sábado, 19 de maio de 2018

A importância da apologética



 Em minha opinião, a igreja está realmente falhando com esses jovens. Em vez de fornecer a eles um bom treinamento na defesa da fé cristã, nós ficamos envolvidos em lhes proporcionar experiências de louvor carregadas de emoção, ficamos nos preocupando com suas necessidades e em entretê-los. Não é a toa que eles se tornam presas fáceis para um professor que racionalmente ataca a sua fé. No segundo grau e na faculdade, os estudantes são bombardeados com todo tipo de filosofia não cristã combinada com um avassalador relativismo e ceticismo. Temos que preparar nossos jovens para essa guerra. Como temos coragem de enviá-los desarmados para essa zona de guerra intelectual? Os pais devem fazer mais do que apenas levar seus filhos à igreja e ler histórias da Bíblia para eles. Pais e mães precisam ser bem treinados em apologética para que sejam capazes de explicar aos seus filhos, desde pequenos e cada vez com maior profundidade, porque cremos naquilo que cremos. Honestamente falando, acho difícil de entender como casais cristãos, nesses tempos em que vivemos, podem correr o risco de trazer filhos ao mundo sem terem recebido um bom treinamento em apologética como parte de seu ofício de pais.

Em guarda - Willian Lane Craig



sábado, 12 de maio de 2018

A Bíblia contém erros?




"Por que você crê na Bíblia? É um livro antigo, cheio de erros e contradições". Todos nós já ouvimos isto muitas vezes. Contudo, muitos cristãos evangélicos conservadores discordam desta declaração. Eles defendem uma doutrina chamada infalibilidade das Escrituras.

O ponto de início da nossa discussão é uma definição de infalibilidade e erro. Por infalibilidade, queremos dizer que, quando todos os fatos são conhecidos, a Bíblia - em seus manuscritos originais e interpretada de modo apropriado - provará ser verdadeira, e nunca falsa, em tudo o que afirma, quer com relação à doutrina, ética ou às ciências sociais, físicas ou da vida. Três aspectos nesta definição são dignos de nota. Em primeiro lugar, existe o reconhecimento de que nós não possuímos toda a informação para demonstrar a verdade da Bíblia. Muitas informações foram perdidas devido a passagem do tempo. Elas simplesmente não mais existem. Outras informações esperam por escavações arqueológicas. Em segundo lugar, a infalibilidade é definida em termos da verdade que muitos filósofos hoje em dia interpretam como sendo uma propriedade de sentenças, e não de palavras. Isto quer dize que todas as sentenças, ou afirmações, indicativas da Bíblia são verdadeiras. Com base nesta definição, portanto, um erro na Bíblia exigiria que ela fizesse uma falsa declaração. Finalmente, toda informação contida na Bíblia, qualquer que seja o assunto, é verdadeira. Isto é, ela registra com exatidão eventos e conversas, incluindo as mentiras de homens e Satanás. Ela ensina verdadeiramente Sobre Deus, a condição humana, e o céu e o inferno.

A crença na infalibilidade se apoia em pelo menos quatro linhas de argumentação: a bíblia, a história, a epistemologia e a do terreno escorregadio.

O argumento bíblico é obtido do que a Bíblia tem a dizer sobre si mesma, e é o mais importante. Este argumento pode ser formulado de uma maneira circular e de uma não-circular. É circular, quando alguém afirma que a Bíblia diz é inspirado e inequívoco, e que é verdade, porque é encontrado em uma escritura inspirada e inequívoca. Não é circular, quando são feitas declarações que podem ser comprováveis fora do documento. Isto é possível, porque a Bíblia faz declarações históricas e geográficas que podem ser confirmadas independentemente. A  infalibilidade resulta do que a Bíblia tem a dizer sobre a sua inspiração. É o sopro de Deus (2 Tm 3.16) e o resultado da orientação do espirito Santo sobre os autores humanos (2 Pe 1.21). É um livro humano-divino. Além disto, o reconhecimento de um profeta no Antigo Testamento requer nada menos do que a total honestidade (Dt 13.1-5; 18.20-22). A comunicação escrita de Deus pode ter um padrão inferior a esse? Deve-se observar que tanto a forma oral de comunicação como a escrita envolvem o elemento humano. Isto mostra que o envolvimento humano não indica necessariamente a presença de erro. A Bíblia ensina a sua própria autoridade, também. Mateus 5.17-20 ensina que os céus e terra passarão antes que o menor detalhe da lei deixe de cumprir-se. João 10.34,35 ensina que as escrituras não podem ser anuladas. Além disto, a maneira como as Escrituras usam as Escrituras respalda a sua infalibilidade. Às vezes, os argumentos nas escrituras se baseiam em uma única palavra (Sl 82.6; Jo 10.34,35), no tempo de um verbo (Mt 22.32), ou no número de um substantivo (Gl 3.16). Finalmente, o caráter de Deus está por trás da sua palavra, e Ele não mente (Nm 23.19; 1 Sm 15.29; Tt 1.2; Hb 6.18).

Um segundo argumento é o histórico. Embora haja os que discordam, a infalibilidade tem sido a perspectiva cristã padrão ao longo da história. Agostinho escreve: "Eu aprendi a dedicar este respeito e esta honra somente aos livros canônicos das Escrituras: estes livros são os únicos sobre os quais eu posso crer firmemente que os autores estavam completamente isentos de erros". Lutero diz: "Todos, na verdade, sabem que, às vezes, eles (os pais) erraram, como os homens erram; por isto, eu estou pronto a confiar neles, somente quando eles provam suas opiniões com base nas Escrituras, que nunca erra". John Wesley tem uma opinião similar: "Na verdade, se houvesse algum engano no livro, poderia igualmente haver mil. Se há alguma falsidade nesse livro, ela não vem do Deus da verdade".

Um terceiro argumento é o epistemológico (baseado no que sabemos, e como sabemos). Uma maneira útil de formular este argumento é reconhecer que, se a Bíblia não é inteiramente verdade, então qualquer parte dela pode ser falsa. Isto é particularmente problemático quando algumas das mais importantes informações que a Bíblia transmite não podem ser confirmadas por meio de fatos independentes. Ela ensina sobre um Deus invisível, anjos e céu. A infalibilidade requer que as afirmações da Bíblia que podem ser comprovadas sejam apresentadas como verdadeiras, sempre que toda informação relevante esteja disponível. Os que criticam a veracidade integral da Bíblia apontam vários supostos erros. Mas nestes casos, a passagem em questão pode ter sido mal interpretada pelo crítico, ou nem todos os fatos relevantes foram esclarecidos. Durante o século XX, numerosas declarações da Bíblia, que eram consideradas equivocadas, foram provadas como verdadeiras, com a ajuda de novas informações. Sendo assim, por que alguém deveria crer no que não é possível verificar? Somente uma Bíblia infalível assegura-nos de que o que lemos é verdade.

O quarto argumento é o terreno escorregadio (neste caso, não uma falácia). O argumento afirma que a infalibilidade é tão fundamental que o que admitem a ocorrência de erros na Bíblia logo abrirão mão de outras doutrinas essenciais, como a divindade de Cristo e/ou a expiação substitutiva. A negação da infalibilidade leva a maior erro doutrinário. Isto não acontece em todos os casos, mas é demonstrável como uma tendência.

Cada um desses argumentos foi alvo de críticas. Todavia, uma objeção comum e fundamental a eles afirma que esta doutrina não tem sentido, uma vez que é verdade apenas com respeito a originais que não existem (os manuscritos originais). Mas é mesmo sem sentido? Não, se satisfizermos duas condições: (1) nós possuímos um número suficiente de cópias de alta qualidade dos originais, e (2) existe uma disciplina sofisticada de crítica textual aplicada ao uso destas cópias na determinação do que o original deve ter dito. Estas condições são satisfeitas, no caso da Bíblia.

A questão fundamental é o ensinamento da Bíblia sobre a sua própria infalibilidade. E para os que são céticos, a ciência, a arqueologia e a história confirmaram esta afirmação repetida vezes.


Paul D. Feinberg



sábado, 28 de abril de 2018

A Bíblia ensina que existe um purgatório?




Alguma tradições cristãs ensinam que os cristãos que morrem em boa comunhão com a igreja, sem que tenham ainda atingido um estado de perfeição, seguirão para um lugar intermediário depois da morte, que não é nem o céu nem o inferno. Tal lugar intermediário é conhecido como "purgatório". De acordo com esta tradição, os adultos que não foram batizados e os que cometeram pecados mortais vão para o Hades, ou inferno. Algumas poucas pessoas boas (os santos) vão diretamente para o céu.

Os defensores do purgatório ensinam que ele é um período e um lugar de sofrimento - algo semelhante ao lago de fogo, mas não tão severo, e apenas temporário. A quantidade de tempo que uma pessoa passa ali depende do grau de purificação necessário, com base nos pecados que ela cometeu. O papa Gregório I ensinou que o batismo nos absolve do pecado original, porém temos de pagar por nossos pecados. Esta purificação é uma preparação da alma para o céu.

Existe alguma justificativa bíblica para a doutrina do purgatório? De modo geral, os que defendem esta doutrina citam o texto de 2 Macabeus 12.39-45 (uma passagem da Apócrifa - uma coletânea de textos que os protestantes não aceitam como parte da Bíblia). Mas este texto nada diz sobre o purgatório, e os que não aceitam a autoridade dos textos apócrifos não o achariam convincente para confirmar a doutrina, ainda que fosse parte da Bíblia. Outro texto às vezes citado é 1 Coríntios 3.10-15, onde se lê a frase "todavia como pelo fogo". Mas novamente nada existe no texto que indique que haverá um tempo e um lugar, depois da morte, em que os indivíduos serão purificados dos pecados cometidos nesta vida.

A doutrina do purgatório falha no teste bíblico, tanto na interpretação direta dos textos especificamente citados como no ensinamento geral das Escrituras. Nenhuma das passagens clássicas citadas menciona o purgatório, nem por nome nem por conceito. E, ainda mais, esta doutrina nega um dos ensinamentos fundamentais do Novo testamento - a morte de Jesus na cruz expiou todos os nossos pecados, não apenas algum pecado ou alguma desobediência que todos tenham praticado (Rm 3.21-26; 2 Cor 5.21). Todos compareceremos diante do trono do juízo de cristo, mas, por causa da expiação, aqueles que crerem e confiarem em cristo nunca enfrentarão a condenação (Rm 5.1; 8.1; 2 Co 5.10).

Chad Owen Brand



sábado, 21 de abril de 2018

Verdadeira essência





Talvez algumas pessoas se espantem com a ideia de que a "Igreja" - os discípulos reunidos - na verdade não precisa de mais pessoas, mais dinheiro, construções e programas melhores, mais ensino ou mais prestígio. Foi no período em que esses elementos se mostraram escassos ou inexistentes que o povo de Deus reunido, a Igreja, mais se aproximou de sua verdadeira essência. A única coisa de que a Igreja precisa para cumprir os propósitos de Cristo na terra é a qualidade de vida que ele torna real em seus discípulos. Com essa qualidade, a igreja prosperará em tudo o que realizar ao longo do processo de tornar clara e disponível na terra a "vida que é vida de verdade". 


A grande omissão - Dallas Willard



domingo, 15 de abril de 2018

"...Até aqui nos ajudou o Senhor." (1 Samuel 7.12)




As palavras "até aqui" são como a mão que aponta em direção ao passado. Seja por vinte ou setenta anos, ainda assim, "até aqui nos ajudou o SENHOR"! Na pobreza, na riqueza, na doença, na saúde, em casa, em outro país,na costa,no mar, na honra, na desonra, na perplexidade, na alegria, nas lutas, no triunfo, na oração,na tentação, "até aqui nos ajudou o SENHOR"! Nós nos deleitamos ao olhar adiante, para uma longa alameda de árvores. É encantador olhar de ponta a ponta do longo panorama, algo como um templo verdejante, com pilares de ramos e seus arcos de folhas; da mesma forma, olhe para os longos corredores de seus anos, para os verdes galhos de misericórdia sobre sua cabeça e os fortes pilares de bondade e fidelidade que sustentaram nossas alegrias. Não há pássaros cantando nos galhos mais distantes? Certamente deve haver muitos e todos cantam a misericórdia recebida "até aqui".

Mas as palavras também apontam adiante. Pois quando um homem chega a certo ponto e escreve "até aqui", ele não está no fim, ainda há uma distância a ser percorrido. Mais provas, mais alegrias, mais tentações, mais triunfos, mais orações, mais respostas, mais labuta, mais força, mais lutas, mais vitórias e, então, vem a doença, a idade avançada, a enfermidade, a morte. Chegou ao fim? Não! Ainda há mais que surge conforme nos aproximamos da similitude a Jesus: tronos, harpas, canções, salmos, vestes brancas, a face de Jesus, a comunidade dos santos, a glória de Deus, a plenitude da eternidade, a infinitude da felicidade. Ó tenha bom ânimo, cristãos, e com confiança grata engrandeça seu "Ebenézer", pois:

Ele que o ajudou até aqui
Ajuda-lo-á em toda a jornada.

Quando lidas à luz do céu, como será maravilhosa e gloriosa a perspectiva do seu "até aqui" aos seus olhos gratos!



C. H. Spurgeon



 

08 anos de blog… 

até aqui nos ajudou o Senhor!!


Obrigado Jesus!!




jairtomaz@olheparaacruz.com.br




sábado, 7 de abril de 2018

Luz




Para responder ao cético arrogante, não adianta insistir que deixe de duvidar. É melhor estimulá-lo a continuar a duvidar, para duvidar um pouco mais, para duvidar cada dia mais das coisas novas e loucas do universo, até que, enfim, por alguma estranha iluminação, ele venha a duvidar de si próprio.



G. K. Chesterton