gays não acredita em nenhum tratamento, senão a palavra do evangelho. Ao ser questionada sobre como seriam os detalhes da reorientação sexual pela espiritualidade, a consultora de logística responde: "A única palavra que posso te dar como explicação é a fé".
A Organização Mundial de Saúde (OMS) excluiu a homossexualidade do Código Internacional de Doenças (CID) em maio de 1990. E a recondução da sexualidade por terapias é questionada e criticada por profissionais da saúde. No Brasil, em 1999, o Conselho Federal de Psicologia (CFP) proibiu que psicólogos incentivem ou proponham qualquer tratamento ou ação com o objetivo de patologizar ou reorientar a homossexualidade.
Em entrevista a Universa, Miriam fala sobre causas e cura da homossexualidade, com base em sua experiência, e sobre o surgimento do MEGB. Afirma que criou o movimento ao perceber a ausência de uma voz expressiva de ex-gays na sociedade. "Nós somos a minoria das minorias", diz. O slogan do grupo é "Pelo direito de deixar e permanecer".
Outro motivo da criação do movimento foi a criminalização da homotransfobia pela Lei de Racismo, aprovada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em junho deste ano. Miriam teme ser processada por compartilhar sua história em palestras. "E se alguém me ouvir e achar que eu estou sendo homofóbica?"

A criminalização da homofobia interfere nas pautas do Movimento de Ex-Gays do Brasil?
Até agora, não. Mas existe um termo que diz que nós somos livres para nos expressar, para fazer proselitismo, doutrinação, usar os nossos livros sagrados. Desde que ninguém se sinta agredido pela nossa fala. Então, ali, a lei está um pouco subjetiva para o nosso lado. E se alguém me ouvir e achar que eu estou sendo homofóbica? Ou discriminando quem está na homossexualidade? Isso me preocupou um pouco. Pensei, então, que poderíamos ir ao Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos para que nos reconhecesse, já que eles reconhecem o movimento LGBT. É preciso reconhecer a gente também.
Quais são as pautas do movimento?
No momento, a pauta principal foi ir ao Ministério dos Direitos Humanos e nos pronunciar: "Olha, nós existimos". O propósito do MEGB é unir as pessoas que foram homossexuais e hoje não são mais. É para ser um plataforma onde as pessoas, espalhadas pelo Brasil, possam se identificar, para que se sintam representadas. Não temos pretensão política nenhuma. Até porque não temos um espírito militante. Não pretendemos ter causa pública, de política. Agora, lógico, se encontrarmos ajuda e abertura nesse campo, até podemos pensar, sim. Nós não estamos aqui para discutir se se nasce ou não gay, se há ou não cura para a homossexualidade. Acho que cada um tem o direito de viver a sua vida como deseja viver. Agora, se eu fui homossexual durante quase 20 anos e abandonei esse estilo de vida, eu gostaria também que as pessoas me olhassem e não duvidassem de mim.
Vocês tiveram uma reunião com a ministra Damares Alves. Qual foi o propósito da visita e o que discutiram?
Fomos porque gostaríamos que o Ministério desse o mesmo reconhecimento e respaldo que dá aos outros movimentos. Queremos um reconhecimento apenas no direito de existir. Ela nos recebeu e levamos um material da nossa existência. E pedimos para que o ministério, assim como faz com o movimento LGBT, com os índios ou com qualquer classe que pede apoio e reconhecimento, pudesse contemplar a nossa existência. E assim aconteceu. Ela não nos prometeu nada, mas jogou a responsabilidade para os seus assessores, para ver como podem nos ajudar.
Como os assessores da ministra podem ajudar?
Na verdade, não são eles que têm que nos ajudar. O que foi dito é que teríamos de criar políticas públicas e poderíamos receber apoio ou não. Por mais que não queiramos essa militância política, de alguma maneira, ela terá de existir. Mas o nosso foco é espiritual. Agora, existe uma lei duríssima contra a homofobia. Duríssima, porque foi inserida no crime de racismo. Você concorda que a lei é muito dura? Nós queremos nos precaver. Por exemplo, eu dou alguma palestra. Alguém me ouve e acha que não foi adequado e me processa. Então, a gente pede para que o ministério venha nos respaldar nesse aspecto: "Nós existimos".
No dia da reunião com a ministra, o Movimento Psicólogos em Ação, que defende a "cura gay" e perdeu recentemente as eleições para o Conselho Federal de Psicologia, estava presente e apoiou o MEGB. Qual é a relação entre vocês?
Nenhuma. Somos apenas conhecidos. O MEGB atua no viés espiritual. O outro movimento luta mais de forma humanista, pela psicologia, também em relação à causa moral. Porém, são psicólogos cristãos ou conservadores. Eles lutam para ter o direito de exercer a psicologia no que tange à pessoa que está na homossexualidade e não quer ser homossexual. Mas são proibidos de exercer essa prática. Por isso, eles lutam. E, por isso, são movimentos parecidos.
Ao dizer isso, o seu movimento não acaba se aproximando do grupo pró-cura, que defende a reorientação sexual?
A questão é que esses psicólogos acham que sozinhos dão conta. E eu não concordo com isso. Você pode contar com um amigo, um pastor, um conselheiro, um psicólogo, uma tribo e a família. E, lógico, os preceitos da Bíblia, que você terá de seguir e obedecer.
Embora afirme que não há nenhuma relação entre o MEGB e a chapa "pró-cura", Saulo Navarro, integrante do movimento, também apoiou e fez campanha nas redes sociais para a chapa.
Ele não é mais [membro]. Esse afastamento se deu justamente por causa disso, por um desacordo com os preceitos do MEGB que são de expressão e liberdade religiosa. O Saulo tem uma opinião contrária. É um direito que ele tem.
Historicamente, homossexuais foram lobotomizados, torturados e submetidos à castração química como tratamento para uma suposta cura gay. Nenhum desses procedimentos teve eficácia comprovada cientificamente. O Movimento de Ex-Gays do Brasil acha que a homossexualidade é uma doença?
Não, eu não acho que a homossexualidade seja uma doença. O movimento acha que é um conflito emocional causado por traumas vivenciados na infância. Entre eles, abusos sexuais, agressões dentro de casa, ausência do pai ou da mãe. Isso pode causar um sentimento de carência, de não encontrar a identidade, e você vai em busca de criar essa identidade para você. A homossexualidade pode ser originada por questões emocionais, mas também não é uma escolha fechada. Cada um vai desenvolver da sua maneira. Existem pessoas que não vivenciaram nada disso e têm sentimentos homossexuais, e eu não sei te explicar.
Não há comprovação de que abusos sexuais ou ausência dos pais possam ser fatores para a homossexualidade. Com que fundamento acredita nisso?
Eu penso dessa maneira com base em três coisas. Primeiro, minha experiência pessoal, o que vivi até hoje. Segundo, o contato que tive ao longo de 20 anos com outros ex-gays. E terceiro, livros de autoajuda, de cunho religioso. Inclusive, o principal deles é o "Restaurando a identidade" [escrito por Bob Davis e Lori Rentzel, anteriormente publicado sob o título "Deixando o Homossexualismo", o livro baseia-se na "cura da homossexualidade" somente por meio da religião].
Se uma pessoa homossexual está bem com a sexualidade dela, acha que ela precisa de reorientação?
Todo homossexual que não está satisfeito com a sua homossexualidade deve procurar ajuda. A ajuda que for, ele quem vai decidir. O MEGB defende [a ajuda] pela Bíblia, pela espiritualidade. E eu não acho que todo homossexual precise de reorientação. Ele precisa ficar como está, caso se sinta bem. Todo mundo tem livre arbítrio para viver e escolher o jeito que se sente melhor neste mundo. Inclusive, a Bíblia fala sobre isso. O movimento não está aqui para se opor a isso.


sábado, 29 de junho de 2019

Libertos por Jesus - Ex homossexuais.



Ex-homossexuais sairão às ruas para dar um 'testemunho coletivo' de libertação em Jesus


A 'Marcha da Liberdade' irá reunir ex-homossexuais de todas as partes dos Estados Unidos para testemunharem que foram transformados por Jesus.



Homens e mulheres que deixaram a homossexualidade - incluindo um sobrevivente do tiroteio na boate Pulse, de Orlando - estarão reunidos em Washington, capital do EUA, para participar de um evento no próximo final de semana para proclamar como Jesus Cristo os libertou.

Os participantes de todo o país se reunirão no National Sylvan Theatre, do meio-dia às 15h, no dia 5 de maio para a realização da “Marcha da Liberdade”.

Daren Mehl, presidente do grupo ‘Voice of the Voiceless’, diz que vê o evento como "uma oportunidade para aqueles de que têm uma nova vida com Jesus, se unirem em companheirismo para louvá-Lo pelo amor e graça disponíveis a todos que procuram [e] para testemunhar publicamente a graça da mudança de vida disponível para deixar a identidade LGBT por algo maior”.

Mehl, de 40 anos, é um nativo de Minnesota que se identificou como homossexual por aproximadamente 10 anos. Hoje ele é casado com uma mulher e tem dois filhos. Ele também estará na marcha do próximo sábado.

"Jesus nos instrui a amarmos os outros como amamos a nós mesmos", disse ele quando perguntado sobre o que espera que este evento comunique à comunidade LBGT, muitos dos quais foram feridos pela religião.

"Quando alguém vomita o ódio contra outra pessoa, ela claramente não está operando de acordo com o Espírito Santo", disse Mehl. "É extremamente triste quando isso acontece e eu espero que [os cristãos] que fizeram isso se arrependam e se reconciliem com aqueles que eles machucaram".

Ele disse ao CP que quando encontrou o Evangelho, todo o seu sistema de valores, propósito de vida e crenças sobre quem ele é, mudaram, incluindo sua identidade sexual.

"Jesus me pediu para entregar minha identidade aos Seus pés e entregá-la para uma nova Nele. Eu decidi que o rótulo gay e o estilo de vida não se alinhavam à minha identidade desejada como cristão. Tentando alinhar minhas escolhas de comportamento com minhas A identidade cristã levou anos de luta, e às vezes foi muito dolorosa ", disse ele.

Ele acredita que esta Marcha da Liberdade é necessária para mostrar as muitas vidas que anteriormente eram LGBT, mas que foram transformadas por Jesus e encoraja aqueles que estão lutando com sua sexualidade e estão buscando respostas, muitos dos quais muitas vezes sentem que estão sozinhos.
"Eles não estão sozinhos", enfatizou.

Luis Javier Ruiz, um sobrevivente do massacre de junho de 2016 na boate Pulse em Orlando, Flórida, onde 49 pessoas foram assassinadas por Omar Mateen, no que na época foi o pior tiroteio em massa da história moderna americana, participará da manifestação, no dia 5 de maio.

"Eu deveria ter sido o número 50", escreveu Ruiz em seu perfil do Facebook na sexta-feira.

"Passando por fotos antigas daquela noite na Pulse, uma memória das minhas lutas contra a perversão, bebidas para abafar tudo e ter sexo promíscuo, o que me levou ao HIV. O inimigo me tinha em suas garras e agora, Deus me levou a partir daquele momento e me entregou a Cristo Jesus. Eu cresci para saber que Jesus é o amor em um nível mais profundo".

Ruiz perdeu vários amigos naquela noite.

"Eu deveria ter sido o número 50", ele reiterou, "mas agora eu tenho a chance de viver em relacionamentos e não na religião, não apenas amar a Cristo, mas estar apaixonado por Cristo e compartilhar que Ele é amor. Eu sei quem Eu sou e não sou definido por quem o inimigo diz que eu costumava ser, mas com quem Jesus Cristo diz que eu sou".

Vários preletores e líderes de louvor da ‘Marcha da Liberdade’ são apresentados no filme "Aqui está meu coração: um documentário sobre a entrega à liberdade", que narra as histórias de homens e mulheres que deixaram a homossexualidade e o transgenerismo para uma nova vida em Jesus.

Elizabeth Johnston, que também é conhecida como 'The Activist Mommy' e que tem mais de meio milhão de seguidores no Facebook, será uma das preletoras do evento. Ela disse em um e-mail ao Christian Post na sexta-feira que muitos ativistas LGBT tentaram diminuir as vozes daqueles que deixaram a homossexualidade, porque suas vozes apresentam as mais poderosas refutações ao argumento "os gays nascem assim e não podem mudar".

Johnston acrescentou que a recente proposta legislativa no estado da Califórnia, AB 2943, aprovada pela Assembléia estadual na semana passada e que pretende descrever "esforços de mudança de orientação sexual" como uma "prática comercial ilegal", comprova que os ativistas LGBT querem silenciar qualquer um que não seja totalmente favorável à sua agenda.

"O que eles parecem não perceber é que nenhuma lei jamais silenciará a verdade que atormenta suas consciências todos os dias", disse Johnston.

Ela enfatizou que a Marcha da Liberdade contará com a presença de todos os tipos de pessoas ao redor do mundo que viveram vidas e conheceram a destruição do pecado sexual e a confusão de gênero.

"Eles sabem o que é querer ajuda e liberdade do vazio e dos vícios do estilo de vida confuso em termos de gênero, mas não sabem para onde ir", disse ela, acrescentando que espera que relacionamentos amorosos e significativos sejam construídos. "Mal podemos esperar para ver os frutos dessa manifestação. Quando uma pessoa entrega verdadeiramente sua vida a Jesus Cristo, todas as coisas são renovadas".


https://guiame.com.br/gospel/mundo-cristao/ex-homossexuais-sairao-ruas-para-dar-um-testemunho-coletivo-de-libertacao-em-jesus.html





quinta-feira, 2 de julho de 2015

A prática homossexual é igual a qualquer outro pecado?


Em meu trabalho sobre a Bíblia e a prática homossexual, com frequência deparo com o seguinte argumento: (1) nenhum pecado é pior do que qualquer outro pecado;2 portanto, (2) a prática homossexual não é pior do que nenhum outro pecado. Normalmente é feita, então, comparação com pecados aos quais muitas vezes os cristãos fazem concessões (como glutonaria ou recasamento após divórcio), em vez de com pecados aos quais não se fazem concessões (como incesto e homicídio), como uma forma de calar totalmente a oposição cristã à prática homossexual ou de argumentar que participantes confessos da prática homossexual ainda assim ‘vão para o céu’. Até mesmo muitos evangélicos que não apoiam a prática homossexual nem eximem do julgamento divino quem persiste nela sem se arrepender subscrevem a essas duas visões.

Às vezes tais afirmações são reforçadas por analogia, como quando Alan Chambers, ex-líder do ministério Exodus International, declarou na noite de abertura da sessão geral da conferência de Exodus International em 2012: ‘Jesus não ficou suspenso na cruz um pouquinho mais por aqueles que ... tenham se envolvido com atração por pessoas do mesmo sexo ou que tenham sido gays ou lésbicas’. Isto soa como uma bela frase de efeito e pode até ajudar quem pense que a prática homossexual é ruim demais para ser perdoada por Deus. Mas não prova a afirmação de que não existe nenhuma ‘hierarquia de pecados’. A duração de tempo em que Jesus ficou suspenso na cruz é irrelevante. É o fato da morte de Jesus que conta para a expiação. Nem tampouco se está argumentando que a morte de Jesus não pode cobrir grandes pecados. Cobre ‘pecadinhos’ e ‘pecadões’ daqueles que se arrependem e creem no evangelho.

De forma simples, a cobertura universal do pecado efetuada por Cristo por meio de sua morte na cruz não significa que todos pecados são iguais em todos aspectos, mas apenas que todos pecados são iguais em um aspecto: são todos cobertos. Se não o fossem, ninguém entraria no reino, pois Deus é tão santo que qualquer pecado impediria a entrada de qualquer pessoa, caso o mérito moral fosse a base da aceitação. Por analogia, alguém pode ter cobertura médica de todas lesões corporais, grandes e pequenas, e pagar a mesma quantia pela cobertura, independentemente da lesão; isso não quer dizer, porém, que todas as lesões são de igual gravidade. Como veremos, existe um acúmulo de provas das Escrituras (além da razão e da experiência) que mostram que (1) os pecados diferem em importância diante de Deus e (2) Deus considera a prática homossexual como um pecado particularmente grave.

O porquê da visão igualitária do pecado
Por que, então, tantos insistem na ‘visão igualitária do pecado’? Deve haver diversos motivos agindo em conjunto.

Primeiramente, muitos cristãos são ávidos por fazer o que for possível para abrandar as críticas de defensores homossexualistas. Estes últimos, muitos dos quais são muito bons em se sentir ultrajados com qualquer coisa que discorde de sua agenda, ficam indignados quando ouvem a prática homossexual descrita como pecado grave. Em segundo lugar, há quem promova uma visão igualitária do pecado ao menos em parte por preocupações pastorais, de modo a não afastar homossexuais abertos à discussão com uma mensagem que talvez achem difícil de aceitar. O outro lado da história é que talvez busquem um fundamento teológico para criticar qualquer senso de superioridade ou espírito insensível por parte da igreja. Outros creem que a igreja é responsável por criar uma comunidade pelos ‘direitos dos gays’ que se mostra raivosa e ressentida, já que dá passe livre aos cristãos envolvidos em pecados heterossexuais enquanto agride quem se envolve com o comportamento homossexual.

Há um quê de verdade nesta perspectiva. No entanto, a ideia de que, se a igreja tivesse passado com mais amor e mais equilíbrio a mensagem sobre a prática homossexual, não haveria nenhuma expressão de raiva e ressentimento por parte da comunidade dos direitos dos gays é absurda. Jesus era amoroso, e mesmo assim foi crucificado por falar a verdade. O pecado odeia qualquer restrição ao seu poder, e aqueles sob a influência controladora da atração por pessoas do mesmo sexo não escapam disso. Além do mais, expressões de indignação e esforços de intimidação são parte integral da estratégia homossexualista para coagir a sociedade a aprovar a prática homossexual.

Os cristãos deveriam tomar cuidado para, em sua pressa para apaziguar os defensores homossexualistas, não acabar negando as próprias Escrituras, que de fato caracterizam a prática homossexual em termos muitos negativos — evidentemente não como o único pecado, mas ainda assim como grave ofensa. É de se perguntar se os cristãos que denunciam outros cristãos por dizer que a prática homossexual é pecado grave no fundo pensem que o apóstolo Paulo é um extremista por dar atenção especial à prática homossexual em Romanos 1.18-32, dizendo que se trata particularmente de prática autodegradante, vergonhosa e antinatural, que em parte é a ‘recompensa’ àqueles que se envolvem nela.

Embora eu simpatize com a motivação pastoral que procura enfatizar o elemento de pecado universal àqueles abertos à discussão que talvez, de outro modo, teriam seus preconceitos anticristãos ativados, não posso aceitar a descarada falsificação da Bíblia na afirmação de que a igreja, ao enxergar alguns pecados (como a prática homossexual) como piores do que outros, tenha criado uma visão tremendamente danosa que a própria Bíblia não sustenta. Mostrarei adiante que tanto a visão geral de que determinado pecado seja mais abominável para Deus do que outros quanto a visão específica de que a prática homossexual é ofensa sexual particularmente grave aos olhos de Deus (em gravidade, algo entre o incesto consensual entre adultos e a bestialidade) são bem documentadas nas Escrituras. Em parênteses, se levam realmente a sério a visão de que nenhum pecado é pior do que outro, não deveriam se incomodar com a comparação com o incesto consensual (uma vez que, pelo raciocínio deles, incesto não é pior do que nenhum outro pecado).

O que a visão hierárquica de pecados deve e não deve fazer
Entende-se que a visão bíblica de que alguns pecados são piores do que os outros não autoriza ninguém a:

1. Negar a própria pecaminosidade sem Deus e a necessidade da expiação de Cristo.

2. Buscar desculpas para seu próprio pecado.

3. Tratar os outros de maneira odiosa ou desejar que não venham ao arrependimento (à maneira da visão inicial de Jonas em relação aos ninivitas).

4. Enxergar qualquer pessoa como imoral ou espiritualmente inferior simplesmente por experimentar impulsos para fazer o que Deus proíbe firmemente.

Em relação aos pontos 1 e 2, Paulo cria tanto que (1) determinado pecado é pior do que outros (idolatria e imoralidade sexual eram grandes preocupações, por exemplo; e, dentro da categoria de imoralidade sexual, tinha particular repulsa à prática homossexual, e então ao incesto (entre adultos), e enfim ao adultério e ao sexo com prostitutas, cf. Rm 1.24-27; 1 Co 5; 6.9,15-17; 1 Ts 4.6); quanto que (2) ‘todos pecaram e carecem da glória de Deus’, e só é possível ser justificado pela graça de Deus por meio da obra redentora de Cristo (Rm 3.23-25). Os dois pontos não estão em oposição e nem mesmo em tensão. O fato de que todo pecado é igual em um certo aspecto — qualquer pecado pode impedir uma pessoa de entrar no reino de Deus, se não receber a Cristo —, não leva à inferência de que todo pecado é igual em todos os aspectos — alguns pecados levam Deus a trazer julgamento sobre seu povo mais do que outros pecados.

No que diz respeito ao terceiro ponto, reconhecer a gravidade específica da prática homossexual não deveria de forma alguma diminuir o amor e cuidado pastorais dispensados àqueles que agem conforme suas atrações por pessoas do mesmo sexo. Pelo contrário: quanto maior a gravidade do pecado, maior a extensão do amor. É esta lição que aprendemos de Jesus em sua aproximação aos cobradores de impostos e pecadores na área sexual. Existe a tendência na igreja, em ambos os lados do espectro teológico, de correlacionar gravidade da ofensa e falta de amor. Assim, o liberal argumenta que, a fim de amar alguém, temos de reduzir a gravidade da ofensa da qual participa o pecador ou eliminar totalmente a ofensa. O conservador às vezes defende a gravidade da ofensa à custa de mostrar amor ao pecador. Jesus (e Paulo) nos ensinou a guardar o amor e uma ética sexual reforçada simultaneamente. Não teve de diminuir a gravidade da ofensa de abusivos cobradores de impostos a fim de amá-los. Antes, por ser sua ofensa tão grave (isto é, colocar os outros em risco de fome ao cobrar taxas acima do que lhes fora designado, tirando proveito disso), dedicou uma proporção maior de seu ministério para alcançá-los. A relação inversa entre a gravidade da ofensa e a extensão do amor (quanto maior a ofensa, menor a extensão do amor; quanto maior a extensão do amor, menor a ofensa) é puro paganismo que devemos excluir da igreja completamente.

No que concerne ao quarto ponto, ninguém tem culpa meramente por experimentar impulsos que não buscou experimentar e não procurou cultivar. Por exemplo, o fato de que alguém experimente atrações por pessoas do mesmo sexo de maneira alguma é motivo de fazê-lo moralmente culpável nem justifica designá-lo como moralmente depravado. Desejos sexuais homoeróticos, assim como quaisquer desejos para fazer o que Deus expressamente proíbe, são desejos pecaminosos (isto é, são desejos para pecar), e é por isso que quem experimenta os desejos não deveria ceder a eles, seja em sua vida de pensamento consciente, seja em seu comportamento. Sentimentos de inveja, cobiça, avareza, orgulho ou excitação sexual por uma união ilícita são todos desejos pecaminosos, mas ninguém é culpável por eles, a não ser que voluntariamente os alimente em sua mente ou os evidencie em seu comportamento.

O que a visão bíblica sobre diferentes gravidades dos pecados autoriza a fazer é o seguinte:

1. Usá-la para avaliar a distância do desvio alheio em relação à graça de Deus e, assim, o nível de intervenção necessário.

2. Negar que concessões sociais ou eclesiásticas a alguns pecados (como divórcio e recasamento após divórcio) justifiquem concessões a pecados maiores (adultério, incesto, prática homossexual, pedofilia, bestialidade). Pode-se logicamente partir apenas das ofensas maiores para as menores, e não das menores para as maiores.

Deus nos deu a todos um senso de certo e errado em nossas consciências. Com razão, temos um senso de que algumas ações são mais malignas do que outras e codificamos este senso em nossas leis, ainda que imperfeitamente. É verdade que mesmo as nossas consciências são afetadas pela influência corruptora do pecado, e em nenhum caso isso é mais evidente do que quando buscamos desculpas para nosso próprio pecado. Contudo, o princípio de que alguns pecados são mais abomináveis do que outros, não apenas em seus efeitos sobre seres humanos, mas também na avaliação divina, foi dado por Deus. Se não tivéssemos este senso em nosso compasso moral, a sociedade seria muitíssimo mais perversa do que já é.

 Lógica, experiência e as grandes tradições cristãs
Naturalmente, todas as pessoas razoáveis reconhecem que uma mulher contar a seu marido uma ‘mentirinha’ sobre ter gastado 25 dólares, em vez de 50, em um novo relógio, não é tão ruim quanto ele ter praticado adultério contra ela com outras cinco pessoas. Naturalmente, pessoas razoáveis devem admitir que, aos olhos de Deus (e não apenas aos nossos olhos ou aos da vítima), é pior um pai estuprar seu filho do que lhe dar uma bronca um pouco além do necessário por causa de um erro.

Ninguém realmente vive como se cresse que todos os pecados são igualmente graves no plano moral. De fato, muitas vezes são aqueles que argumentam em relação à prática homossexual que todo pecado é igual que ficam particularmente irritados se alguém compara uniões homossexuais com incesto (entre adultos), bestialidade ou pedofilia. E o fazem precisamente porque consideram incesto, bestialidade e pedofilia como realmente malignos e não querem que o comportamento homossexual seja associado com aquelas práticas. Tal reação, contudo, já é concessão ao princípio óbvio de que alguns pecados são piores do que outros. Não passa um dia sequer sem que as pessoas regularmente avaliem algumas ações como erros maiores do que outros. Na minha casa, se minha filha mais nova for para a cama, mas sorrateiramente pegar uma lanterna para ler ou desenhar bem depois da hora de dormir e contra os desejos de seus pais, terá cometido um erro, mas relativamente mais leve se comparado com, digamos, bater no irmão.

A crença de que todos os pecados são iguais para Deus em todos aspectos não apenas é absurdo à lógica e experiência humanas; as grandes tradições cristãs também concordam que determinado pecado é pior do que outros. Isto é reconhecido mesmo na tradição reformada, que enfatiza (corretamente) a depravação humana universal (nota: sou presbítero ordenado da Igreja Presbiteriana dos EUA — PC-USA). Por exemplo, o Catecismo Maior presbiteriano da Confissão de Fé de Westminster (1647) afirma: ‘As transgressões da lei de Deus não são todas igualmente abomináveis, mas alguns pecados por si sós, e em razão de diversos agravantes, são mais abomináveis aos olhos de Deus do que outros’ (7.260, grifo meu; elaboração em 7.261; cf. o Catecismo Menor 7.83).

Esta não é somente uma visão protestante, mas também católica (note a diferença entre pecados veniais e mortais, bem como diferenciações de gravidade dentro da categoria de pecados mortais) e ortodoxa. Convido qualquer um a citar uma formulação confessional de alguma denominação cristã importante que defenda que todo pecado é igualmente ruim na avaliação divina (talvez exista, mas desconheço). Para uma perspectiva evangélica contemporânea, veja o artigo de J. I. Packer para a revista Christianity Today (2005) intitulado ‘All Sins Are Not Equal’ [Os pecados não são todos iguais].3

Ora, devo admitir que citar a visão consensual das principais tradições cristãs não prova que alguns pecados são realmente mais abomináveis para Deus do que outros. Meu objetivo é simplesmente mostrar que a visão sobre o assunto adotada neste artigo se enquadra na corrente histórica da fé cristã.

O fundamento escriturístico da visão de que alguns pecados são piores do que outros
Ainda assim, continuo sendo um ‘homem da Bíblia’; então, atentemos para ela. Provas para a visão de que a Bíblia considera alguns pecados como piores do que outros são praticamente infindáveis, de modo que encerrarei a lista quando chegar numa dúzia de exemplos.

(1) No Antigo Testamento, existe claramente uma classificação de pecados. Por exemplo, em Levítico 20, que reordena as ofensas sexuais do capítulo 18 conforme a severidade da ofensa/pena, com as ofensas sexuais mais graves agrupadas primeiro (20.10-16). Dentro do primeiro nível de ofensas sexuais (ao lado de adultério, as piores formas de incesto, e bestialidade) está a relação sexual com alguém do mesmo sexo. Obviamente, variadas penas para diferentes pecados se encontram por todo o material legal do Antigo Testamento.

(2) Após o episódio do bezerro de ouro, Moisés disse aos israelitas: ‘Cometestes um grande pecado. Agora, porém, subirei ao Senhor; talvez eu possa fazer expiação pelo vosso pecado’ (Êx 32.30). Obviamente, o episódio do bezerro de ouro foi um enorme pecado por parte dos israelitas, algo confirmado pela gravidade do julgamento divino. Deve ter havido muitos tipos de pecados entre os israelitas, desde o momento em que partiram do Egito. Apenas em ocasiões específicas, no entanto, a ira de Deus se acendeu contra as ações dos israelitas — por que motivo, se todos pecados são igualmente abomináveis para Deus?

(3) Números 15.30 refere-se às ofensas praticadas com ‘punhos cerrados’ (deliberadamente e, talvez, em tom de desafio) como se fossem de natureza mais séria do que pecados relativamente involuntários (15.22,24,27,29).

(4) Em Ezequiel 8, o profeta é erguido por um anjo ‘nas visões de Deus’ e levado até Jerusalém, onde vê diferentes graus de idolatria ocorrendo nos arredores do Templo e o anjo declarando duas vezes a frase: ‘Verás abominações ainda maiores que estas’ (isto é, coisas detestáveis para Deus; 8.6,13,15; 8.17), depois de uma sequência de visões.

(5) Jesus referiu-se ao ‘que há de mais importante na Lei’ (Mt 23.23), como justiça, misericórdia e fidelidade — era mais importante obedecer a estas coisas do que ao dízimo de especiarias, mesmo que não se devesse desprezar tais ofertas. Formulações deste tipo implicam que violações do que há de mais importante ou dos principais mandamentos (como não defraudar os pobres de seus recursos tendo em vista ganho pessoal) são mais graves do que violações de mandamentos menores ou ‘mais leves’ (por exemplo, dar o dízimo de pequenos alimentos, como especiarias), que, segundo Jesus, deveriam ser praticados sem deixar de lado as questões mais importantes. Jesus acrescenta a seguinte crítica: ‘Guias cegos! Coais um mosquito e engolis um camelo’ (23.24). Qual é a diferença entre um mosquito e um camelo, se todos os mandamentos e todas as violações são iguais?

(6) Famosa também é a identificação que Jesus fez dos dois mandamentos mais importantes (Mc 12.28-31). Ele também disse: ‘Quem desobedecer a um desses mandamentos [da lei], por menor que seja, e assim ensinar aos homens, será chamado o menor no reino do céu’ (Mt 5.19). Novamente, apresentar mandamentos maiores e menores significa apresentar violações maiores e menores.

(7) Sugeriria que a especial aproximação de Jesus a quem explorava os outros economicamente (cobradores de impostos) e a quem pecava na área sexual, sempre no esforço de restaurá-los para o reino de Deus que ele proclamava, não era tanto uma reação ao abandono deles pela sociedade quanto uma indicação da especial gravidade desses pecados e o perigo espiritual extremo que tais pessoas encaravam. Nesse sentido, pode-se pensar na história da mulher pecadora que lavou os pés de Jesus com lágrimas, enxugou-os com seus cabelos, beijou-os com seus lábios, e ungiu-os com óleo (Lc 7.36-50). Jesus explicou o ato extraordinário da mulher contando uma parábola de dois devedores: aquele a quem o credor mais perdoa é quem mais o ama. A dedução óbvia é que a mulher pecadora tinha feito algo pior aos olhos de Deus. Embora o anfitrião fariseu de Jesus não tenha gostado que a mulher tenha tido contato com Jesus, este louvou as ações dela: ‘Os pecados dela, que são muitos [ou grandes], lhe são perdoados, pois ela amou muito [ou grandemente]; mas aquele a quem se perdoa pouco, este ama pouco’ (7.47). Muitos cristãos tratam a ideia de ser perdoado de maiores pecados como algo ruim. Jesus subverteu-a. Pense só como cristãos que enfatizam que todos pecados são iguais poderiam empregar o conceito bíblico de alguns pecados serem mais graves do que outros: alguns de nós talvez precisassem de mais perdão, mas posso dizer que isto nos fez entender a graça do Senhor de uma forma melhor e, portanto, amar o Senhor ainda mais.

(8) Outro caso óbvio de priorização de algumas ofensas como piores do que outras é a caracterização de Jesus sobre a ‘blasfêmia contra o Espírito Santo’, ‘pecado eterno’ do qual nunca se terá perdão — no contexto, refere-se aos fariseus terem atribuído os exorcismos de Jesus ao poder demoníaco (Mc 3.28-30).

(9) De acordo com João 19.11, Jesus disse a Pilatos: ‘Nenhuma autoridade terias sobre mim, se do alto não te fosse dada; por isso, aquele que me entregou a ti incorre em pecado maior’. A referência é a Judas (6.71; 13.2,26-30; 18.2-5) ou ao sumo sacerdote Caifás (18.24,28). ‘Pecado maior’ naturalmente implica que a ação de Pilatos é pecado menor.

(10) Paulo fala sobre diferentes níveis de ação em 1Coríntios 3.10-17: é possível construir de qualquer jeito sobre o fundamento de Cristo e sofrer perda, mas ainda assim herdar o reino. No entanto, ‘destruir o templo de Deus’, a comunidade local de cristãos, por questões indiferentes traria sobre a pessoa sua própria destruição efetuada por Deus. Contrasta-se esta destruição com ser ‘salvo ... pelo fogo’ por causa das ofensas menores. Importantes comentaristas de 1Coríntios (por exemplo, Gordon Fee [pentecostal], Richard Hays [metodista], David Garland [batista] e Joseph Fitzmyer [católico]) concordam (1) que se faz distinção entre o grau de gravidade das ações; e (2) que Paulo aborda a salvação individual do cristão. Assim diz Gordon Fee: ‘Que Paulo atenta para uma verdadeira ameaça de punição eterna parece também ser o sentido óbvio do texto’. ‘Quem é responsável por desmantelar a igreja pode esperar julgamento à altura; é difícil fugir do sentido de juízo eterno neste caso, dada a sua proximidade com os vv. 13-15’ (The First Epistle to the Corinthians [NICNT; Grand Rapids: Eerdmans, 1987], pp. 148-149). O mesmo pensa Garland, que de forma sucinta afirma que ‘juízo desolador’ aguarda a quem destrói a comunidade em Corinto: ‘sua salvação está em risco’ (p. 121).

(11) Se todo pecado é igualmente grave para Deus, por que Paulo destacou a ofensa do homem incestuoso em 1Coríntios dentre todos os pecados dos coríntios como motivo para exclusão da comunidade? Por que tamanha expressão de choque e indignação da parte de Paulo? Além disso, se não existisse uma classificação de mandamentos, como Paulo poderia ter rejeitado de imediato um caso de incesto que mostrava consenso entre dois adultos, era monógamo e comprometido? Se os valores da monogamia e compromisso pelo resto da vida fossem de mesmo peso que a exigência de certo nível de alteridade familiar, Paulo poderia não ter tomado uma decisão quanto ao que fazer. Naturalmente, para Paulo, não foi uma questão difícil de decidir. Ele sabia que a proibição de incesto era mais fundamental.

(12) Primeira João 5.16-17 diferencia entre ‘pecado que não é para morte’ (pelo qual a oração pode surtir efeito e salvar a vida do pecador) e ‘pecado para a morte’ (pecado mortal, pelo qual a oração não surtirá efeito).

Estes doze exemplos (será que precisamos mesmo de mais?) já devem deixar claro que a afirmação de que a Bíblia não indica em lugar algum que determinados pecados são piores aos olhos de Deus não tem nenhum mérito.

Cristãos às vezes ficam confusos sobre a questão ao pensar no argumento de Paulo acerca do pecado universal em Romanos 1.18—3.20. Sim, Paulo argumenta que todos seres humanos, judeus e gentios sem nenhuma distinção, estão ‘debaixo do pecado’ e ‘sujeito[s] ao julgamento de Deus’. De fato, sua posição não é simplesmente que ‘todos pecaram e estão destituídos [ou carecem] da glória de Deus’ (3.23), mas também que todos ‘substituíram a verdade de Deus’ e de nós mesmos acessível nas estruturas materiais da criação (1.18-32) ou na revelação direta das Escrituras (2.1—3.20). Paulo argumenta o seguinte: não podemos dizer que pecamos, mas não sabíamos que pecamos. Pecamos e sabíamos (em algum lugar nos recônditos da nossa alma) ou, ao menos, recebemos muitas provas disso. Em resumo, todos são ‘indesculpáveis’ por não glorificar Deus como Deus (1.20-21).

O que Paulo diz é que qualquer pecado pode excluir alguém do reino de Deus, se esse alguém pensa que pode conquistar a salvação por mérito pessoal ou que dispensa a morte reparadora e a ressurreição vivificadora de Jesus. O que Paulo não diz é que todo pecado é igualmente ofensivo a Deus em todos aspectos. O argumento em Romanos 2, por exemplo, não é que os judeus pecam tanto (quantitativamente) ou tão notoriamente quanto (qualitativamente) os gentios de maneira geral. Qualquer judeu, incluindo Paulo, teria rejeitado esta conclusão de imediato. Idolatria (1.19-23) e imoralidade sexual / homossexualidade (1.24-27) não era nem de longe um problema tão grande entre os judeus como o era entre os gentios (evidentemente, ‘os pecados comuns’ de 1.29-31 já eram mais problemáticos). Antes, o argumento é que, embora os judeus pequem menos e de forma menos notória em relação aos gentios de maneira geral, todavia têm mais conhecimento porque têm mais acesso às ‘palavras de Deus’ nas Escrituras (2.17-24; 3.1,4,9-20). Então, tudo fica nivelado, por assim dizer, no que diz respeito à necessidade de receber a obra graciosa de Deus em Cristo (3.21-31).

Paulo, no entanto, não começou a extensa lista de vícios em Romanos 1.18-32 com idolatria e imoralidade sexual (especificamente, prática homossexual) e dedicou tanto espaço para estes dois tipos de pecado (9 versículos, comparados com 4 versículos para todos os outros juntos) só para então demonstrar que todo pecado é igual. Sim, parte do propósito de Paulo ao dar especial atenção aos dois pecados pode ter sido uma armadilha para o seu confiante (e imaginário) interlocutor judeu, apelando aos seus preconceitos antigentílicos. Com certeza, também, podem ter sido exemplos particularmente bons para provar o argumento apresentado em 1.18-20 sobre os humanos suprimirem uma verdade óbvia acerca de Deus e de si mesmos visível nas ‘coisas criadas’ (1.20). Existe, todavia, um terceiro motivo para Paulo dar especial atenção aos dois vícios. Tem a ver com o fato de que Paulo quase sempre começava listas de vícios ou pecadores com idolatria e imoralidade sexual, tanto fazendo a ordem destes dois, em suas palavras dirigidas aos cristãos — não apenas em Romanos 1.18-32. Ele assim o fazia porque considerava idolatria e imoralidade sexual como ofensas particularmente graves (dentro de um conjunto de pecados não incomuns), que não apenas traziam destruição para o povo de Deus, mas também, francamente, ‘irritavam’ a Deus sobremaneira.

Este ponto é reforçado por Paulo com a história das peregrinações de Israel no deserto após deixarem o Egito, história que Paulo discute em 1 Coríntios 10.1-13. O que realmente aborreceu a Deus e precipitou a destruição divina foi a idolatria e imoralidade sexual deles:


Essas coisas aconteceram como exemplo para nós, a fim de que não cobicemos as coisas más, como eles cobiçaram. Não vos torneis idólatras, como alguns deles ... Nem pratiquemos imoralidade, como alguns deles fizeram, e caíram num só dia vinte e três mil. (1 Co 10.6-8, grifo meu)
O fundamento escriturístico da visão de que a prática homossexual é pecado sexual particularmente grave
Pois bem, se os autores bíblicos e Jesus tratam alguns pecados como piores aos olhos de Deus do que outros pecados, será que consideram a prática homossexual como um dos pecados sexuais mais graves? Muitos cristãos que consideram a prática homossexual pecado diriam ‘não’ (obviamente, ‘liberais’ que não veem a prática homossexual como pecaminosa descartariam a questão prontamente.) A seguir vão sete bons argumentos para mostrar por que creio que a resposta à questão é ‘sim’.

(1) Tanto a descrição fortemente desfavorável e a atenção que Paulo dá extensamente à prática homossexual em Romanos 1.24-27 indicam que Paulo considerava a prática homossexual como uma infração particularmente séria da vontade de Deus. Em complemento à idolatria no vetor vertical das relações divino-humanas, Paulo escolheu a ofensa da prática homossexual como seu exemplo principal no vetor horizontal das relações humanas a fim de ilustrar a perversidade humana ao substituir a verdade óbvia de Deus para nossas vidas percebida na criação ou natureza. Faz pouco sentido argumentar que Paulo dedicou mais espaço em Romanos 1.24-27 para falar sobre como a prática homossexual é ‘desonrosa’ ou ‘degradante’, ‘contrária à natureza’, uma ‘indecência’ ou ‘comportamento obsceno/vergonhoso’, e uma ‘recompensa’ adequada ao seu desvio de Deus só com o intuito de mostrar que a prática homossexual não é pior do que nenhum outro pecado. Paulo claramente gastou mais tempo discutindo a idolatria e a prática homossexual porque eram exemplos clássicos e não incomuns da grande depravação humana que somente poderiam ocorrer depois que os seres humanos fechassem os olhos para a verdade ao seu redor. No caso da prática homossexual, os seres humanos teriam de suprimir a evidente complementaridade sexual de homem e mulher (anatomicamente, fisiologicamente, psicologicamente) antes de se envolver em relação sexual com pessoas do mesmo sexo.

(2) O apelo que Jesus fez a Gênesis 1.27 (‘homem e mulher os criou’) e 2.24 (‘o homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher, e eles serão uma só carne’), em suas observações sobre divórcio e recasamento em Marcos 10.6-9 e Mateus 19.4-6, mostra como era importante para Jesus o pré-requisito de homem e mulher para o casamento. Jesus argumentou que a dualidade dos sexos ordenada por Deus na criação era o fundamento para limitar a dois o número de pessoas em união sexual, seja simultaneamente (em contraste com a poligamia) ou sequencialmente (contra o divórcio reiterado e recasamento). Se Jesus considerava homem e mulher como pré-requisito fundamental para extrair outros princípios de ética sexual (isto é, monogamia conjugal e indissolubilidade), não seria uma violação direta do fundamento (prática homossexual) mais grave do que uma violação de princípios construídos a partir daquele fundamento (poligamia, adultério, recasamento após divórcio)?

O argumento segundo o qual Jesus deve ter considerado divórcio e recasamento após divórcio como questões mais sérias (isto é, porque ele explicitamente os critica) perde de vista que Jesus não teve que argumentar contra a prática homossexual no judaísmo do século I, pois a própria ideia de se envolver neste comportamento era impensável para judeus (não há exemplos de judeus em defesa do comportamento, muito menos de judeus envolvidos nele, nos séculos em torno da vida de Jesus). Jesus estava determinado a fechar as brechas remanescentes na ética sexual judaica (outra era o adultério no coração), e não recapitular proibições mais severas já aceitas universalmente pelos judeus. Por exemplo, o fato de que Jesus não disse nada sobre o incesto é indicação de que ele aceitou as fortes restrições da lei levítica. Não é indicação de que considerava o recasamento após divórcio como ofensa igualmente ou mais séria.

(3) Além da exclusão do sexo entre humanos e animais, a exigência de homem e mulher para as relações sexuais é a única mantida absolutamente para o povo de Deus desde a criação até Cristo. A primeira diferenciação humana na criação é a diferenciação entre homem e mulher. Em Gênesis 2.21-24, a criação da mulher é retratada como a extração de uma ‘costela’ ou (melhor) ‘lado’ do ser humano, de modo que homem e mulher são partes de um todo integrado e único. A mulher é retratada como a ‘contrapartida’ ou ‘complemento’ (heb. negdo). O pré-requisito de homem e mulher é, portanto, fundamentado no primeiro ato da criação. Compare a situação com proibições ao incesto: a maioria delas não pôde ser implementada até que a família humana se espalhasse e se tornasse numerosa. Além disso, enquanto se vê uma concessão limitada da poliginia no Antigo Testamento (múltiplas mulheres para homens, mas nunca poliandria, múltiplos esposos para mulheres), subsequentemente revogada por Jesus, e certa concessão limitada nos primórdios de Israel daquilo que posteriormente seria denominado incesto na lei levítica (por exemplo, o casamento de Abraão com sua meia-irmã Sara; o casamento de Jacó com duas irmãs enquanto ambas estavam vivas), não existe absolutamente nenhuma concessão à prática homossexual na história de Israel. Praticamente todas as leis, narrativas, poesias, provérbios, exortações morais e metáforas que lidam com questões sexuais no Antigo Testamento pressupõem o pré-requisito de homem e mulher. As únicas exceções são períodos de apostasia no Israel antigo (por exemplo, a existência de prostitutas cultuais homossexuais, que os narradores bíblicos também classificam como abominação).

Por que não há exceções inegáveis? O motivo é óbvio: o pré-requisito de homem e mulher pertence ao fundamento inviolável, sumamente sagrado a Deus. Poliginia é violação do princípio de monogamia, extrapolando apenas de forma secundária o pré-requisito de homem e mulher. Incesto é violação da exigência de alteridade corpórea, extrapolando apenas de forma secundária a analogia fundamental da alteridade sexual estabelecida na criação. Consequentemente, a prática homossexual é pior do que incesto e poliamor porque (1) é ataque direto ao paradigma sexual instituído no próprio início da criação, ao passo que proibições de incesto e poliamor foram elaboradas apenas de forma secundária, a partir do paradigma homem-mulher; e (2) a prática homossexual, diferentemente de incesto e poliamor, nunca é concretizada por personagens positivos na narrativa do Antigo Testamento nem sancionada pela lei israelita.

(4) Levítico 20 elenca a prática homossexual no primeiro nível de ofensas sexuais (adultério, as piores formas de incesto, e bestialidade, 20.10-16) que são piores do que o segundo nível de ofensas sexuais (20.17-21). Em Levítico 18, embora no resumo conclusivo (Lv 18.26-27,29-30) todas as ofensas sexuais de Levítico 18 sejam rotuladas conjuntamente como ‘abominações’, atos ‘repugnantes’ (to’evoth), apenas a relação sexual entre homens em 18.22 (e 20.13) é especificamente rotulada com o singular to’evah. Fora do Código de Santidade de Levítico 17—24, o termo normalmente é usado para diversas ofensas morais graves (não apenas atos de impureza ritual), incluindo ocasionalmente a prática homossexual (Dt 23.18; 1 Rs 14.24; Ez 16.50; 18.12; provavelmente também Ez 33.26).

(5) Uma trilogia de histórias sobre depravação extrema — o pecado de Cam contra seu pai Noé (Gn 9.20-27), a tentativa de agressão sexual dos visitantes de sexo masculino pelos homens de Sodoma (19.4-11) e a tentativa de agressão sexual do levita que passava por Gibeá (Jz 19.22-25) — apresenta a tentativa ou concretização de um ato de relação sexual entre homens como elemento integral da depravação.

(6) A natureza grave da prática homossexual se confirma amplamente em textos judaicos do período do Segundo Templo e posteriores (para citações, especialmente de Fílon e Josefo, ver meu livro The Bible and Homosexual Practice, pp. 159-183). Os judeus no período greco-romano consideravam a relação sexual entre homens como o exemplo primeiro, ou ao menos como um dos principais exemplos, da impiedade gentílica (por exemplo, Oráculos sibilinos 3; Carta de Aristeas 152). Apenas a bestialidade parece ser classificada como ofensa sexual maior, ao menos dentre os atos ‘consensuais’. Existe certa discordância no judaísmo antigo, discutindo-se se sexo com a própria mãe é pior, comparável ou mais grave. A ausência do registro de um caso específico de relação entre pessoas do mesmo sexo no judaísmo antigo do século V a.C. até cerca de 300 d.C. também testifica a gravidade da ofensa. A propósito da possibilidade de judeus envolver-se nesta prática repugnante, o texto rabínico da Toseftá comenta pura e simplesmente: ‘Israel está acima de qualquer suspeita’ (Quidusim 5.10).

(7) A posição histórica da igreja ao longo dos séculos é que a Bíblia entende a prática homossexual como ofensa sexual extrema. Por exemplo, entre os pais da igreja, Cipriano (200-258) chamou-a de ‘algo indigno até de ver’. João Cristóstomo (344-407) referiu-se a ela como ‘insanidade monstruosa’, ‘prova clara do grau último de corrupção’ e ‘cobiça por algo monstruoso’. Teodoreto de Ciro (393-457) chamou-a de ‘impiedade extrema’. João Calvino, nem um pouco negligente quando se tratava de enfatizar a depravação universal, mesmo assim taxou a prática homossexual de ‘o temível crime da cobiça antinatural’, pior do que ‘desejos bestiais, uma vez que [reverte] toda a ordem da natureza’, além de ‘corrupção viciosa’, ‘feitos monstruosos’ e ‘esse ato abominável’.

 Considerações finais
A Bíblia é clara e coerente nestes quatro pontos:

1) Algumas ordens divinas são mais severas, maiores e mais fundamentais do que outras.

2) Algumas violações, portanto, são maiores do que outras.

3) Violações de ordens maiores são forte indicação de uma alma enferma e de uma vida que nunca foi guiada pelo Espírito ou, então, que agora se desvia da condução do Espírito.

4) Apenas quem é guiado pelo Espírito e anda na luz participa da obra redentora da cruz. Como diz 1 João 1.7: ‘se andarmos na luz, assim como ele está na luz, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado’. O texto não diz: se você creu em Jesus em algum momento de sua vida, o sangue de Cristo o purificará de todo pecado, independentemente de como você se comporte. Diz, porém: ‘se estivermos andando na luz ... o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado’. Não existe nenhuma transferência de pecado para Cristo sem que haja também transferência do ego; nenhuma vida sem morte; nenhum salvação da própria vida sem perdê-la.
Se deparasse com um irmão em Cristo sendo um pouco descontrolado em relação a dinheiro ou questões materiais; começando a ter limites muito lassos em interações com pessoas que lhe possam ser sexualmente interessantes ou começando a ter mais lutas com o desejo sexual em sua mente; ou reclamando demais, provavelmente não concluiria que houvesse algo gravemente errado na vida espiritual daquele irmão. Mas, se descobrisse que aquele mesma pessoa, que se dizia irmão na fé, tinha se tornado ladrão de banco ou estava usando o esquema de pirâmide para faturar em cima da economia alheia; que estava envolvido em caso de adultério ou estava dormindo com sua própria mãe ou tendo relações sexuais com pessoas do mesmo sexo, ficaria um pouco mais preocupado sobre o relacionamento daquela pessoa com Cristo. Por quê? Quanto maiores os pecados, maior a indicação de que a pessoa não vive uma vida guiada pelo Espírito, algo que necessária e naturalmente flui da fé genuína. Será que existe algum cristão que não pensa (corretamente) desta forma?






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1Publicado em 7 de janeiro de 2015. Original disponível em http://www.robgagnon.net/articles/is_homosexual_practice_no_worse.htm. Traduzido por Djair Dias Filho.
2Este artigo é uma versão levemente modificada das páginas 15-25 de um artigo que escrevi em 30 de junho de 2012, intitulado ‘Time for a Change of Leadership at Exodus?’ [Tempo para uma mudança de liderança no ministério Exodus?]. O artigo questionava se Alan Chambers deveria continuar como presidente de Exodus International, um ministério para aqueles que tinham atração por pessoas do mesmo sexo e buscavam ajuda para viver em obediência sexual a Jesus Cristo. Como aquele artigo lidou com uma questão que agora está resolvida (Chambers enfim destruiu Exodus; outro grupo, Restored Hope Network [Rede da Esperança Restaurada], apareceu em seu lugar), esta seção que aborda uma questão atemporal poderia cair no esquecimento.
3Disponível em http://www.christianitytoday.com/ct/2005/january/19.65.html

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Uma perspectiva cristã sobre a homossexualidade

Em tempos de passeata gay em Maringá...


O texto é um pouco longo, mas de excelente conteúdo e fortemente embasado, tenha paciência, leia até o fim, valerá a pena.

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Uma Perspectiva Cristã Sobre a Homossexualidade

William Lane Craig
Neste artigo ele desenvolve uma perspectiva cristã sobre a delicada, e contemporânea, questão da homossexualidade. Originalmente publicado como: "A Christian Perspective on Homosexuality". Texto disponível na íntegra em: http://www.reasonablefaith.org/a-christian-perspective-on-homosexuality.
A tradução foi extraída da obra Apologética para questões difíceis da vida, publicada em 2010 por Edições Vida Nova, e utilizada com autorização.
Uma das questões mais difíceis e importantes que a igreja enfrenta hoje é a questão da homossexualidade como um estilo de vida alternativo. A igreja não pode se esquivar dessa questão. Eventos como o assassinato brutal de Matthew Shepherd, o estudante homossexual, no Wyoming, ou a recente torrente de escândalos envol­vendo sacerdotes pedófilos, que têm sacudido a Igreja Católica, são sufi­cientes para trazer essa questão para o centro dos debates atuais.
Os cristãos que rejeitam a legitimidade do estilo de vida homosse­xual são geralmente taxados de homofóbicos, intolerantes, e até mesmo de odiosos. Por causa disso, a questão do homossexualismo tem provocado uma grande intimidação, ao ponto de algumas igrejas terem aprovado o estilo de vida homossexual e até mesmo aceitado aqueles que o praticam para serem seus ministros.
Não pense que isso tem acontecido apenas em igrejas liberais. Uma organização homossexual, chamada Evangelicals Concerned [Evangélicos Preocupados], é formada por um grupo constituído de pessoas que, para todos os efeitos, são nascidas de novo, creem na Bíblia, mas que também são homossexuais praticantes. Eles alegam que a Bíblia não proíbe a prática homossexual ou que seus mandamentos não são válidos para hoje, uma vez que são apenas reflexo da cultura em que foram escritos. Essas pessoas, apesar de serem ortodoxas com relação a Jesus e a qualquer outra área de ensino, acreditam que é correto ser um homossexual praticante. Lembro-me de ouvir um erudito do Novo Testamento numa conferência profissional relatar a história de sua fala em um dos encontros da Evangelicals Concerned: “As pessoas estavam realmente preocupadas a respeito do que você ia falar”, disse o anfitrião após o encontro. “Por quê?” — ele perguntou surpreso — “Vocês sabem que não sou homofóbico!”. Mas o anfitrião lhe tranquilizou: “Imagina! As pessoas não estavam preocupadas com isso!”. E acrescentou: “Na verdade, elas estavam com medo de que você fosse defender o método histórico-crítico”.
Assim, quem somos nós para dizer que esses cristãos aparentemente sinceros estão errados?
Ora, essa é uma pergunta muito boa. Quem somos nós para dizer que eles estão errados? Tal questionamento suscita uma pergunta ainda mais profunda, que precisa ser respondida antes de tudo: o certo e o errado realmente existem? Antes que você possa determinar o que está certo e o que está errado, você tem de saber se o certo e o errado realmente existem.
Bem, qual é a base para dizer que o certo e o errado existem, e que há realmente uma diferença entre esses dois? Tradicionalmente, a resposta tem sido que a base dos valores morais está em Deus. Deus é, por natureza, perfeitamente santo e bom. Ele é justo, amoroso, pa­ciente, misericordioso, generoso — tudo que é bom vem dele e reflete seu caráter. Ora, a natureza perfeitamente boa de Deus chega até nós em seus mandamentos que se tornam nosso dever moral: por exemplo, “Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, alma e força”, “Amarás ao teu próximo como a ti mesmo”, “Não matarás, não furtarás, não cometerás adultério”. Essas coisas são certas ou erradas com base nos mandamentos de Deus, e os mandamentos de Deus não são arbitrários, mas fluem necessariamente de sua perfeita natureza.
Esse é o entendimento cristão de certo e errado. Há realmente um criador, Deus, que fez o mundo e nos permitiu conhecê-lo. Ele realmente tem ordenado certas coisas. E, de fato, estamos moral­mente obrigados a fazer certas coisas (e não fazer outras). A moralidade não é apenas um produto de sua mente. Ela é real. Quando falhamos em guardar os mandamentos de Deus, realmente nos tornamos, do ponto de vista moral, culpados perante ele e carentes de seu perdão. A questão não está apenas no fato de nos sentirmos culpados; nós realmente somos culpados, a despeito de como nos sentimos. Se tenho uma consciência insensível, uma consciência entorpecida pelo pecado, posso não me sentir culpado; mas, se transgredi a lei de Deus, souculpado, a despeito de como me sinto.
Assim, por exemplo, se os nazistas tivessem vencido a Segunda Guerra Mundial e tivessem tido sucesso em sua lavagem cerebral ou no extermínio de todos que discordassem deles, de forma que todo o mundo pensasse que o Holocausto tinha sido bom, tal atitude ainda assim teria sido errada, porque Deus diz que é errada, a despeito da opinião humana. A moralidade está baseada em Deus, e assim o certo e o errado têm existência real e não são afetados por opiniões humanas.
Tenho enfatizado esse ponto porque ele é muito estranho ao pensamento de uma boa parte das pessoas em nossa sociedade atual. Hoje muitas pessoas encaram o certo e o errado não como uma questão de fato, mas de gosto. Não há uma questão objetiva, por exemplo, em se achar que o brócolis é gostoso. Ele é gostoso para algumas pessoas, mas ruim para outras. Ele pode ser gostoso para você, mas não para mim! As pessoas pensam que o mesmo acontece com os valores morais. Alguma coisa pode ser errada para você, mas certa para mim. Não há nada objetivamente certo ou errado. É apenas uma questão de gosto.
Ora, se Deus não existir, então creio que essas pessoas estão absolu­tamente corretas. Na ausência de Deus, tudo se torna relativo. Assim, o certo e o errado se tornam valores relativos para diferentes culturas e sociedades. Sem Deus, quem pode dizer que os valores de uma cultura são melhores do que os da outra? Quem é que pode dizer quem está certo e quem está errado? De onde vêm o certo e o errado? Richard Taylor, renomado filósofo americano — que, a propósito, não é cristão —, defende esse argumento com veemência. Observe cuidadosamente o que ele diz:
A ideia de obrigação moral está clara o suficiente, desde que subenten­dida a referência a um legislador que esteja acima dos demais. Em outras palavras, nossas obrigações morais podem ser entendidas como obrigações impostas por Deus. Mas o que acontece se esse legislador que está acima dos seres humanos não for mais levado em conta? O conceito de uma obrigação moral ainda faz sentido? 1
Segundo Taylor, a resposta é não. Em suas palavras: “O conceito de obrigação moral é ininteligível quando dissociado da ideia de Deus. As palavras permanecem, mas o significado delas se perde.” 2 E continua dizendo:
Apesar de a era moderna repudiar em maior ou menor grau a ideia de um legislador divino, ela tem tentado manter as ideias do que é certo e errado moralmente, sem perceber que, ao colocar Deus de lado, ela também aboliu o caráter do que significa o certo e o errado. Assim, mesmo pessoas instruídas, algumas vezes, declaram que coisas como a guerra, o aborto ou a violação de certos direitos humanos são moralmente erradas, e imaginam ter dito algo de verdadeiro e significativo. Entretanto, não é preciso que se diga a pessoas instruídas que questões como essas nunca foram respondidas fora do campo da religião. 3
Você consegue compreender o que quer dizer até mesmo um filósofo não cristão como esse? Se não existir Deus, se não existir um legislador divino, então não existe lei moral. Se não existe lei moral, então o certo e o errado não têm existência real. O certo e o errado são apenas costumes e convenções humanos que variam de sociedade para sociedade. Ainda que todos esses costumes e convenções sejam os mesmos, continuam sendo apenas invenções humanas.
Assim, se Deus não existir, o certo e o errado também não existemVale qualquer coisa, inclusive a homossexualidade. Logo, um dos melhores modos de defender a legitimidade do estilo de vida homossexual é se tornar um ateu. Mas o problema é que muitos defen­sores da homossexualidade não querem se tornar ateus. Na verdade, querem afirmar que o certo e o errado existem. Assim, você os ouve fazendo julgamentos morais o tempo todo. Por exemplo: “É errado discriminar os homossexuais”. Esses julgamentos morais não pretendem ser justos em relação a uma dada cultura ou à sociedade. Eles condenariam uma sociedade como a sociedade nazista alemã que lançou homossexuais nos campos de concentração, com judeus e outros marginalizados. Quando o estado do Colorado aprovou uma emenda proibindo direitos especiais para homossexuais, Barbara Streisand promoveu um boicote ao estado, dizendo que o clima moral no estado tinha se tornado “inaceitável”.
No entanto, temos visto que esses juízos de valor não podem ser feitos de modo significativo, a menos que Deus exista. Se Deus não existe, vale qualquer coisa, incluindo a discriminação e a perseguição a homossexuais. Todavia, isso não para por aqui: assassinato, estupro, tortura, abuso infantil — nenhuma dessas coisas seria errada, porque, sem Deus, o certo e o errado não existem. Tudo é permitido.
Assim, se queremos ser capazes de fazer julgamentos morais a respeito do que é certo e do que é errado, temos de afirmar que Deus existe. Contudo, a mesma questão com que iniciamos — “Quem é você para dizer que a homossexualidade é errada?” — pode ser devolvida aos ativistas homossexuais: “Quem são vocês para dizer que a homossexualidade é certa?”. Se Deus existir, então não podemos ignorar o que ele tem a dizer a respeito do assunto. A resposta correta à pergunta “Quem é você para dizer...?” é replicar: “Eu? Não sou ninguém! É Deus quem determina o que é certo e o que é errado. Estou apenas interessado em aprender o que ele diz e obedecer-lhe”.
Deixe-me recapitular o que vimos até aqui. A questão da legitimidade do estilo de vida homossexual está em saber o que Deus tem a dizer a respeito dele. Ora, se não há Deus, então não há certo ou errado, e não faz qualquer diferença o estilo de vida que você escolhe. Por essa perspectiva, aquele que persegue os homossexuais teria a mesma razão daquele que defende a homossexualidade. Contudo, se Deus existir, não mais podemos viver com base em nossas próprias opiniões. Temos que descobrir o que ele pensa sobre a questão.
Assim, como você descobre o que Deus pensa? O cristão diz: olhando na Bíblia. E a Bíblia nos diz que Deus proíbe a prática homosse­xual. Portanto, os homossexuais estão errados.
O raciocínio é basicamente este:
(1) Temos obrigação de fazer a vontade de Deus.
(2) A vontade de Deus está expressa na Bíblia.
(3) A Bíblia condena a prática homossexual.
(4) Logo, a prática homossexual é contrária à vontade de Deus, ou seja, é errada.
Ora, se alguém rejeita esse raciocínio, então tem de negar que (2) a vontade de Deus está expressa na Bíblia ou, ainda, que (3) a Bíblia condena a prática homossexual.
Primeiro, olhemos para o ponto (3): A Bíblia, de fato, condena a prática homossexual? Agora observe como faço a pergunta. Não pergunto, “A Bíblia condena a tendência homossexual?”, mas sim “A Bíblia condena a prática homossexual?”. Essa é uma distinção impor­tante. A tendência homossexual é um estado ou uma orientação; uma pessoa que tem uma orientação homossexual pode jamais vir a expressá-la na prática. Em contrapartida, uma pessoa pode praticar atos homossexuais mesmo tendo uma orientação heterossexual. O que a Bíblia condena é a prática, e não a orientação homossexual em si. Essa ideia de alguém ser homossexual por orientação é característica da psicologia moderna e pode ter sido desconhecida das pessoas no mundo antigo. O que elas conheciam eram as práticas sexuais, e é isso o que a Bíblia condena.
Ora, isso tem inúmeras implicações. No final das contas, pouco importa o debate para saber se a tendência homossexual é algo com o qual o ser humano nasce ou é fruto do ambiente em que a pessoa foi criada. O mais importante não é saber como você adquiriu sua orientação sexual, mas o que você faz com ela. O que alguns defensores da homossexualidade mais querem provar é que seus genes, e não sua educação, determinam se você é homossexual — porque, assim, a prática homossexual seria vista como normal e correta. Entretanto, essa conclusão não procede. O simples fato de você ter uma predisposição genética para alguma prática não significa que tal prática seja moralmente correta. A título de exemplo, alguns pesquisadores suspeitam que pode haver um gene que predispõe algumas pessoas ao alcoo­lismo. Isso significa que é correto para alguém, com tal predisposição, sair e beber o quanto quiser e se tornar um alcoólatra? Obviamente não! Se há alguma coisa que podemos fazer é alertar essa pessoa a se abster do álcool para evitar que isso aconteça. Ora, a verdade nua e crua é que nós não entendemos plenamente os papéis da hereditariedade e do ambiente na constituição da homossexualidade. Mas isso realmente não importa. Ainda que a homossexualidade fosse de caráter completamente genético, esse fato isolado não a torna diferente em nada de um defeito de nascimento, como a fenda palatina ou a epilepsia. Ou seja, isso não significa que seja normal e que não devamos tentar corrigi-la.
De qualquer modo, tanto faz se a tendência homossexual resulta da genética ou da educação, o fato é que as pessoas geralmente não optam por ser homossexuais. Muitos homossexuais relatam o quanto é angustiante descobrir-se com esses desejos e como é difícil lutar contra eles. Eles certamente lhe diriam que nunca escolheriam ser homossexuais. Veja, a Bíblia não condena uma pessoa que tem essa tendência homossexual. O que ela condena é a prática homossexual. É plenamente possível alguém lutar contra sua tendência homossexual e ser um nascido de novo, um cristão cheio do Espírito.
Exatamente como um alcoólatra que, deixando de beber, chega a uma reunião dos Alcoólicos Anônimos e diz “Sou um alcoólatra”, alguém que possua uma tendência homossexual, e que não a tem colocado em prática, mantendo-se casto, deve ser capaz de dizer numa reunião de oração: “Sou alguém que luta contra a tendência homossexual, e que, pela graça de Deus e pelo poder do Espírito Santo, tem vivido castamente por Cristo”. Espero que tenhamos a coragem e o amor para dar boas-vindas a essa pessoa como um irmão ou uma irmã em Cristo.
Assim, uma vez mais, a questão é: a Bíblia condena a prática homossexual? Lógico, eu já disse que ela condena. A Bíblia é tão voltada para a realidade! Pode ser que você não esperasse que um assunto como a prática homossexual fosse tratado na Bíblia, mas, na verdade, há seis lugares na Bíblia — três no Antigo Testamento e três no Novo Testamento — em que essa questão é tratada — isso sem mencionar todas as passagens que tratam do casamento e da sexualidade e que têm implicações para essa questão. Em todas as seis passagens, as práticas homossexuais são inequivocamente condenadas.
Levítico 18.22 diz que é uma abominação para um homem deitar-se com outro homem como se fosse uma mulher. Em Levítico 20.13, a pena de morte é prescrita em Israel para tal ato, assim como nos casos de adultério, incesto e bestialidade. Ora, algumas vezes os defensores do homossexualismo equiparam essas proibições às proibições contra animais imundos, como os porcos, relatadas no Antigo Testamento. Como os cristãos de hoje não obedecem a todas as leis cerimoniais do Antigo Testamento, assim, dizem eles, não temos de obedecer às proibições referentes às práticas homossexuais. Mas o problema com esse argumento é que o Novo Testamento reafirma a validade das proibições do Antigo Testamento com respeito à prática homossexual, como veremos a seguir. Isso mostra que as proibições não eram apenas parte das leis cerimoniais do Antigo Testamento, as quais foram deixadas de lado, mas eram parte da lei moral perene de Deus. A prática homossexual é, aos olhos de Deus, um pecado sério. Outra passagem em que as práticas homossexuais são mencionadas no Antigo Testamento está em Gênesis 19, um terrível relato sobre a tentativa de estupro dos visitantes de Ló por parte dos homens de Sodoma, da qual a nossa palavra sodomia se deriva. Deus destruiu a cidade de Sodoma por causa da impiedade deles.
Como se isso não bastasse, o Novo Testamento também proíbe a prática homossexual. Em 1Coríntios 6.9-10, Paulo escreve: “Não sabeis que os injustos não herdarão o reino de Deus? Não vos enganeis: nem imorais, nem idólatras, nem adúlteros, nem os que se submetem a práticas homossexuais, nem os que as procuram, nem ladrões, nem avarentos, nem bêbados, nem caluniadores, nem os que cometem fraudes herdarão o reino de Deus”. (Como eu disse, a Bíblia é muito voltada para a realidade!). A segunda vez em que a palavra “homossexuais” aparece listada é em 1Timóteo 1.10, junto a imorais, sequestradores, mentirosos, assassinos. Tais práticas são “contrárias” à sã doutrina do evangelho. O tratamento mais longo dispensado à prática homossexual aparece em Romanos 1.24-28. Ali Paulo fala a respeito de como as pessoas se afastaram do Deus Criador e começaram a adorar deuses falsos que eles próprios fabricaram. Paulo diz:
É por isso que Deus os entregou à impureza sexual, ao desejo ardente de seus corações, para desonrarem seus corpos entre si; pois substituíram a verdade de Deus pela mentira e adoraram e serviram à criatura em lugar do Criador, que é bendito eternamente. Amém. Por isso, Deus os entregou a paixões desonrosas. Porque até as suas mulheres substituíram as relações sexuais naturais pelo que é contrário à natureza. Os homens, da mesma maneira, abandonando as relações naturais com a mulher, arderam em desejo sensual uns pelos outros, homem com homem, cometendo indecência e recebendo em si mesmos a devida recompensa do seu erro.  Assim, por haver rejeitado o conhecimento de Deus, foram entregues pelo próprio Deus a uma mentalidade condenável para fazerem coisas que não convêm.
Os acadêmicos liberais têm feito acrobacias para tentar esquivar-se do sentido claro desses versículos. Alguns têm dito que Paulo está somente condenando a prática pagã de homens que exploram sexualmente garotos. Mas tal interpretação é obviamente errônea, visto que o que Paulo condena, nos versículos 24 e 27, são os atos homossexuais praticados por “homem com homem”. No verso 26, ele fala também de lesbianismo. Outros acadêmicos têm dito que Paulo está somente condenando heterossexuais que se envolvem em práticas homossexuais, mas não condenando os homossexuais que as praticam. Mas essa inter­pretação é fantasiosa e anacrônica. Já dissemos que foi somente nos tempos modernos que a ideia de orientação homossexual ou hete­rossexual se desenvolveu. O que Paulo está condenando são as práticas homossexuais, a despeito da orientação. Em função do pano de fundo do Antigo Testamento para essa passagem, assim como do que Paulo diz em 1Coríntios 6.9-10 e 1Timóteo 1.10, fica claro que Paulo está aqui proibindo todos esses atos. Ele vê essa prática como evidência de uma mente corrompida que se afastou de Deus e foi abandonada por ele à degeneração moral.
Assim, a Bíblia é direta e clara quando trata a respeito da prática homossexual. Esta é contrária ao desígnio de Deus e é pecado. Mesmo se não houvesse essas passagens explícitas tratando das práticas homosse­xuais, estas ainda seriam proibidas sob o mandamento “não adulterarás”. O plano de Deus para a atividade sexual humana restringe a prática ao casamento: qualquer atividade sexual fora da segurança do laço do casamento — seja pré-conjugal ou extraconjugal, seja heterossexual ou homossexual — é proibida. O sexo é designado por Deus para o casamento.
Alguém poderia dizer que, se Deus pretendesse que o sexo fosse exclusivo para o casamento, então era só deixar acontecer o casamento entre homossexuais e eles não estariam cometendo adultério! Mas essa sugestão entende de modo completamente errado a intenção de Deus para o casamento. A história da criação em Gênesis nos diz como Deus fez a mulher para ser uma companheira idônea para o homem, o seu perfeito complemento proporcionado por Deus. Então, o texto diz: “Portanto, o homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher, e eles serão uma só carne” (Gn 2.24). Esse é o padrão de Deus para o casamento, e no Novo Testamento Paulo cita essa passagem, dizendo: “Esse mistério é grande, mas eu me refiro a Cristo e à igreja” (Ef 5.32). Paulo diz que a união entre o homem e sua esposa é um símbolo vivo da unidade de Cristo com seu povo, a igreja. Quando pensamos nisso, podemos ver que terrível sacrilégio e que zombaria do plano de Deus é a união homossexual. Esta é um ataque frontal à intenção de Deus para a humanidade desde o momento da criação.
O que foi dito, anteriormente, também mostra quão tolas são algumas ideias dos defensores do homossexualismo. Alguns deles dizem: “Jesus nunca condenou a prática homossexual, por que nós deveríamos condená-la?”. Jesus não mencionou especificamente muitas coisas que sabemos serem erradas, como a brutalidade e a tortura, mas isso não significa que ele as tenhaaprovado. O que Jesus realmente faz é citar Gênesis para afirmar o padrão de Deus para o casamen­to, como a base de seu próprio ensino sobre o divórcio. Em Marcos 10.6-8, ele diz: “Mas desde o princípio da criação, Deus os fez homem e mulher. Por isso o homem deixará seu pai e sua mãe [e se unirá à sua mulher]; e os dois serão uma só carne. Assim, já não são mais dois, porém uma só carne.” O fato de dois homens se tornarem uma só carne numa relação homossexual seria uma violação da ordem criada e do plano de Deus. Ele criou homem e mulher, não dois homens ou duas mulheres, para serem indissoluvelmente unidos em casamento.
Recapitulando: a Bíblia, de forma clara e consistente, proíbe a prática homossexual. Assim, se a vontade de Deus está expressa na Bíblia, conclui-se que a prática homossexual é contrária à vontade de Deus.
Mas suponha que alguém negue o ponto (2) — que a vontade de Deus está expressa na Bíblia. E suponha que essa pessoa diga que as proibições contra a prática homossexual eram válidas para aquele tempo e para aquela cultura, mas não são mais válidas hoje. Afinal de contas, a maioria de nós provavelmente concordaria que certos mandamentos na Bíblia são relativos à cultura. Por exemplo, a Bíblia diz que as mulheres cristãs não deveriam usar joias, e os homens não deveriam usar cabelos longos. Porém, ainda que esses mandamentos tenham um núcleo válido que independe de conotação temporal — como, por exemplo, a ordem de vestir-se modestamente —, a maioria de nós diria que esse núcleo essencial pode ser expresso de diferentes formas em diferentes culturas. Do mesmo modo, algumas pessoas dizem que as proibições da Bíblia contra a prática homossexual não são mais válidas para o nosso tempo.
Contudo, creio que essa objeção apresenta um equívoco muito sério. Não há evidência de que os mandamentos de Paulo a respeito das práticas homossexuais sejam culturalmente relativos. Longe de ser um reflexo da cultura em que ele escreveu, os mandamentos de Paulo são completamente contraculturais! A prática homossexual era tão difundida nas antigas sociedades grega e romana como é hoje nos Estados Unidos, e, todavia, Paulo se posicionou contra a cultura e se opôs a ela. Mais importante ainda, temos visto que as proibições da Bíblia contra a prática homossexual não estão enraizadas na cultura, mas no padrão dado por Deus para o casamento estabelecido na criação. Não se pode negar que a proibição bíblica das relações homossexuais expressa a vontade de Deus, a menos que também se negue que o casamento, tal como é concebido pela Bíblia, expressa a vontade de Deus.
Bem, vamos supor que alguém diga: “Creio em Deus, mas não no Deus da Bíblia. Assim, não creio que a Bíblia expresse a vontade de Deus”. O que dizer a tal pessoa?
Parece-me que há dois modos de responder a essa questão. Em primeiro lugar, você poderia tentar mostrar que Deus se revelou na Bíblia. Essa é a tarefa da apologética cristã. Você poderia falar a respeito da evidência da ressurreição de Jesus ou das profecias cumpri­das. A Escritura realmente nos ordena, como cristãos, a ter tal defesa pronta a fim de que sejamos capazes de compartilhar o porquê de crermos do jeito que cremos com qualquer pessoa que nos pergunte (1Pe 3.15).
Em segundo lugar, você poderia tentar mostrar que a prática homossexual é errada, apelando para verdades morais geralmente aceitas — mesmo por pessoas que não creem na Bíblia. Apesar de essa abordagem ser mais difícil, creio que ela seja crucial uma vez que, como cristãos, devemos impactar nossa cultura contemporânea. Vivemos numa sociedade cada vez mais secularizada, cada vez mais pós-cristã. Não podemos simplesmente apelar para a Bíblia se queremos influen­ciar os legisladores ou as escolas públicas, ou outras instituições, porque a maioria do povo não mais crê na Bíblia. Precisamos dar razões que tenham um apelo mais amplo.
Por exemplo, creio que muitas pessoas concordariam com o princípio de que é errado envolver-se em uma prática autodestrutiva, porque tal prática destrói o ser humano que é valioso em si mesmo. Assim, penso que muitas pessoas diriam que é errado se tornar um alcoólatra ou um fumante inveterado. Diriam que é bom comer de forma correta e ser saudável. Além disso, acredito que quase todo mundo concordaria com o princípio de que é errado se envolver em práticas que prejudiquem outra pessoa. Por exemplo, restringimos o fumo a certas áreas ou o banimos de outras áreas, de forma que outras pessoas não tenham de inalar a fumaça, tornando-se fumantes passivos. Aprovamos leis contra a prática de beber ao dirigir um veículo, para evitar que pessoas inocentes sejam feridas. Quase todo mundo concorda que você não tem o direito de se envolver numa prática que seja nociva a outro ser humano.
Contudo, não é difícil mostrar que a prática homossexual é uma das práticas mais autodestrutivas e nocivas com a qual alguém pode se envolver. Mas esse fato não é amplamente divulgado. Hollywood e a mídia estão inflexivelmente inclinados a dar uma cara de felicidade às relações homossexuais, quando na realidade o homossexualismo é um estilo de vida autodestrutivo, ilegítimo e perigoso, exatamente como o alcoolismo e o tabagismo, que são viciantes e autodestrutivos. As estatísticas consistentes que vou compartilhar com vocês são fartamente documentadas pelo Dr. Thomas Schmidt em seu notável livro Straight and Narrow? [Hetero e medíocre?]. 4
Para começar, há uma promiscuidade quase compulsiva associada à prática homossexual. Por exemplo, 75% dos homens homossexuais têm mais de 100 parceiros durante sua vida. Mais da metade desses parceiros são estranhos. Somente 8% de homens homossexuais e 7% das mulheres homossexuais têm tido relacionamentos que duram mais de três anos. Ninguém sabe a razão para essa promiscuidade estranha e obsessiva. Pode ser que os homossexuais estejam tentando satisfazer uma profunda necessidade psicológica por meio de relações sexuais, e não estejam conseguindo. A média dos homens homossexuais tem mais de 20 parceiros num ano. De acordo com o Dr. Schmidt:
...estatisticamente falando, é quase inexpressivo o número de homens homossexuais que experimentam algo parecido com fidelidade para a vida toda.
A promiscuidade entre os homens homossexuais não é um mero estereótipo, e não é meramente a experiência mais importante — é virtualmente a única experiência... a fidelidade para a vida toda é quase inexistente na experiência homossexual. 5
Associado a essa promiscuidade compulsiva, difunde-se, entre os homossexuais, o uso de drogas como um meio de intensificar suas experiências sexuais. Em geral, os homossexuais representam um número três vezes maior do que a população que tem problemas com alcoolismo. Estudos mostram que 47% dos homossexuais masculinos têm em seu histórico de vida o uso excessivo de álcool, e 51%, uso excessivo de drogas. Há uma correlação direta entre o número de parceiros e a quantidade de drogas consumidas.
Além disso, de acordo com Schmidt, “há uma evidência avassaladora de que certos distúrbios mentais ocorrem com frequência muito mais elevada entre homossexuais.”6 Por exemplo, 40% dos homens homossexuais apresentam um histórico de depressão profunda. Esse número ainda se torna mais impressionante quando comparado com o dado de que apenas 3% dos homens em geral enfrentam o problema de depressão profunda. De modo semelhante, 37% das mulheres homossexuais apresentam um histórico de depressão. Tal fato, por sua vez, resulta no aumento das taxas de suicídio. Os homossexuais são 3 vezes mais inclinados a praticar o suicídio do que a população em geral. De fato, homens homossexuais têm tentado o suicídio seis vezes mais do que homens heterossexuais, e mulheres homossexuais tentam o suicídio duas vezes mais do que mulheres heterossexuais. A depressão e o suicídio não são os únicos problemas. Estudos mostram que homens homossexuais têm mais tendência a ser pedófilos do que homens heterossexuais. Quaisquer que sejam as causas dessas desordens, permanece o fato de que qualquer um que tem ponderado sobre o estilo de vida homossexual não deve ter ilusões a respeito do problema em que está se metendo.
Outro dado não revelado diz respeito ao quanto a prática homosse­xual é fisicamente perigosa. Não vou descrever as espécies de atividades sexuais praticadas pelos homossexuais, mas apenas me permita dizer que os corpos, tanto masculino quanto o feminino, foram anatomicamente feitos para a relação sexual, o que não acontece com os corpos de dois homens. Em decorrência disso, a atividade homossexual — 80% da qual é praticada por homens — é muito destrutiva, resultando futuramente em problemas tais como dano à próstata, úlceras e fissuras, incontinência crônica e diarreia.
Além desses problemas físicos, as doenças sexualmente trans­missí­­veis são preponderantes entre a população homossexual. Por exemplo, 75% dos homens homossexuais são portadores de uma ou mais doenças sexualmente transmissíveis, e isso sem mencionar a aids. Elas incluem todas as espécies de infecções não virais como: gonorreia, sífilis, infecções bacterianas e parasitas. Também são bem comuns entre os homossexuais as infecções virais como a herpes e a hepatite B (que afligem 65% dos homens homossexuais), que são incuráveis, e como a hepatite A e as verrugas anais, que afligem 40% dos homens homossexuais. E isso sem mencionar a aids! Talvez a estatística mais estarrecedora e mais amedrontadora seja a da expectativa de vida: deixando de lado aqueles que morrem de aids, a expectativa de vida de um homem homossexual é de aproximadamente 45 anos, o que já é assustador, levando-se em consideração o fato de que a expectativa de vida de homens em geral é de 70 anos. Agora, se você incluir aqueles que morrem de aids, cuja estatística é de 30% dos homens homossexuais, a expectativa de vida cai para 39 anos.
Assim, creio que uma boa argumentação pode ser feita com base nos princípios morais geralmente aceitos de que a prática homossexual é errada. Ela é terrivelmente autodestrutiva e prejudicial. Assim, deixando de lado a proibição da Bíblia, há razões concretas e palpáveis para se considerar a atividade homossexual como errada.
Ora, tais informações têm implicações muito importantes para a política pública em relação à prática homossexual, visto que as leis e políticas públicas estão baseadas em tais princípios morais geralmente aceitos. Essa é a razão pela qual, por exemplo, nós temos leis regulando a venda de álcool de vários modos, leis proibindo o jogo ou regras restrin­gindo o fumo. Essas restrições sobre a liberdade individual são impostas para o bem comum. Do mesmo modo, em alguns estados americanos, como o estado da Geórgia, temos leis proibindo a sodomia. Embora tal lei seja indubitavelmente não compulsória, ela pode ser considerada justificável à luz dos riscos à saúde impostos por tal conduta.
Por outro lado, leis compulsórias que regulamentem a homosse­xualidade poderiam ser propostas, e os cristãos terão de pensar seria­mente a respeito delas em termos individuais. Por exemplo, um cristão pode não ver uma boa razão pela qual não se deva garantir igualdade de oportunidade na compra ou aluguel de uma casa por pessoas homossexuais. Contudo, é perfeitamente possível imaginar que um cristão se oponha a uma proposta de lei que garanta igualdade de oportunidades de emprego a homossexuais. Isso porque alguns empregos podem não ser adequados a homossexuais. Por exemplo, como você lidaria com a possibilidade de uma lésbica praticante ser a professora de educação física de sua filha na escola? Como você reagiria se o técnico de seu filho, que frequenta o mesmo lugar onde seu filho troca de roupa com outros meninos, fosse um homossexual? Particularmente, eu não apoiaria uma lei que pudesse levar as escolas públicas a contratar essas pessoas.
Além do mais, deveriam as aulas sobre saúde nas escolas públicas ensinar que o homossexualismo é um estilo de vida legítimo? Deveriam os alunos receber leituras como Heather Has Two Mommies? [Heather tem duas mamães?]. Deveriam as uniões homossexuais obter o mesmo reconhecimento legal dos casamentos heterossexuais? Deveria ser permitida a adoção de crianças por homossexuais? Em todos esses casos, alguém poderia argumentar a favor de certas restrições à liberdade dos homossexuais com base no bem comum e na saúde pública. Isso não é uma questão de impor valores pessoais de uns sobre outros, visto que se baseia nos mesmos princípios morais geralmente aceitos que são usados, por exemplo, para proibir o consumo de drogas ou aprovar leis sobre o uso de armas de fogo. Liberdade não significa licença para se envolver em ações que prejudiquem outras pessoas.
Em síntese, vimos, em primeiro lugar, que o certo e o errado têm existência real, uma vez que se baseiam em Deus. Assim, se queremos descobrir o que é certo ou errado, devemos olhar o que Deus diz sobre o assunto. Em segundo lugar, vimos que a Bíblia, de forma clara e consistente, proíbe as práticas homossexuais, exatamente como proíbe todos os atos sexuais fora do casamento. Em terceiro lugar, vimos que a proibição que a Bíblia faz de tal prática não pode ser descartada apenas levando em conta o tempo e a cultura em que ela foi escrita, pois está baseada no plano de Deus para o casamento entre homem e mulher. Além do mais, mesmo deixando a Bíblia de lado, há princípios morais geralmente aceitos que indicam que a prática homossexual é errada.
Ora, que aplicação prática cada um de nós pode fazer sobre tudo isso que refletimos?
Primeiro, se você é um homossexual ou tem essa tendência, mantenha-se casto. Você deve se abster de toda prática sexual. Sei que isso é difícil, mas na verdade o que Deus tem lhe pedido para fazer é exa­­tamente a mesma coisa que ele exige de todas as pessoas solteiras. Isso significa manter não somente a pureza do corpo, mas em especial da mente. Exatamente como os homens heterossexuais devem evitar a pornografia e a fantasia sexual, você também precisa manter limpo seu pensamento. Resista à tentação de racionalizar o pecado, dizendo: “Deus me fez assim”. Deus deixou muito claro que não quer que você faça as suas vontades, mas quer que você o honre, mantendo sua mente e seu corpo puros. Procure aconselhamento cristão profissional. Com tempo e esforço, pode ser que você venha a sentir prazer em relações heterossexuais normais. Há esperança!
Segundo, para os que são heterossexuais, é preciso lembrar mais uma vez que a tendência homossexual, em si, não é pecado. A maio­ria dos homossexuais não escolheu tal orientação e gostaria de mudá-la, se pudesse. Precisamos aceitar e acolher irmãos e irmãs que têm lutado contra essa tendência. Precisamos estender o amor e o perdão de Deus às pessoas que enfrentam esse problema. Palavras vulgares ou piadas a respeito de homossexuais nunca deveriam passar pelos lábios de um cristão. Se você sente prazer quando alguma aflição sobrevém a uma pessoa homossexual ou se sente ódio em seu coração em relação aos homossexuais, então você precisa refletir muito sobre as palavras de Jesus registradas em Mateus: “no dia do juízo, haverá menos rigor para a terra de Sodoma e Gomorra do que para aquela cidade” (ver Mt 10.15; 11.24).


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