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sábado, 29 de setembro de 2018

História

A despeito dos preconceitos e dos equívocos teológicos dos evangelistas, eles documentaram muitos incidentes que meros inventores teriam escondido - a competição dos apóstolos por uma posição mais elevada no Reino, sua fuga depois que Jesus foi preso, a negação de Pedro, o fato de Jesus não realizar milagres na Galiléia, as referências de alguns ouvintes à sua possível loucura, sua incerteza inicial quanto a missão, suas confissões de ignorância quanto ao futuro, seus momentos de amargura, seu grito de desespero na cruz - ninguém que lê essas cenas pode duvidar da realidade da figura por trás delas. Que alguns homens simples pudessem, em uma geração, inventar uma personalidade tão poderosa e atraente, tão altaneira e ética, e uma visão de fraternidade humana tão inspiradora, seria um milagre mais inacreditável do que qualquer outro documento nos evangelhos. Após dois séculos da alta crítica, os contornos da vida, do caráter e do ensinamento de Cristo permanecem razoavelmente claros e constituem o fator mais fascinante na história do homem ocidental.

Will Durant - historiador 



sábado, 24 de março de 2018

fazer discípulos!




Jesus nos disse claramente o que devemos fazer. Temos um manual, como o do proprietário de um carro. Ele nos disse que, como discípulos, devemos fazer discípulos - e não convertidos ao cristianismo ou a um tipo específico de "fé e prática". Ele não ordenou que providenciássemos para que as pessoas pudessem "entrar no céu" ou "ter parte nos benefícios" depois da morte, nem que eliminássemos as diversas formas brutais de injustiça, tampouco que criássemos e mantivéssemos igrejas "bem sucedidas". Todas essas coisas são boas, e ele falou sobre cada uma delas. Com certeza se concretizarão se - e apenas se - formos (seus aprendizes constantes) e fizermos (outros aprendizes constantes) aquilo que ele ordenou que fôssemos e fizéssemos. Se nos ativermos a isso, não importará muito o que mais faremos ou deixaremos de fazer.

A grande omissão.- Dallas Willard



sábado, 5 de julho de 2014

Niver de casamento - a família no plano de Deus.


A família no plano de Deus

"Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que edificam...” (Sl. 127.1).


É possível!

A palavra casa, neste verso não tem um significado físico, mas sim uma de uma "casa–família", isto é, um lugar de comunhão, composto de vários membros, ligados por um relacionamento entre pais e filhos, marido e esposa.

A presença de Deus, como construtor, no seio da família, é de real importância, porque não pode haver uma felicidade duradoura sem uma ajuda constante de Deus.

A prioridade absoluta afim que a "casa-família" possa no tempo, manter o amor, a unidade e a prosperidade, não depende só das condições econômicas ou da capacidade humana em administrá-la, mas sim do ensinamento dos princípios fundamentais bíblicos e da presença de Deus. Pode parecer impossível, porém esta é uma realidade: às vezes alguém quer que Deus opere em sua vida, sem que esta mesma operação seja extensiva à sua casa, mas, Deus quer abençoar-nos individualmente, mas muito mais coletivamente. Vivemos em um mundo, onde o matrimônio não é considerado mais como instituição divina, e as pessoas vêm a família apenas como instituição social, com propósitos e finalidades egoístas e sem sérios compromissos, podendo iniciar e findar em qualquer tempo, esquecendo-se das profundas feridas que permanecerão abertas até o fim das vidas envolvidas.


A família faz parte do plano de Deus para o homem. Deus formou a família no jardim do Éden e fez com que o primeiro casal tivesse alegria, e mais, o privilégio de gerar e criar filhos. O profeta Malaquias (2:15) reafirma um dos propósitos de Deus na família: a procriação de filhos piedosos que temem e obedecem ao Senhor. Através do Antigo Testamento, e de modo especial em Deuteronômio, Deus orienta seu povo a respeito de como os pais devem educar, instruir e guiar os seus filhos.

A família é uma das boas dádivas de Deus. A vida familiar pode e deve ser como um paraíso na terra. Deus há fez assim. É possível! O segredo do sucesso è simples: obedecer a Deus e seguir as suas instruções. Não esquecendo do Salmos 119.105 "Lâmpada para os meus pés é a tua palavra, e luz para o meu caminho".


A família deve viver diariamente momentos de comunhão, proporcionando aos seus membros:

1° Formação física: através da convivência, dos bons exemplos, é que se desenvolve o corpo a personalidade e o caráter, harmoniosamente. A família, além de alimentar o corpo, deve alimentar também a alma.

2° Informação: Os valores morais e espirituais são passados aos filhos e estes lhes servem para o desenvolvimento da vida, valores que são eternos.

3° Dialogo: é essencial conversar sobre os ideais, sobre os anseios e tristezas, vitórias e alegrias, as experiências do dia a dia, vida escolar, profissional, o que se vê e o que se ouve, tem no lar o melhor ambiente para serem analisados, sempre com muito temor a Deus.

4° Troca de experiências: não só os filhos devem aprender com os pais, mas também os pais com os filhos as experiências vividas no dia a dia, selecionando-as, e aplicando-as para o bem estar de todos.

5° Momentos de lazer e recordações: a família precisa gozar juntos, dos momentos de passeios e recordações, de passagens familiares que não podem ser esquecidos, conservando assim a sua própria história.

6° Ensino sobre a fé: são momentos de comunhão com Deus, onde Ele è exaltado e o nome de Jesus é proclamado. Cânticos, orações e estudos bíblicos, em família, enriquece a todos.

Sabemos que muitas são as barreiras encontradas na vida familiar: o corre-corre do dia a dia, filhos abandonados ao seu próprio destino, desvalorização da convivência familiar, o egoísmo, a interferência da televisão e outros meios de comunicação, o consumimos, a perda dos conceitos divinos estabelecidos para a família, etc.

Mas, com tudo isto, nós, cristãos somos chamados a fazer do nosso lar, um lugar onde o Espírito Santo tenha a primazia em nossas vidas, e que todos os membros da família trabalhe pela felicidade um do outro, harmoniosamente, agradando a Deus e vivendo melhor, é possível!

Agradeço a Deus por minha esposa e filhos... pelos 23 anos de casado que completo hoje (06 de julho), pelo crescimento que esta relação familiar, dentro da vontade de Deus, produziu em minha vida e, por poder dizer: "Eu e minha casa SERVIMOS ao Senhor!"


terça-feira, 23 de abril de 2013

Os guardas do túmulo


Os guardas do túmulo

William Lane Craig
A narrativa de Mateus sobre a guarda junto ao túmulo de Jesus é amplamente considerada como lenda apologética. Embora algumas das razões dadas em apoio a esse julgamento não sejam importantes, duas são mais sérias: (1) a história é encontrada somente em Mateus e (2) a história pressupõe que Jesus previu sua ressurreição e que somente os líderes judeus compreenderam aquelas predições. Mas a ausência da história nos outros Evangelhos pode ser devida à falta de interesse deles em polêmica judaico-cristã. Não há boas razões para se negar que Jesus predisse sua ressurreição e, nesse caso, a segunda objeção se torna basicamente um argumento a partir do silêncio. Do lado positivo, a historicidade da narrativa é apoiada por duas considerações: (1) como apologia, a história não é resposta infalível à acusação de rapto do corpo e (2) uma reconstrução da história de tradição que subjaz à polêmica judaico-cristã torna improvável a ficcionalidade dos guardas.
Originalmente publicado como: "The Guard at the Tomb", New Testament Studies 30 (1984): 273-81. Texto reproduzido na íntegra em reasonablefaith.org/site/News2?page=NewsArticle&id=5211. Trad. Djair Dias Filho (maio-junho/2009).


Dentre os Evangelhos canônicos, somente Mateus relata a intrigante história da colocação de guardas junto ao túmulo de Jesus (Mt. 27.62-66; 28.4, 11-15). A história serve para propósito apologético: a refutação da alegação de que os próprios discípulos tinham roubado o corpo de Jesus e, assim, forjaram sua ressurreição. Por trás da história, como Mateus a conta, parece haver uma história de tradição de polêmica judaica e cristã, um padrão de afirmação e contra-afirmação, em desenvolvimento:2
Cristão: 'O Senhor ressuscitou!'
Judeu: 'Não, os discípulos roubaram o corpo.'
Cristão: 'Os guardas junto ao túmulo teriam evitado tal roubo.'
Judeu: 'Não, os discípulos roubaram o corpo enquanto os guardas dormiam.'
Cristão: 'Os principais sacerdotes subornaram os guardas para dizer isso.'
Embora, dentre os quatro evangelistas, somente Mateus mencione os guardas junto ao túmulo (João menciona os guardas em conexão com a prisão de Jesus; cf. Mc. 14.44), o Evangelho de Pedro também relata a história dos guardas do túmulo, e sua narrativa pode muito bem ser independente de Mateus, já que as similaridades verbais são praticamente nulas3.
Conforme a versão de Mateus, no sábado — ou seja, no Sabá —, que ele estranhamente circunavega chamando-o de o dia depois do dia da Preparação, os principais sacerdotes e fariseus pediram a Pilatos uma guarda para proteger o túmulo, a fim de impedir os discípulos de roubarem o corpo e, assim, de "cumprir-se" a predição de Jesus sobre ressuscitar ao terceiro dia. Pilatos disse-lhes: "Tendes uma guarda; ide e dai-lhe a segurança que puderdes". Não fica claro se isso significa que Pilatos lhes deu uma guarda romana ou se lhes falou para usar sua própria guarda do templo. O Evangelho de Pedro emprega uma guarda romana, mas isso é provavelmente inserido na tradição e pode ter sido concebido para enfatizar a força da guarda. Caso se queira mencionar uma consideração psicológica, Pilatos provavelmente estaria, a essa altura, tão enojado com os judeus que pode muito bem ter-lhes repelido; mas lendas não conhecem quaisquer limites psicológicos. Se Pilatos repeliu os judeus, pode-se, então, questionar por que essa parte da história foi contada, de qualquer maneira; mas, se os judeus realmente foram até Pilatos, talvez, então, esse detalhe foi lembrado. Se Pilatos lhes deu uma guarda, é estranho que Mateus não tenha tornado isso explícito, como o fez o Evangelho de Pedro, uma vez que fortaleceria sua apologética. O fato de que os guardas retornaram aos principais sacerdotes é evidência de que se pretende uma guarda judaica; contraste com o Evangelho de Pedro, em que a guarda romana relata a Pilatos os eventos que ocorreram junto ao túmulo. A menção do governador no v. 14 pode indicar uma guarda romana; mas, no caso, não estaria claro como os judeus poderiam fazer algo para livrá-los do problema. O fato de que os guardas romanos poderiam ser executados, ao dormirem durante a vigia, e o aceitar suborno poderiam, ainda mais, apontar para uma guarda judaica. No Evangelho de Pedro, o suborno e a história do sono são eliminados; Pilatos simplesmente ordena que a guarda romana mantenha silêncio. Caso de dê à história o benefício da dúvida, pode-se supor que a guarda era judaica; mas, se alguém está convencido de que a história é lenda insignificante, nada poderia evitar que se considere a guarda como romana. Assim, a guarda é fixada e o sepulcro, selado. Diz-se que Mateus omite o tema da unção, por causa da guarda e do selamento4; porém, isso não mantém qualquer apoio, pois as mulheres eram completamente desconhecedoras de que tais ações haviam sido tomadas no Sabá. Pelo contrário, poderia ser que Mateus estivesse seguindo diferentes tradições, nesse caso, visto que o v. 15 torna evidente que há uma história de tradição por trás da narrativa de Mateus5. Antes de as mulheres chegaram, um anjo do Senhor rola de volta a pedra, e os guardas ficam paralisados com medo. Não se diz que os guardas viram a ressurreição ou mesmo que esse é o momento da ressurreição6. Depois de as mulheres partirem, alguns da guarda foram até as autoridades judaicas, que os subornaram para dizer que os discípulos roubaram o corpo. Essa história tem sido espalhada entre os judeus até este dia, acrescenta Mateus.
O relato de Mateus tem sido quase universalmente rejeitado pelos críticos como sendo uma lenda apologética. Os valores para tal julgamento, entretanto, são de peso muito desigual. Por exemplo, o fato de que a história é uma resposta apologética à alegação de que os discípulos roubaram o corpo não significa, pois, que ela seja anistórica. A melhor maneira de responder a essa acusação não seria inventando ficções, mas narrando a verdadeira história do que aconteceu. Similarmente, de nada vale insistir na objeção teológica à história, como se faz frequentemente, de que ela vai além do testemunho restante do Novo Testamento, segundo o qual Jesus apareceu somente para os seus, mas permaneceu oculto aos inimigos dele7. Alguns teólogos ficam horrorizados com o pensamento de que guardas pagãos possam ter visto o "Cristo Ressurreto"8. Mas a narrativa não fala absolutamente nada sobre qualquer aparição de Jesus aos guardas. Pelo contrário, o anjo expressamente diz: "Ele não está aqui, porque ressurgiu"; mas o túmulo é, presumivelmente, aberto para que as mulheres possam vir e ver "o lugar onde jazia" (Mt. 28.6). E, em qualquer caso, o testemunho do Novo Testamento é que Jesus realmente apareceu a céticos, a descrentes e até mesmo a inimigos (Tomé, Tiago e Paulo). A ideia de que somente o olho da fé poderia ver o Jesus ressurreto é estranha aos Evangelhos e a Paulo, pois todos eles concordam a respeito da natureza física das aparições da ressurreição9. Às vezes, insiste-se que os principais sacerdotes e fariseus não iriam até Pilatos no dia de Sabá. Mas tal inferência não é muito séria, já que não se diz que eles foram em massa, mas meramente se reuniram ali10, e não se diz que eles adentraram ao pretório (cf. Jo. 18.28). De qualquer maneira, a objeção subestima a hipocrisia de homens que, ao menos de acordo com o relato do Evangelho, poderiam atar nos outros fardos pesados, mas eles mesmos não moveriam nem um dedo para ajudar. Nem é muito persuasivo objetar à história, por ela conter absurdos inerentes — por exemplo, que os guardas não saberiam que eram os discípulos porque estavam dormindo ou que uma guarda romana nunca concordaria em espalhar história pela qual poderiam ser executados11. A primeira supõe que os judeus não poderiam ter inventado uma estúpida história para encobrir tudo; realmente, essa história era tão boa quanto qualquer outra. Pelo menos, a inferência de que foram os discípulos de Jesus não era tão forçado. Pois quem mais poderia roubar o corpo? O segundo absurdo supõe que a guarda era romana, para o que a evidência positiva é débil. E, mesmo que a guarda fosse romana, talvez a promessa dos judeus de "satisfazer ao governador" significava contar-lhe a verdade sobre o leal serviço dos guardas, caso concordassem em mentir ao povo.
Muito pelo contrário, as dificuldades mais sérias desta história são duas: (1) não é relatada na história pré-marcana da paixão, nem nos outros Evangelhos e (2) pressupõe não somente que Jesus tenha predito sua ressurreição ao terceiro dia, mas também que os judeus entenderam isso claramente, enquanto os discípulos permaneceram na ignorância. Em relação à primeira, é excessivamente estranho que os outros Evangelhos nada soubessem de tão importante evento como a colocação de uma guarda ao redor do túmulo. Isso sugere que o relato é uma lenda posterior, refletindo anos da polêmica judaico-cristã. A designação de Jesus como impostor é, de fato, marca da polêmica judaica contra o Cristianismo (Diálogo com Trifão 208, de Justino;Testamento dos Doze Patriarcas (Levi) 16.3). Mas, talvez, esse polêmico interesse fornece a própria razão de por que esse evento, mesmo se histórico, não foi incluído na história pré-marcana da paixão. Pois a história pré- marcana da paixão surgiu na vida da Urgemeinde [comunidade], antes da Auseinandersetzung [disputa] com o Judaísmo e, assim, antedata a polêmica judaico-cristã. Já que os guardas desempenharam virtualmente nenhum papel nos eventos da descoberta do túmulo vazio — na realidade, o relato mateano não exclui que a guarda já havia partido antes de as mulheres chegarem — a história pré-marcana da paixão pode simplesmente omiti-los. Se a calúnia segundo a qual os discípulos roubaram o corpo estava restrita a certos grupos ("essa história tem-se divulgado entre os judeus [para Ioudaiois] até os dias de hoje"), não se pode, então, excluir que Lucas ou João poderiam não ter essas tradições. E os evangelistas, com frequência, inexplicavelmente omitem o que parecem ser incidentes importantes que podem lhes ter sido conhecidos (por exemplo, a grande omissão de Lucas, de Mc. 6.45 — 8.26), de modo que é perigoso usar uma omissão como teste para historicidade.
Quanto à segunda objeção, devemos ser cuidadosos para não excluir, a priori, a possibilidade de que Jesus realmente predisse sua ressurreição, já que de antemão eliminá- la seria retornar ao racionalismo teológico do século XVIII em sua pressuposição contra o sobrenatural. E, se pressuposições filosóficas não podem excluir a predição de Jesus, tampouco o podem as teológicas — por exemplo, de que isso representa uma espécie de "triunfalismo" que minimiza a extensão do sacrifício de Jesus, uma vez que ele sabia que ressuscitaria. Concepções teológicas sobre o que é "apropriado" para a pessoa e obra de Jesus não podem ditar à história o que deve ter acontecido; antes, concepções teológicas podem simplesmente ter de mudar à luz da história, isso sendo atraente ou não às nossas sensibilidades religiosas. A única base para aceitar ou rejeitar as predições de Jesus como históricas deve ser empírica.
Quais, então, são as bases empíricas para se pensar que Jesus não predisse sua ressurreição? Às vezes, assevera-se que a predição de Jesus sobre sua ressurreição é incompatível com o desespero e desesperança dos discípulos. Mas isso falha em contar com as declarações de que os discípulos não podiam entender como um Messias prestes a morrer e ressuscitar seria possível (Mc. 8.32, 9.10). O conceito lhes era totalmente estranho e não fazia sentido de acordo com as concepções do triunfante Rei de Israel, ainda que — Marcos enfatiza — Jesus lhes tenha dito abertamente que sofreria, seria morto e ressuscitaria (Mc. 8.32). É interessante que, quando Jesus diz a Marta que Lázaro ressuscitará, sua reação é: "Sei que ele ressuscitará na ressurreição, no último dia" (Jo. 11.24). Os discípulos podem não ter tido qualquer expectativa de que a profetizada ressurreição de Jesus seria diferente; na realidade, isso fica implícito na questão deles concernente à vinda escatológica de Elias, anterior à ressurreição (Mc. 9.10,11)12. Assim, o fato de que os discípulos falharam em compreender o significado das predições é, realmente, muito plausível e nisso não se pode insistir contra a historicidade delas. Talvez, possa afirmar-se que a linguagem das predições é ex ecclesia e que, portanto, são escritas remontando à vida de Jesus. Mas, de fato, não há palavras nessas predições que o próprio Jesus poderia não ter usado. O uso de "terceiro dia" poderia ter significado somente um curto período13. Mas mesmo se esse detalhe foi acrescentado a partir do querigma, não se acarreta que Jesus poderia não ter predito sua ressurreição. Da mesma maneira, o discurso dos judeus a Pilatos na construção de Mateus, e o tema do terceiro dia refletem a formulação querigmática de I Coríntios 15.4. Na verdade, os judeus podem ter pedido uma guarda para ali ser posicionada durante período indeterminado de tempo, ou durante a festa. As predições da ressurreição terem tomado coloração querigmática não prova que elas não foram proferidas.
Talvez, a mais séria dificuldade com a história da guarda, contudo, é que, se os discípulos não compreenderam o sentido das predições da ressurreição, tampouco os judeus, que tinha muito menos contato com Jesus, entenderiam. Esse é, entretanto, essencialmente um argumento do silêncio, uma vez que Mateus não conta como os judeus souberam da predição de Jesus. Supõe que se têm registrado nos Evangelhos todos os casos em que Jesus falou de sua ressurreição ou que, se essa predição foi levada sub- repticiamente aos judeus, devemos saber sobre isso. É possível que as ações dos judeus não foram motivadas, de modo algum, por qualquer conhecimento das profecias da ressurreição, mas foram simplesmente pensamento posterior para prevenir qualquer problema que pudesse ser causado pelos discípulos, junto ao túmulo, durante a festa. Tomada em conjunto, essas considerações têm peso cumulativo, entretanto, e por si mesmas provavelmente levariam alguém ao ceticismo quanto à historicidade da narrativa da guarda.
Porém, há outras considerações que ficam positivamente a favor dela. Por exemplo, se a história é uma ficção apologética concebida para excluir o roubo do corpo pelos discípulos, a história não é inteiramente bem-sucedida, pois existe óbvio período de tempo durante o qual os discípulos poderiam ter roubado o corpo sem ser detectado — a saber, entre seis horas de sexta-feira à noite e algum momento de sábado de manhã. Por o túmulo já estar vazio quando os guardas o abriram, é possível que já estivesse vazio quando os guardas selaram a pedra. Mateus se esquece de dizer que o sepulcro foi aberto e checado antes de ser selado, de modo que é possível que os discípulos tenham removido o corpo e recolocado a pedra na sexta-feira à noite, após a partida de José. É claro que consideraríamos tal artifício como historicamente absurdo, mas a questão é que, se a guarda é uma invenção cristã visando a refutar a alegação judaica de que os conspiradores discípulos tinham roubado o corpo, o escrito não fez um trabalho muito bom. Para a maneira como uma lenda apologética lida com essa história, veja o Evangelho de Pedro: os escribas, fariseus e anciãos dirigiram-se ao sepulcro, e todos eles rolaram a grande pedra pela entrada do túmulo (sem menção de José de Arimateia, apesar de tudo!), selaram-no sete vezes e mantiveram vigilância. No domingo de manhã, o próprio Jesus é visto saindo do túmulo com dois anjos, e as testemunhas incluíram não somente os soldados e os anciãos, mas também multidão de Jerusalém e do interior que viera para ver o sepulcro! Essa é apologética infalível: os romanos e os judeus são os responsáveis pelo sepultamento de Jesus no mesmo dia da morte dele, permanecem ali sem interrupção e, quando o túmulo se abre, não está vazio, mas Jesus sai de lá diante dos olhos de multidão de testemunhas. Em contraste, no relato de Mateus, a guarda é consideração posterior; o fato de que não foram considerados e colocados ali até o próximo dia poderia refletir o fato de que somente na sexta-feira à noite os judeus souberam que José tinha, contrariamente às expectativas, colocado o corpo em um túmulo, em vez de permitir que fosse descartado em vala comum. Isso poderia ter motivado a incomum visita deles a Pilatos, no dia seguinte.
Mas, talvez, a mais forte consideração a favor da historicidade da guarda é a história da polêmica pressuposta nesse relato. A calúnia judaica de que os discípulos haviam roubado o corpo era, provavelmente, a reação à proclamação cristã de que Jesus ressuscitara14. Essa alegação judaica também é mencionada no Diálogo com Trifão 108, de Justino. Para desmentir tal acusação, os cristãos precisariam apenas de indicar que a guarda junto ao túmulo teria evitado o roubo e que ficaram imobilizados com medo, quando o anjo apareceu. Nesse estágio da controvérsia, não há necessidade de se mencionar o suborno à guarda. Isso surge apenas quando a polêmica judaica responde que os guardas tinham caído no sono, permitindo, assim, que os discípulos roubassem o corpo. O sono dos guardas poderia simplesmente ter sido desenvolvimento judaico, uma vez que não serviria a qualquer propósito para a polêmica cristã. A resposta cristã foi que os judeus subornaram a guarda para dizer isso, e é nesse ponto que a controvérsia permaneceu no tempo da escrita de Mateus. Porém, se essa é provável reconstrução da história da polêmica, fica difícil acreditar que a guarda é anistórica15. Em primeiro lugar, é improvável que os cristãos inventariam uma ficção como a guarda, que todos, especialmente os oponentes judeus, perceberiam nunca ter existido. Mentiras são a mais frágil espécie de apologética que pode haver. Uma vez que a controvérsia judaico-cristã sem dúvida se originou em Jerusalém, é difícil entender como os cristãos poderiam ter tentado refutar a acusação dos oponentes deles, com uma falsificação que teria sido evidentemente irreal, já que nas redondezas não havia guardas que afirmaram ter se postado junto ao túmulo. Mas, em segundo lugar, é ainda mais improvável que, confrontados com mentira tão palpável, os judeus teriam, em vez de expô-la e denunciá-la como tal, começado a criar outra mentira, mais estúpida, de que os guardas caíram no sono enquanto os discípulos violaram o túmulo e foram embora com o corpo. Se a existência da guarda fosse falsa, a polêmica judaica nunca teria tomado o rumo que tomou. Antes, a controvérsia teria parado ali mesmo, com a renúncia de que a guarda havia sido fixada pelos judeus. Nunca chegaria ao ponto em que os cristãos teriam de inventar uma terceira mentira, a de que os judeus subornaram a fictícia guarda. Então, enquanto há razões para se duvidar da existência da guarda junto ao túmulo, há igualmente sérias considerações a seu favor. Parece melhor deixar a questão em aberto. Ironicamente, o valor do relato de Mateus para as evidências a favor da ressurreição nada tem a ver com a guarda, de maneira alguma, ou com a intenção dele de refutar a alegação de que os discípulos roubaram o corpo. A teoria da conspiração tem sido universalmente rejeitada com bases morais e psicológicas, de modo que a narrativa da guarda, como tal, é de fato muito supérflua. Com guarda ou sem guarda, nenhum crítico atual acredita que os discípulos poderiam ter roubado o túmulo e falseado a ressurreição. Antes, o verdadeiro valor do relato de Mateus é informação incidental — e por essa razão muito mais confiável — de que a polêmica judaica nunca negou que o túmulo estivesse vazio, mas em vez disso tentou explicar a situação. Portanto, os próprios antigos oponentes dos cristãos dão testemunho ao fato do túmulo vazio16.

 Bibliografia
1 Esta discussão provém de pesquisa conduzida na Universidade de Munique, com apoio da Fundação Alexander von Humboldt.
2 Cf. Paul Rohrbach, Die Berichte über die Auferstehung Jesu Christi (Berlim: Georg Reimer, 1898), p. 79.
3 Conforme B. A. Johnson, "The Empty Tomb in the Gospel of Peter Related to Mt. 28.1-7" (dissertação de doutorado, Universidade Harvard, 1966), p. 17. Isso não compromete alguém com a visão de Johnson de que essa era uma tradição de aparição.
4 Kirsopp Lake, The Historical Evidence for the Resurrection of Jesus Christ (Londres: Williams & Norgate, 1907; Nova Iorque: G. P. Putnam's Sons, 1907), p. 61; Walter Grundmann, Das Evangelium nach Mathäus, 3rd ed., THKNT I (Berlim: Evangelische Verlagsanstalt, 1972), p. 568; Josef Blinzter, 'Die Grablegung Jesu in historischer Sicht', in Resurrexit, ed. Edouard Dhanis (Roma: Libreria Editrice Vaticana, 1974), p. 82.
5 Evidências de tradição pré-mateana também são encontradas em várias palavras que são hapax legomena para o Novo Testamento: epaurion, paraskeue, planos/plane, kaustodia, asphalizo; igualmente, a expressão "os principais sacerdotes e fariseus" (cf. 21.45) é incomum em Mateus e nunca aparece em Marcos ou Lucas, mas é comum em João (7.32, 45; 9.47,57; 18.3). Para discussão, veja I. Broer, Die Urgemeinde und das Grab Jesu, SANT 31 (Munique: Kösel Verlag, 1972), pp., 69-78; F. Neirynck, 'Les femmes au tombeau: Étude de la rédaction mathéenne', NTS 15 (1968-9): pp. 168-90. Sobre a independência de Mateus e Marcos, veja E. Ruckstuhl and J. Pfammatter, Die Auferstehung Jesu Christi (Lucerna e Munique: Rex, 1968).
6 Contraste o Evangelho de Pedro 8.35-42:
Ora, na noite em que o dia do Senhor alvoreceu, quando os soldados, dois a dois em cada turno, mantinham a guarda, ressoou alta voz no céu, e viram os céus abertos e dois homens de lá desceram em grande brilho e se aproximaram ao sepulcro. A pedra que havia sido colocada junto à entrada do sepulcro começou, por si mesma, a rolar, e moveu-se para o lado; e o sepulcro foi aberto, e ambos os jovens entraram nele. Quando, então, os soldados viram isso, despertaram o centurião e os anciãos — pois eles também estavam lá para ajudar na vigilância. E, enquanto relatavam o que tinham visto, viram novamente três homens saindo do sepulcro, e dois deles sustentando o outro, e uma cruz os seguindo, e as cabeças dos dois chegando até o céu; mas aquele que, pelas mãos, era levado por eles ultrapassava os céus. E ouviram uma voz dos céus, gritando: 'Pregaste aos que dormem?', e da cruz ouviu-se a resposta 'Sim'."
e a Ascensão de Isaías 3.16:
"Gabriel, o Anjo do Espírito Santo, e Miguel, o chefe dos santos anjos, ao terceiro dia abrirão o sepulcro: e o Amado sentado sobre seus ombros se revelará".
7 Grundmann, Matthäus, p. 565; John E. Alsup, The Post-Resurrection Appearance Stories of the Gospel- Tradition, CTM A5 (Stuttgart: Calwer Verlag. 1975), p. 117.
8 Assim, Grass diz que, além das particularidades, a história da guarda é inacreditável, porque guardas pagãos teriam visto a ressurreição (Hans Grass, Ostergeschehen und Osterberichte, 4. ed. [Göttingen: Vandenhoeck & Ruprecht, 1970], p. 25.). Von Campenhausen também declara que a história implica que guardas pagãos seriam testemunhas da ressurreição, e não podemos concordar que isso deveria acontecer (Hans Freiheirr von Campenhausen, Der Ablauf der Osterereignisse und das leere Grab, 3. ed. rev., SHAW [Heidelberg: Carl Winter, 1966], p. 29). Similarmente, O'Collins faz a estarrecedora asserção de que, se Anás e Caifás estivessem com os discípulos quando Jesus apareceu, eles não teriam visto nada (Gerald O'Collins, The Easter Jesus[Londres: Carton, Longman & Todd, 1973], p. 59). E isso apesar do que Grass repetidamente descreve como o "realismo massivo" dos Evangelhos! Cf. Koch, Auferstehung, pp. 59-60, 204, que se escandaliza com a objetividade das aparições do evangelho, as quais ele em vão tenta construir em categorias completamente subjetivas.
9 Sobre a concordância entre Paulo e os Evangelhos acerca da natureza do corpo da ressurreição, veja Robert H. Gundry, Soma in Biblical Theology (Cambridge: Cambridge University Press, 1976), pp. 159-83; Ronald J. Sider, 'The Pauline Conception of the Resurrection Body in I Corinthians XV.35-54', NTS 21 (1975): pp. 428-39; Alexander Sand, Der Begriff 'Fleisch' in den paulinischen Hauptbriefen, BU 2 (Regensburg: Friedrich Pustet, 1967), pp. 152-3; Jean Héring, La première épitre de saint Paul aux Corinthiens, 2. ed., CNT 7 (Neuchatel, Suíça: Delachaux et Niestlé, 1959), pp. 146-8; H. Clavier, 'Brèves remarques sur la notion de soma pneumatikon', in The Background of the New Testament and Its Eschatology, ed. W. D. Davies e W. Daube (Cambridge University Press, 1956), pp. 342-62; Wilhelm Michaelis, Die Erscheinungen der Auferstandenen (Basileia: Heinrich Majer, 1944), p. 96.
10 Veja Ernst Lohmeyer, Das Evangelium des Matthäus, 4. ed., ed. W. Schmauch, KEKNT (Göttingen: Vandenhoeck & Ruprecht, 1967), p. 400.
11 Lake, Evidence, p. 178; Willi Marxsen, The Resurrection of Jesus of Nazareth, trad. Margaret Kohl (Londres: SCM, 1970), p. 46; Grundmann, Mätthaus, p. 571. Orr pensa que os guardas aceitando suborno não é algo tão forçado, uma vez que a fuga deles já era violação de dever (James Orr, The Resurrection of Jesus (Londres: Hodder & Stoughton, 1909], p. 160). Von Campenhausen levanta outros absurdos, tal como o fato de que a guarda se reportou aos judeus e que os cristãos, apesar da mentira dos guardas, sabiam de tudo (Von Campenhausen, 'Ablauf', p. 29). Mas o primeiro ponto é evidência de que a guarda era judaica; o segundo não nos deve surpreender, já que conspirações secretas quase sempre vêm à luz. De qualquer maneira, a conversa dos judeus com Pilatos é provavelmente uma imaginativa reconstrução cristã do que eles inferiram ter acontecido, o que explicaria o tema do terceiro dia e a linguagem querigmática empregada.Perry considera a colocação de uma guarda judaica junto ao túmulo, pelos judeus, sem conhecimento da predição de Jesus, como historicamente defensável (Michael Perry, The Easter Enigma, com Introdução de Austin Farrer [Londres: Faber & Faber, 1959], pp. 98-9).
12 Embora a doutrina da ressurreição seja atestada no Antigo Testamento e tenha florescido no período intertestamentário, a concepção judaica sempre era de uma ressurreição geral e escatológica. Em lugar algum, encontra-se qualquer noção da ressurreição de um indivíduo isolado ou de uma ressurreição antes do fim do mundo (Veja as observações de Ulrich Wilckens,Auferstehung, TT 4 [Stuttgart e Berlim: Kreuz Verlag, 1970], p. 31; Joachim Jeremias, 'Die älteste Schicht der Osterüberlieferung', in Resurrexit, p. 194). Portanto, o equívoco dos discípulos tem conotação histórica.
13 Barnabas Lindars, New Testament Apologetic: The Doctrinal Significance of Old Testament Quotations (Filadélfia: Westminster Press, 1961; Londres: SCM Press, 1961), pp. 59- 72; O'Collins, Easter, p. 12. Ainda que se concorde com Lehmann que o tema do terceiro dia é expressão teológica, retirada da LXX e posteriormente elaborada na exegese rabínica, significando o dia da libertação, vitória e tomada de controle da parte de Deus (Karl Lehmann, Auferweckt am dritten Tag nach der Schrift, QD 38 [Friburgo: Herder, 1968], pp. 262-90), não há motivo, se a igreja primitiva poderia ter usado essa expressão, para que Jesus não a pudesse ter usado com o mesmo sentido, ao predizer sua ressurreição. Hooke também nos lembra que todos os ditos escatológicos de Jesus pressupõem sua ressurreição, como o fazem suas declarações durante a Última Ceia (S. H. Hooke, The Resurrection of Christ as History and Experience [Londres: Darton, Longman & Todd, 1967], p. 30; cf. Michael Ramsey, The Resurrection of Christ [Londres: Centenary Press, 1945], pp. 38-9).
14 A proclamação pode ter sido nas palavras duas vezes repetidas em Mt. 27.64; 28.7: "Ele ressuscitou dos mortos". Contrariamente a Grass, Ostergeschehen, p. 23, isso poderia evocar a reação de que os discípulos roubaram o corpo, se o próprio túmulo vazio era argumento apologético.
15 O argumento pressupõe que ou que a tradição subjacente é pré-mateana ou que o próprio evangelho foi escrito antes de 70 AD, pois depois desse tempo as pessoas em posição de saber a verdade teriam sido mortas ou dispersadas. Que a tradição seja pré-mateana fica claro: (1) a polêmica judaica por trás da história muito provavelmente surgiu da própria Jerusalém, em reação à proclamação apostólica da ressurreição. (2) Uma reconstrução da história da polêmica mostra que Mateus herdou a controvérsia sobre a guarda. Que ele não tenha inventado a guarda desde o princípio para contra-atuar diante da simples acusação judaica de roubo fica evidente a partir dos elementos do sono e do suborno dos guardas. (3) A própria narrativa contém características não-mateanas, como indicado na nota 5. Que o Evangelho de Pedro conheça tradição não- mateana da história da guarda também indica que a história não se originou com Mateus. Uma vez que a controvérsia, dessa maneira, antedata a destruição de Jerusalém, é muito difícil construí-la como calorosa discussão sobre uma entidade imaginária. Essa conclusão só é reforçada se o próprio Mateus foi escrito antes de 70 AD, como sustentado, por exemplo, por Bo Reicke, 'Synoptic Prophecies on the Destruction of Jerusalem', in Studies in New Testament and Early Christian Literature, ed. D. E. Aune (Leiden: E. J. Brill, 1972), pp. 121-34; J. A. T. Robinson, Redating the New Testament (Londres: SCM Press, 1976), pp. 19-26, 86-117.
16 Mahoney objeta que os judeus argumentaram como fizeram somente porque teria sido "sem graça" dizer que o túmulo era desconhecido ou estava perdido (Robert Mahoney, Two Disciples at the Tomb, TW 6 [Berna: Herbert Lang, 1974], p. 100). Mas nisso Grass está correto: se o sepulcro fosse desconhecido ou estivesse perdido, os pregadores da ressurreição teriam se deparado com a reação de Atos 2.13: "Eles estão embriagados com vinho". Seriamente duvido se o ser "sem graça", incolor, seria considerado pela hierarquia judaica como algo tão grosseiro que eles preferiram inventar o túmulo vazio para os cristãos. E, se o local do sepultamento de Jesus era conhecido, como é provável (Blinzler, 'Grablegung', pp. 94-6, 101-2), a reação dos judeus se torna ainda mais problemática: pois, em vez de apontarem para o túmulo de Jesus ou exporem o cadáver, eles se emaranharam em desesperada série de absurdos, tentando explicar a ausência do corpo dele. O fato de os inimigos do Cristianismo terem se sentido obrigados a explicar o túmulo vazio mostra não somente que o túmulo era conhecido (confirmação da história do sepultamento), mas também que estava vazio.
© William Lane Craig


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domingo, 6 de janeiro de 2013

A Exatidão Bíblica


A Bíblia foi Copiada com Exatidão ao Longo dos Séculos? 


   A Bíblia é o livro do mundo antigo que é transmitido com maior exatidão. Nenhum outro livro antigo tem tantos manuscritos, ou tão antigos, ou copiados com tanta precisão.


   O Antigo Testamento

   A confiabilidade do Antigo Testamento está baseada em três fatores: a sua abundância, datação e exatidão. Muitas obras da antiguidade sobrevivem apenas em um punhado de manuscritos: somente 7 para Platão, 8 para Tucídides, 8 para Heródoto, 10 para Gallic Wars, de César, e 20 para Tácito. Somente as obras de Demóstenes e Homero chegam a ter centenas de manuscritos. Mas mesmo antes de 1890, um estudioso chamado Giovanni de Rossi publicou 731 manuscritos do Antigo Testamento, em Geniza, no Cairo, e, em 1947, as cavernas do Mar Morto, em Qumran produziram mais de 600 manuscritos do Antigo Testamento.
   Além disto, os Pergaminhos do Mar Morto, que contêm pelo menos fragmentos de todos os livros do Antigo Testamento com excessão do Livro de Ester, todos datam de antes do fim do século I D.C., e alguns  do século III A.C. O Papiro Nash está datado entre o século II A.C. e o século I D.C.
   A exatidão dos manuscritos é conhecida, com base em evidências internas e externas: (1) Sabe-se que a reverência dos escribas judeus pelas Escrituras levou à sua transmissão cuidadosa; (2) O exame de passagens duplicadas (por exemplo, Sl 14 e Sl 53) mostra transmissão paralela; (3) A Septuaginta, que é a antiga tradução do Antigo Testamento ao idioma grego, está substancialmente de acordo com os manuscritos hebreus; (4) A comparação do Pentateuco Samaritano com os mesmos livros bíblicos preservados na tradição judaica mostra íntima similaridade; (5) Os Manuscritos do Mar Morto fornecem manuscritos que datam de mil anos antes do que muitos usados para estabelecer o texto hebraico.
   Estudos comparativos revelam uma identidade palavra por palavra, em 95 por cento do texto. Variantes de menor importância consistem, principalmente, de erros de escrita ou de grafia. Somente 13 peuqenas variações foram descobertas em toda a cópia de Isaías do Manuscritos do Mar Morto, das quais oito eram conhecidas de outras fontes antigas. Depois de mil anos de cópias, não houve mudança de significado, e praticamente não houve nenhuma mudança no uso de palavras!



   O Novo Testamento

   A confiabilidade do Novo Testamento é estabelecida porque o número, a data e a exatidão de seus manuscritos permitem a reconstrução do texto original, com mais precisão do que qualquer outro texto antigo. O número de manuscritos do Novo Testamento é impressionante (quase 5700 manuscritos gregos) em comparação com os livros típicos da antiguidade (cerca de 7 a 10 manuscritos; a Ilíada, de Homero, é a obra que tem a maior quantidade de manuscritos, 643). O Novo Testamento é simplesmente o livro mais respaldado textualmente do mundo antigo.
   O mais antigo manuscrito do Novo Testamento, sobre o qual não paira nenhuma disputa, é o papiro de John Rylands, com data entre 117 e 138 D.C. Livros inteiros (por exemplo, os contidos nos papiros Bodmer) estão disponíveis a partir do ano 200. A grande parte do Novo Testamento, incluindo todos os Evangelhos, está disponível nos manuscritos de Chester Beatty Papyri, que datam aproximadamente de 250 D.C.
   O famoso estudioso britânico de manuscritos, Sir Frederick Kenyon, escreveu: "O intervalo, então, entre as datas da composição original e a mais antiga evidência existente se torna tão pequeno, a ponto de ser, na verdade, insignificante, e a última fundação para qualquer dúvida de que as Escrituras nos tenham vindo substancialmente, da maneira como foram escritas, agora foi removida". Assim, tanto "a autenticidade como a integridade geral dos livros do [NT] podem ser considerados firmemente estabelecidas". Nenhum outro livro antigo tem um intervalo tão pequeno de tempo, entre a sua composição e as suas primeiras cópias manuscritas, como o Novo Testamento.
   Não apenas há mais manuscritos do Novo Testamento, e mais antigos, como também foram copiados com mais exatidão do que outros textos antigos. O estudioso do Novo Testamento e professor em Princeton, Bruce Metzger, fez uma comparação do Novo Testamento com a Ilíada de Homero e o Mahabharata, do hinduísmo. Ele descobriu que o texto desta última obra representa apenas 90 por cento do original (com 10 por cento de correção textual); a Ilíada era 95 por cento pura, e somente meio por cento do texto do Novo Testamento permanecia em dúvida. O estudioso grego A. T. Robertso avaliou que as dúvidas textuais do Novo Testamento tem a ver apenas com "uma milésima parte de todo o texto", avaliando a exatidão do texto do Novo Testamento em 99,5 por cento - a maior exatidão conhecida para qualquer livro do mundo antigo. Sir Frederick Kenyon observou que o "número de [manuscritos] do Novo Testamento, de traduções antigas dele, e de citações feitas dele nos autores mais antigos da igreja, é tão grande que é praticamente certo que o texto original de cada passagem duvidosa esteja preservado, em uma ou outra destas autoridades antigas. Não é possível dizer isto sobre nenhum outro livro antigo do mundo".
   Em resumo, o grande número, as datas antigas e a exatidão incomparável das cópias manuscritas do Antigo e do Novo Testamento, estabelecem a confiabilidade da Bíblia, muito além da de qualquer outro livro antigo. A sua mensagem substancial não foi reduzida com o passar dos séculos, e a sua exatidão, até mesmo em detalhes menos importantes, foi confirmada. Assim, a Bíblia que temos hoje em nossas mãos é uma cópia altamente confiável do original, que nos veio das penas dos profetas e dos apóstolos.

Norman L. Geister

Fonte: Bíblia de Estudo Defesa da Fé- CPAD - págs. 540 e 541