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sábado, 13 de janeiro de 2024

#inevitavelmente.

 Assim como Cristo sofreu no corpo, vocês também devem estar prontos, como ele estava, para sofrer. (1Pe 4.1)


Não devemos dizer em voz baixa (só para nós) nem em voz alta (para todo mundo ouvir) que estamos prontos para sofrer. Frequentemente, ainda não estamos. Será preciso mais alguns passos, ou muitos outros passos para chegarmos a essa disposição. Mesmo depois de ser advertido por Jesus a respeito da tentação diabólica pela qual passaria, Pedro exclamou euforicamente: “Estou pronto para ser preso e morrer com o Senhor!” (Lc 22.33). Porém, àquela altura, nem ele nem os outros discípulos estavam prontos para tanto. Mas se não estivesse pronto nesse momento, quando estava escrevendo sua primeira carta, Pedro não teria tido a coragem de pedir aos irmãos da Ásia Menor: “Vocês devem estar prontos para sofrer”.


Em nosso entusiasmo pelo reino, muitas vezes emitimos cheques de valor alto sem fundo. Eles voltam e nós passamos vergonha. O entusiasmo não é um mal. Ao contrário, é uma bênção! Ele nos faz sair da rotina, do marasmo, da acomodação, da frieza. Mas o entusiasmo não superficial exige maturidade, experiência, moderação, profundidade, amor apaixonado. Algo feito sem entusiasmo é mecânico, não têm óleo. O trabalho desenvolvido com entusiasmo é leve, gostoso, benfeito e deixa um sentimento muito grande de satisfação.


Pedro é muito corajoso: “Estejam prontos para sofrer”. Poucos pregadores e pastores hoje diriam algo assim. No momento, o mais comum é ouvir: “Estejam prontos para vencer!”, “Estejam prontos para o sucesso!”, “Estejam prontos para a bênção!”.


O “estejam prontos” de Pedro sugere não apenas decisão, disposição e coragem, mas também todo preparo possível, tanto emocional como espiritual. Não se trata de um sofrimento perdido, desnecessário, autoinfligido, masoquista, mas um sofrimento como o de Cristo e por causa de Cristo.


Morrer para o pecado implica inevitavelmente sofrimento!


sábado, 8 de abril de 2023

#processo

 Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam. (Hebreus 11.1)


Você já teve de esperar por algo que desejava muito? Como foi o final?


Em Gálatas 5.22-23 podemos ver que a longanimidade, também chamada de paciência, é fruto do Espírito Santo, fruto da presença de Deus em nossa vida, assim como a alegria. A pessoa sem paciência desiste logo, irrita-se com facilidade, toma decisões precipitadas. Isso muitas vezes causa situações de frustração e infelicidade. Por exemplo: se temos de esperar na fila do banco, mas estamos sem paciência, saímos sem resolver o problema ou reclamamos tanto que acabamos gerando um clima de descontentamento geral.


Não é fácil ter paciência. Nos dias de hoje, parece que as pessoas querem mesmo é gratificação imediata, se possível sem muito esforço. Mas frequentemente Deus nos prova, como fez com Jó, e nos deixa passar por um processo tão longo que chegamos até a duvidar de que haverá luz no fim do túnel.


Um conhecimento mais profundo de Deus acompanha a paciência na tribulação. Se nos humilharmos e confiarmos em Deus, veremos que seus planos estão acima do nosso entendimento. Enquanto aguardamos que ele aja, aprendemos a vê-lo como ele é, a enxergar sua presença nas muitas provas que ele nos dá, a descansar no fato de que não nos abandona e que somente ele é todo-poderoso.


Para pensar: Você crê que haja recompensa em ter paciência e perseverar?


Para orar: Senhor, não me deixa desistir mesmo que a dor seja grande. Ajuda-me a ver por fé a alegria no fim do percurso. Eu te agradeço por tua presença comigo e por teus planos, que são sempre melhores do que os meus. Teus olhos veem o que os meus não enxergam; por isso, confio em tuas mãos e direção até o fim. Cria em mim, ó Deus, um coração puro, renova em mim um espírito inabalável. Em nome de Jesus, amém.



sábado, 1 de abril de 2023

#amor q vale a pena

 Aqueles que não acreditam em Jesus observem o que os seguidores dele fazem. Eles tomam decisões sobre Cristo baseadas no que observam em nós. Quando somos bondosos, eles entendem que Cristo é bondoso. Quando somos graciosos, eles entendem que Cristo é gracioso.


Mas quando somos desonestos, o que é que alguém vai entender sobre nosso Mestre? Não é de se admirar que o apóstolo Paulo diz que devemos ser “sábios no procedimento para com os de fora; aproveitem ao máximo todas as oportunidades. O seu falar seja sempre agradável e temperado com sal, para que saibam como responder a cada um.” (Colossenses 4:5-6 NVI).


Conduta cortês honra a Cristo. Ela honra também os filhos de Deus. Quando você se esforça para cumprimentar todas as pessoas numa sala, especialmente os que outros ignoraram, você honra os filhos de Deus com um amor que vale a pena!



sábado, 28 de janeiro de 2023

#racional sim!

 Portanto, com a ajuda de Deus, quero que vocês façam o seguinte: entreguem a vida cotidiana – dormir, comer, trabalhar, passear – a Deus como se fosse uma oferta […] Não se ajustem demais à sua cultura, a ponto de não poderem pensar mais. Em vez disso, concentrem a atenção em Deus. (Rm 12.1-2)


O culto racional não é fácil. Exige uma atitude honesta e não suporta a superficialidade. Não tem substitutos, não faz concessões, não serve de esconderijo. Não consiste em meras palavras, não se confunde com aparências, não diz respeito a quantidade. Repartições mecânicas e providências supersticiosas não se enquadram no culto racional.


O culto racional contrasta com o sacrifício de animais irracionais. É uma entrega consciente e voluntária do homem a Deus. Uma entrega mais moral que cerimonial. Uma entrega do nosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus. Sacrifícios da carne e da vontade. Obediência. É o negar-se a si mesmo e o carregar a cruz dia a dia. É seguir a Cristo. É perder a vida por causa do compromisso cristão. Perder a vida de dimensões miseráveis (que se vê) para ganhar a vida de dimensões inimagináveis (que não se vê).


Muita gente tem preferido o culto não racional, o culto de Caim, os bezerros de ouro, o culto hipócrita de Israel, a falsidade de Pilatos. É mais cômodo. É mais comum. É mais concorrido. Além do mais, o culto não racional é sutil, serve de venda, funciona como paliativo, parece satisfazer a necessidade interior de culto.


O culto racional inclui o não conformismo, quebra a adequação ao erro, não assume compromissos com as trevas, nada contra a correnteza e anda em direção oposta ao vento. Desde que a mente humana pode tornar-se viciada, prejudicada e falha, o culto racional prevê ainda a renovação mental, a maneira diferente de pensar e enxergar as coisas. Só assim é possível a transformação. A transformação que leva à experiência da boa, agradável e perfeita vontade de Deus.


sábado, 14 de janeiro de 2023

#prioridades

"Busquem, pois, em primeiro lugar o reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas lhes serão acrescentadas". (Mateus 6.33).

Jesus agora contrasta aquilo que os pagãos buscam e aquilo que os cristãos deveriam buscar primeiramente. Aquilo que buscamos é o que está colocado diante de nós como supremo bem para o qual dedicamos a nossa vida. Ele é a nossa preocupação, a nossa ambição. Jesus reduz as opções a duas. Os pagãos são obcecados por seu próprio bem-estar material (comida, bebida e vestimenta), enquanto os cristãos devem estar preocupados acima de tudo com o reino e a justiça de Deus e com a sua propagação por todo o mundo.


Jesus começa com a negativa. Três vezes ele repete sua proibição de não nos preocuparmos com as coisas materiais. Ele não está proibindo nem o pensamento nem a prevenção, mas a ansiedade, pois ela é incompatível com a fé cristã. Se Deus realmente cuida da nossa vida e do nosso corpo, será que não podemos confiar que ele cuidará de nossa alimentação e vestimenta? De novo, se Deus alimenta passarinhos e veste os lírios do campo, será que não podemos confiar nele para nos alimentar e vestir?


Ao mesmo tempo, não podemos interpretar erroneamente o ensino de Jesus. Primeiro, confiar em Deus não nos isenta de trabalhar para ganharmos o nosso sustento. Os passarinhos nos ensinam essa lição. Como Deus os alimenta? A resposta é que ele não os alimenta! Jesus era um observador perspicaz da natureza. Ele sabia perfeitamente bem que passarinhos alimentam a si mesmos. Deus só os alimenta indiretamente, ao fornecer os recursos com os quais se alimentem. Segundo, confiar em Deus não nos isenta da calamidade. Realmente, nenhum pardal cai ao chão sem a permissão de nosso Pai; mas pardais caem e são mortos. Do mesmo modo acontece aos seres humanos. Da mesma maneira ocorre com os aviões.


Em vez de se preocuparem com coisas materiais, os seguidores de Jesus devem buscar primeiro o reino de Deus e a justiça de Deus. Buscar o reino de Deus é proclamar Cristo como Rei, para que as pessoas se submetam à sua soberania. Buscar a justiça de Deus é lembrar que ele ama a justiça e odeia o mal, de modo que, mesmo fora do círculo do reino, a justiça agrada mais a Deus que a injustiça; a liberdade, mais que a opressão; a paz, mais que a violência ou a guerra. Nessa dupla ambição nossas responsabilidades evangelísticas e sociais se combinam, e a glória de Deus se torna o nosso interesse supremo.


Para saber mais: Mateus 6.25-34


sábado, 20 de agosto de 2022

# abrir mão

 

Render-se 

Watchman Nee


"Render-se significa abrir mão, significa vencer."


Leiamos dois versículos. Em Lucas 18:27 é dito: "As coisas impossíveis aos homens são possíveis a Deus". Em 2 Coríntios 12:9 é dito: "Então, ele me disse: A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo ".



DEUS DESEJA QUE O HOMEM PERCEBA SUA INCAPACIDADE


Irmãos e irmãs, Deus chegou à conclusão de que nunca conseguiremos nada. Ele já determinou que somos incapazes. Já discerniu a situação e viu que não conseguimos fazer nada. E já disse isso. A questão agora está em como reagiremos. Irmãos e irmãs, por que Deus permite que caiamos tão freqüentemente depois de salvos? Por que temos fracassado constantemente desde o dia da nossa salvação até agora?


Muitos me confessam com lágrimas que não conseguem vencer esse ou aquele pecado. Irmãos e irmãs, não pensem que não compreendo suas frustrações; sei que algum pecado os vem molestando, mas dou graças a Deus e O louvo porque vocês não conseguem superá-lo. Vocês se renderam; reconheceram a derrota; Deus lhes mostrou que não conseguem vencer. Ele não tem necessidade de mostrar-lhes muitos pecados. Basta deixá-los ver um só, e esse será suficiente para demonstrar-lhes que vocês não conseguem vencer.


Talvez uma irmã tenha vencido todo tipo de pecado, mas não consegue vencer o pecado da mentira. No instante em que abre a boca, mente. Quando fala, as mentiras lhe saem da boca. Ela reconhece que é um pecado que não consegue vencer.


Outra irmã talvez não consiga vencer o mau gênio. Ela se altera assim que é provocada. Imediatamente após alterar-se, confessa o pecado; mas logo em seguida o mau gênio volta. Cada vez que perde a paciência, sabe que tem de confessar o pecado, e após ter confessado, explode novamente. Isso a perturba muito, mas não há o que possa fazer. Continua perdendo a paciência freqüentemente.


Talvez um irmão tenha conseguido vencer muitos pecados, mas não o de fumar. Embora seja um bom irmão, não consegue vencer esse pecado.


Outra irmã talvez vença todo tipo de pecado, mas não consegue vencer o de comer sem parar e fora de hora.


Por que os cristãos têm experiências diferentes? Deus permite que essas coisas permaneçam em nós para provar-nos que nada podemos fazer. Ele sabe que nada podemos fazer, mas nós dizemos que podemos. Ele diz que somos um caso sem esperança, mas nós ainda agimos como se houvesse esperança para nós.


Precisamos ver que todas as nossas decepções e fracassos, e todas as vergonhosas derrotas são o modo de Deus provar-nos que não conseguimos. É assim que Ele nos pergunta se já percebemos que fracassamos o suficiente. É desse modo que demonstra que jamais conseguiremos vencer. Ele permite que fracassemos uma, duas, dez e até mesmo vinte vezes, para que vejamos que nada podemos fazer. Permite que constantemente fracassemos a fim de mostrar-nos nossa incapacidade. Permite que tenhamos essas experiências para que reconheçamos diante Dele que não somos capazes. O primeiro passo em direção à libertação é reconhecer que nada podemos fazer. Para ser salva, uma pessoa deve primeiro reconhecer sua incapacidade. Da mesma maneira, para vencer, também precisa reconhecer sua incapacidade. Uma vez que cheguemos a esse ponto, Deus poderá começar a trabalhar. Infelizmente o jovem rico que se aproximou de Jesus retirou-se desiludido! É uma lástima ele ter ido embora entristecido, apesar de ter visto a própria incapacidade!


Por que Deus deu a lei ao homem? Não precisamos examinar todas as leis que Deus nos deu nesses quatro mil anos. Necessitamos atentar apenas aos dez mandamentos que Ele deu aos israelitas no monte Sinai. Qual foi o propósito deles? Deus os deu aos israelitas não para que os guardassem, mas para que os quebrassem. Que significa isso? Deus sabe que o homem não pode guardar a lei e também sabe que todos somos pecadores. No entanto, o homem se nega a aceitar o juízo de Deus. Somente quando fracassa, depois de tentar cumprir a lei, é que uma pessoa reconhece que é pecadora. O livro de Romanos nos diz que Deus deu a lei ao homem para que este a quebrasse, e não para que a guardasse. Quando o homem, então, compreende que não consegue guardar a lei, aí é que é subjugado e se humilha. Deus despendeu quatro mil anos para ajudar o homem a ver que não pode fazer nada. Depois enviou Cristo para que o homem O recebesse e fosse salvo por Ele.


Nos últimos dois mil anos muitos pecadores foram salvos. Fomos salvos apesar de pecadores. Pela lógica, isso deveria ser suficiente para humilhar-nos; mas não sei se melhorou em alguma coisa seu mau gênio ou orgulho. É possível que tenha havido algo que chamemos de melhora, mas na verdade é repressão. Antes seu mau humor se manifestava externamente; agora fica reprimido. Antes, nosso orgulho se manifestava externamente; agora o reprimimos. Mas quando a repressão chega a certo nível não podemos reprimir-nos mais, e tudo ficará fora de controle. Deus nos mostra que não podemos fazer nada. Ele nos diz que ninguém pode pôr fim a seus pecados. Enquanto houver alguma coisa que o homem não possa fazer, sua incapacidade será manifestada.


Irmãos e irmãs, somos inúteis. Para receber libertação da parte de Deus, a primeira coisa é reconhecer que nada podemos fazer e não tentar nada. Temos de dizer a Deus: "Deus, rendo-me a Ti. Estou acabado. Não mais lutarei". Isso é o que significa render-se. Irmãos e irmãs, a primeira condição para a libertação é dizer: "Não posso fazer nada. Não tentarei lutar mais, nem continuarei esforçando-me. Antes tinha tentado deixar um pouco meu orgulho, mas agora, Senhor, não tenho intenção de mudar-me. Anteriormente procurei mudar um pouco meu mau gênio, mas, Senhor, desistirei de tentar. Pensei ter corrigido minha língua, mas agora não continuarei tentando. Não posso fazer nada. Não tentarei mudar-me. Dou-me por vencido".




sábado, 11 de abril de 2020

#instituições-divinas

Todas as instituições humanas ordenadas por Deus no Antigo Testamento são  representadas nas cartas apostólica - o indivíduo, a família, o governo  civil da igreja  - cada uma com a autoridade e os limites estabelecidos na lei de Moisés. 

[...]

Os apóstolos investem tempo definindo e reafirmando cada um dos domínios estabelecidos por Deus. Como Jesus  o fez antes deles, os apóstolos questionam as tradições e valores dos judeus e dos gentios, mas nunca nos deixam no vazio. Eles cuidadosamente  representam os valores de Deus.


Landa Cope - Deus e a justiça política



sábado, 5 de outubro de 2019

@quem está disposto?

"Tenho, porém, um batismo com o qual hei de ser batizado; e quanto me angustio até que o mesmo se realize". O batismo, na bíblia, é sempre figura de morte e ressureição. No novo testamento há menção de quatro tipos de batismo.

Primeiro, há o batismo nas águas, quando somos separados de Satanás, do pecado e da morte. essas três realidades são como que "afogadas" nas águas batismais (ver 1 Coríntios 10.1, 2), e nós nos erguemos para uma vida nova com Deus.

Há também o batismo com o Espírito Santo. Nele morrem nossa força e capacidade próprias, e o Senhor passa a ser nossa fonte de poder. Aqui também observa-se morte e ressurreição.

O terceiro tipo de batismo é o do fogo, em que muitas velharias de nossa vida são destruídas para que a nova existência em cristo se desenvolva.

E, finalmente, em Lucas 12.50, Jesus fala de um batismo de sofrimento e morte, que também poderíamos denominar "batismo de sangue". "Tenho, porém, um batismo com o qual hei de ser batizado", declarou o Senhor e, ao fazê-lo, seus olhos estavam voltados para a cruz. Esse batismo representa a morte de nossa produtividade. depois que somos submetidos a ele, não produzimos mais nada de nós mesmos. Jesus disse: "Se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas se morrer, produz muito fruto". Morte e ressurreição. E foi contemplando o batismo de sofrimento, esse ato de dar tudo para servir os outros e sofrer por eles, que Jesus disse: "E quanto me angustio até que o mesmo se realize".

Enquanto não passarmos pelo batismo de sofrimento e morte, nossa capacidade de produção será muito limitada. Enquanto nossa vida não for crucificada, não haverá fruto. Isso não faz sentido para nós e nosso raciocínio, mas é o método de Deus. Será que podemos exclamar como Jesus: "Como eu me angustio até que minha vida seja apagada, a fim de que a energia divina comece a desenvolver-se em mim e a alcançar os outros, por meu intermédio"?

Estaremos dispostos a morrer para os privilégios, conforto, interesses pessoais, a fim de que nossos semelhantes possam obter vida eterna? O apóstolo Paulo diz o seguinte em 2 Coríntios 4.12: "De modo que em nós opera a morte; mas em vós, a vida". Quando renunciamos cabalmente nossos próprios interesses e privilégios, tal ato se constitui no ponto de partida para que a vida eterna brote em outra pessoa.

O grande líder do reavivamento galês de 1905 e 1906, Evan Roberts, foi designado por Deus para ser o principal porta-voz do Senhor, naquele evento. Quando ele compreendeu isso, saiu de casa e dirigiu-se para o campo, onde passou a noite toda, em prantos. Sabia que daí em diante seus privilégios seriam sacrificados. Sua vida teria que ser submetida a Deus, por causa do avivamento. Mas que vitalidade espiritual resultou daquele despertamento - vitalidade ainda hoje sentida na Igreja. E tudo por que um homem se dispôs a receber o batismo de morte.

Muitos anos depois, indagaram a Evan Roberts: "Será que nós ainda veremos outro avivamento como o galês?" E ele respondeu com uma pergunta: "Quem está disposto a pagar o preço?"

Foi o que Cristo quis dizer quando afirmou "Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, dia a dia tome a sua cruz e siga-me". Significa seguir seu exemplo de renúncia a todos os privilégios, ao emprego do tempo, aos prazeres mesquinhos, a fim de que outrem possa receber vida eterna.

Enquanto cada igreja cristã não se submeter a esse tipo de morte, a vida verdadeira não brotará dela. Se os membros de uma congregação ou grupo cristão, por menor que seja, estiverem dispostos a morrer para seus privilégios, esse grupo poderá abalar o mundo. Se cada crente que o compõe disser: "Meu tempo não me pertence, nem meu dinheiro, nem meus privilégios, nem minha família; estou nas mãos de Deus, do mesmo modo como Jesus estava, quando tomou a cruz". Essa célula cristã convulsionará o mundo.

A mente renovada - Larry Christenson



sábado, 6 de agosto de 2016

Aquele que Faz




"Nem todo aquele que me diz: Senhor, Senhor, entrará no Reino dos Céus, senão aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos Céus."

Mateus 7.21


terça-feira, 21 de outubro de 2014

Como alguém pode desenvolver uma mente cristã?



"Eu quero desenvolver uma mente cristã, mas não sei como" Esta atitude é, ao mesmo tempo, comum e compreensível. O fato de que nós devemos desenvolver as nossas mentes como cristãos não é questionado. Nós somos instruídos a amar a Deus com o nosso pensamento (Mt 22.37), ser transformados pela renovação do nosso entendimento (Rm 12.2), e estar preparados para dar respostas criteriosas sobre a fé (1Pe 3.15).

Uma mente cristã madura tem dois aspectos. Em primeiro lugar, é uma mente que formou o hábito de se concentrar constantemente em Deus, durante todo o dia. É uma mente preocupada com Deus e direcionada regularmente a Ele em oração e meditação (Sl 16.8; Is 26.3; Lc 18.1; Rm 12.12; 1Ts 5.16-18). Mas como é possível fazer isto e ainda realizar as tarefas diárias? Felizmente, as pessoas conseguem fazer mais de uma coisa ao mesmo tempo. Enquanto dirige ou concentra a sua atenção em uma tarefa, a pessoa ainda pode ter consciência de Deus, na amplitude da sua atenção, e pode trazer Deus ao centro do foco d obediência em várias ocasiões durante todo o dia.

Dois hábitos podem tornar mais fácil que você se concentre em Deus de modo constante. Em primeiro lugar, memorize quatro ou cinco passagens da Bíblia que realmente tenham importância para você. Cada passagem pode ter um ou vários versículos. Agora, acostume-se a orar estas passagens ao Senhor durante o dia. Enquanto ora uma passagem, frase a frase,use-a para orar sobre coisas que lhe interessam. Em segundo lugar, medite regularmente sobre estas passagens ou outros textos espirituais, pensando sobre o que elas significam, sobre como você pode interiorizá-las, e sobre como pode promovê-las aos outros.

O segundo aspecto de uma mente cristã madura é aquele que vê todo a vida à luz de uma perspectiva cristã, e está crescendo em excelência intelectual. Uma perspectiva é a soma de tudo aquilo em que uma pessoa crê, especialmente em respeito à realidade, verdade, conhecimento e valor. Uma perspectiva cristã é um conjunto de crenças fundamentado biblicamente e que diz respeito à vida toda, abrangendo desde o trabalho, a recreação e as finanças sendo dedicadas a Deus e dirigidas por Ele, a vida após a morte, e a moralidade. A pessoa tenta pensar sobre toda a vida, levando em conta os ensinamentos das Sagradas escrituras e, mais especificamente, do Senhor Jesus. Não existe um separação entra sagrado e secular em uma mente cristã.

Para uma mente cristã madura, tudo na vida é uma oportunidade para o discipulado e a adoração. Além disto, uma mente intelectualmente excelente é aquela que é informada, que faz importantes distinções quando uma mente menos madura não as faz, e que tem noções mais profundas sobre questões de importância. Para desenvolver tal excelência, é preciso ler regularmente, ouvir gravações e expor-se a ensinamentos excelentes. É preciso também estar disposto a envolver os outros - crentes ou descrentes - em conversas sobre questões importantes. Este costume regular, se combinado com uma capacidade crescente de ouvir abertamente e sem defesas, trará motivação e oportunidade para o crescimento regular em excelência intelectual.

J. P. Moreland


segunda-feira, 24 de junho de 2013

Casamento com um não cristão

Casamento com um não cristão

Dr. Craig,
Em seu artigo sobre o fracasso, que por sinal acho excelente, o senhor afirma que se casar com alguém que não seja cristão é um pecado:
“Com fracasso na vida cristã, quero dizer o fracasso do crente no relacionamento e no caminhar com Deus. Por exemplo, o cristão pode sentir-se decepcionado e fracassado por se recusar a dar ouvido ao chamado de Deus, por sucumbir à tentação ou por casar-se com um não cristão. Fracassos dessa espécie devem-se ao pecado. É essencialmente um problema espiritual, questão de fracasso moral e espiritual.”
Gostaria de saber como o senhor pode ter tanta certeza de que o casamento com incrédulos é pecado.
Com certeza, não consigo me lembrar de nenhuma ocasião em que Cristo afirma tal coisa. A ordenança de Paulo, “Não vos coloqueis em jugo desigual com os incrédulos” refere-se obviamente a não se ligar a “infiéis” (aos idólatras, por exemplo) e não a uma luta agnóstica pela fé.
Eu, particularmente, acredito que aqui a palavra marcante é “desigual” — com certeza nenhum cristão jamais deveria submeter a sua fé à do incrédulo. Além disso, se Paulo, em 2Coríntios, estivesse falando estritamente de casamento, então estaria contradizendo claramente a declaração de 1Coríntios:
“Mas eu, não o Senhor, digo aos outros: Se algum irmão tem mulher incrédula, e esta consente em viver com ele, não se divorcie dela. E se alguma mulher tem marido incrédulo, e este consente em viver com ela, não se divorcie dele. Porque o marido incrédulo é santificado por causa da mulher, e a mulher incrédula é santificada por causa do marido crente.”
Comentários?
Judith


Conforme você supôs corretamente, Judith, estou considerando as diretivas de Paulo em 2Coríntios 6.14ss. Penso que concordamos que seja pecado fazer conscientemente algo que contrarie uma ordem bíblica. Segundo afirma Tiago: “aquele que sabe que deve fazer o bem e não o faz, comete pecado” (Tg 4.17). Portanto, a única questão é se Paulo ordena aos crentes que não se casem com incrédulos.
Veja, então, o que Paulo diz: “Não vos coloqueis em jugo desigual com os incrédulos” (v. 14). Como poderia ser mais claro? Aqui, a palavra incrédulo é apistos, alguém que não tem fé. Sem dúvida, naquela época a maioria dos incrédulos também estava envolvida com a adoração de deuses pagãos (1Co 10.27). Mas apistos não significa “idólatra”. A palavra para idólatra é eidololatres (1Co 6.9). Incrédulo é alguém em quem falta a fé salvadora, inclusive os idólatras, mas não apenas eles.
Dê uma olhada no modo como Paulo emprega a palavra “incrédulo” em outras partes de suas cartas. Observe como em 1Coríntios 14.22-25 ele usa “incrédulo” como sinônimo para o “estranho”, alguém de fora da comunidade cristã. Em 1Coríntios 6.6, ao proibir processos judiciais entre os cristãos, Paulo está escandalizado com o fato de as disputas precisarem ser levadas à presença de incrédulos e não à presença de irmãos cristãos. Em 1Coríntios 7.12-13, ele se refere à situação de alguém cujo cônjuge é, conforme você observa, um “incrédulo”, ou seja, que não está salvo (v. 16). Acho que seja evidente que incrédulo é quem carece da fé salvadora e, por isso, não faz parte do corpo de Cristo.
Então, será que existe alguma contradição com a ordenança de Paulo em 1Coríntios 7.12-16? Não, de jeito nenhum! Ali Paulo está falando aos casais que eram os dois incrédulos, mas que depois um deles se tornou cristão e, portanto, se acha agora com um cônjuge incrédulo. Essa é, de fato, a situação, conforme evidencia o preponderante princípio de Paulo, aplicado também aos escravos e incircuncisos: “Somente viva cada um como o Senhor lhe determinou, cada um como Deus o chamou” (v. 17). “Cada um permaneça na condição em que foi chamado” (v. 20). Portanto, se você era casada quando foi chamada, Paulo lhe diz para não se separar do seu companheiro incrédulo. Permaneça casada, exatamente como era quando foi chamada para seguir a Cristo, a menos que o companheiro incrédulo deseje se separar.
Paulo, todavia, proíbe os crentes cristãos de se casarem com incrédulos. Por quê? Em 2Coríntios 6.15, ele pergunta: “Que parceria tem o crente com o incrédulo?”. Pode-se ficar tentado a responder à pergunta de Paulo: “Bem, nós dois nos ligamos mesmo em praticar esportes e em atividades ao ar livre” ou “Nós dois nos amarramos em finanças e negócios”. Mas Paulo teria considerado que esse tipo de resposta revela a total falta de entendimento da união conjugal. Para Paulo, a fé em comum em Cristo era fundamental para o relacionamento conjugal. O fato de pouquíssimos casamentos entre cristãos apresentarem hoje a centralidade de Cristo é um testemunho vergonhoso da extensão do quanto assimilamos a visão mundana de casamento. Não surpreende, portanto, que a taxa de divórcios entre casais cristãos seja tão elevada quanto entre os não cristãos.
Tenho o privilégio de estar casado por mais de trinta anos com uma mulher cujo amor está, primeiro e antes de tudo, em conhecer e servir ao Senhor Jesus Cristo. Nosso desejo em comum de conhecê-lo e de servi-lo nos tem unido fortemente. Não consigo imaginar como seria ser casado com alguém que não partilhasse desse primeiro amor em comum. Ele nos tem acompanhado ao longo dos altos e baixos da vida.
Desconheço a sua situação pessoal, Judith, mas se você está considerando a possibilidade de se casar com um incrédulo, gostaria de lhe instar a não fazer isso, não importa o quanto o ame. Obedeça a Deus, dê tempo a ele para trabalhar no coração do seu namorado e, enquanto isso, esforce-se para ser a mulher que Cristo quer que você seja, à medida que o seu caráter é formado em você.
Por outro lado, se já está casada com um incrédulo, nesse caso você deve confessar seu pecado, clamar pelo perdão do Senhor e então obedecer às ordens bíblicas acerca de como a mulher casada com um incrédulo deve portar-se (1Pe 3.1-6).
William Lane Craig
Originalmente publicada como: “Marrying a Non-Christian”. Texto disponível na íntegra em: http://www.reasonablefaith.org/marrying-a-non-christian. Traduzido por Marcos Vasconcelos. Revisado por Mariú M. M. Lopes.


Read more: http://www.reasonablefaith.org/portuguese/casamento-com-um-naeo-cristaeo#ixzz2X9Qc5cmu

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

EU ACREDITO!





   ... com carinho para a amiga Carol. Que Deus faça a obra em sua vida, como tem feito na minha!

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Deus restaurou minha identidade



http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2012-07-05/pastor-e-ex-travesti-deus-restaurou-minha-identidade-sexual.html


Pastor e ex-travesti: “Deus restaurou minha identidade sexual”

Conheça a história de Joide Miranda, que diz ter deixado a homossexualidade, hoje é casado e tem um filho. Confira o antes e depois e comente no final da reportagem

Anderson Dezan , iG Rio de Janeiro | 

George Magaraia
Pastor Joide Miranda entre sua mulher, Edna, e seu filho, Pedro: "Sou 100% heterossexual"

Na semana passada, gritos e bate-boca marcaram uma audiência pública na Câmara dos Deputados, em Brasília. O motivo: estava sendo discutido o projeto de decreto legislativo 234/11, conhecido como projeto de "cura" dos homossexuais. A proposta do deputado João Campos (PSDB-GO) quer derrubar o dispositivo do Conselho Federal de Psicologia que proíbe profissionais de atender pacientes gays que desejam mudar sua orientação sexual.
Para alguns especialistas, essa mudança é impossível. Não é o que pensa o pastor Joide Miranda, de 47 anos. O religioso mora em Cuiabá com a esposa Edna, com quem está há 17 anos, e seu filho Pedro, de 1 ano e 9 meses. Na capital matogrossense, ele fundou a ABexLGBTT (Associação Brasileira de Ex-LGBTTs), entidade que ajuda pessoas que "desejam deixar voluntariamente o estado da homossexualidade".
O estímulo para aqueles que o procuram é a sua própria história: aos 12 anos, Joide assumiu sua homossexualidade, aos 14, virou travesti, aos 21, foi viver uma relação homoafetiva com um italiano e, aos 26 anos, deixou tudo para trás após virar evangélico. Hoje, diz estar 100% restaurado na sua identidade heterossexual.
“A homossexualidade é uma conduta aprendida. Deus restaurou minha identidade e, quando ele faz isso, não há força maligna que faça voltar atrás”, diz ele. “A pessoa precisa substituir aqueles desejos, comportamentos, amizades e a forma de falar. Tem que encher a mente com as coisas de Deus. Precisa do esforço da pessoa”, ensina o pastor.
A entrevista ao iG ocorreu durante uma viagem ao Rio, onde foi convidado a pregar em uma igreja evangélica em Marechal Hermes, bairro da zona norte da cidade. No bate-papo, recheado de citações bíblicas, Joide Miranda contou sua história, descreveu o que um homossexual deve fazer para deixar de sentir desejo por pessoas do mesmo sexo, disse como iniciou o romance com sua esposa, criticou igrejas evangélicas GLS e fez alertas aos pais sobre os desenhos que as crianças assistem, citando o filme " Rio ". Leia a entrevista:
iG: Qual é o objetivo da ABexLGBTT?Pastor Joide: Abrimos a associação para apoiar aqueles que querem deixar o estado da homossexualidade. Eles não têm onde receber apoio e precisam de acompanhamento espiritual e psicológico. A entidade serve para mostrar a eles que há, sim, uma resposta. Atendo há mais de dez anos essas pessoas e tenho uma metodologia que não sai da Bíblia. Não sou psicólogo, sou um estudioso da Bíblia.
iG: A associação seria uma espécie de alternativa? O Conselho Federal de Psicologia possui uma resolução que proíbe tratar a homossexualidade como um transtorno. 
Pastor Joide: A Organização Mundial da Saúde decretou que homossexualidade não é doença, mas, na verdade, eu sofri um transtorno egodistônico. Isso estava na Classificação Internacional de Doenças (CID) da psicologia, mas foi retirado. Precisei passar por uma psicóloga que conhecia e era evangélica. Hoje, se um indivíduo procurar uma clínica e disser que sofre de um transtorno egodistônico de sua identidade sexual, o profissional está proibido de atender. Existem muitas pessoas com esse tipo de transtorno que não querem vivenciar essa vida e sofrem.

George Magaraia
Pastor Joide Miranda com Edna: "Esse amor veio do trono da glória de Deus"

iG: O senhor rejeita, então, a ideia de que a pessoa nasce homossexual? 
Pastor Joide: (Enfático) Eu também acreditava nisso, mas a homossexualidade é uma conduta aprendida. Quando você conhece Deus, percebe que ele é soberano em todas as coisas. Você acha que Deus ia errar justamente no homem a sua imagem e semelhança? Se ele quisesse que eu vivenciasse aquele estado em que estava, tinha me feito com uma vagina.
iG: Quando duas pessoas estão juntas, mesmo sendo do mesmo sexo, elas teoricamente se amam. Deus não é amor? 
Pastor Joide: Um rapaz me disse uma vez que Deus estava no seu relacionamento. Se estivesse, ele iria fazer o rapaz sentir prazer no ânus, onde chega toda a sujeira do corpo? (Indignado) Que Deus é esse que faz um homem sentir prazer ao penetrar no ânus de outro homem?
iG: Mas é, de fato, possível deixar de ser gay? 
Pastor Joide: Com certeza! Se não fosse, a Bíblia estaria mentindo. O problema da homossexualidade não está embaixo e, sim, na mente. Muitas pessoas que querem mudar dizem que não estão na prática do sexo, mas se masturbam pensando em homens. Como é que eles querem ser libertos? Quando você se masturba, força sua mente a trazer desejos pecaminosos. Ao invés de purificá-la, você está forçando-a se tornar mais pornográfica. É preciso restaurar a mente.

Arquivo pessoal
Joide Miranda: "Eu me vestia, falava e andava como mulher"

iG: E como fazer isso?Pastor Joide: A restauração da mente só vem através da conversão. A pessoa precisa substituir aqueles desejos, comportamentos, amizades e a forma de falar. Na Epístola de São Paulo aos Romanos, no capítulo 12, versículo dois, a Bíblia diz: “Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso espírito”. Isso quer dizer que meu círculo de amizade tem que ser transformado, as coisas que assisto e que me levam a ter uma mente pornográfica têm que ser mudadas. Se quero ser restaurado na minha identidade sexual, tenho que encher minha mente das coisas de Deus.
iG: Mas isso deve levar um tempo... 
Pastor Joide: Não é do dia para a noite. Precisa do esforço da pessoa. É isso o que muitas pessoas não conseguem entender. Elas falam que estão há muito tempo na igreja e os desejos continuam na mente. O que elas têm feito para que isso aconteça? Têm lido a Bíblia, têm buscado as coisas de Deus, têm caminhado com o senhor? As pessoas acham que Deus é uma fada madrinha e tem obrigação de fazer todas as coisas. Muitas coisas dependem exclusivamente de nós.
iG: Como foi essa mudança para o senhor? 
Pastor Joide: Eu me vestia, falava e andava como uma mulher. Sentava e cruzava as pernas. Sentar de perna aberta foi um exercício, um esforço muito grande. Eu tinha o conhecimento da palavra, Deus estava no comando de todas as coisas, mas tive que lutar. Quando dou palestras, pergunto aos presentes se eles acham que foi fácil sentar de perna aberta e coçar o saco. Não foi, não! (ri) Um anjo não desceu dos céus e disse que eu tinha que coçar o saco. Eu me cobrava: “Joide, senta como homem! Coça o saco!” (ri) Quando existe o querer da pessoa, Deus age e opera.
iG: Essa atitude de mudança não pode soar como homofóbica? Não devemos amar igualmente os irmãos? 
Pastor Joide: Amar, sim. Amo todo mundo. Amo os homossexuais, só não concordo com a prática do homossexualismo. É totalmente diferente.
iG: E, na sua opinião, o que leva uma pessoa a virar homossexual? 
Pastor Joide: São vários fatores. O que mais vemos são abusos sexuais na infância. Temos também rejeição no ventre. Às vezes o pai sonha em ter um filho e, de repente, vem uma menina. Outro fator são os pais que suprem toda a necessidade material do lar, mas trabalham tanto que chegam em casa cansados para ouvir e brincar com os filhos. Há ainda as crianças sem referencial paterno, só materno. O menino quer brincar com boneca e a mãe não interfere. Leva ao psicólogo e ouve que não tem nada a ver e vai passar. Se formos olhar a infância, em 99% dos casos o estado da homossexualidade começou lá. O inimigo das nossas almas sempre age no início. É por isso que todos dizem que nasceram assim.

George Magaraia
Joide Miranda: "Se não fosse possível deixar de ser gay, a Bíblia estaria mentindo"

iG: O senhor costuma dizer que a mídia faz apologia aos gays. Os pais devem ficar atentos à programação na TV? 
Pastor Joide: A televisão traz uma péssima influência para as crianças. Quais são os filmes e desenhos que elas assistem hoje? Os pais não têm essa visão. Atarefados, largam os filhos em frente à TV. Pare e preste atenção. No filme “ Rio ”, por exemplo. Tem um buldogue fantasiado de Carmen Miranda! (Indignado) Onde já se viu um cachorro brabo usar biquíni e fantasia de Carmen Miranda? Também tem um barbudo, segurança do centro de recuperação de aves, que sai do armário de tanga e rebolando.  Qual é o objetivo? Saí do armário, declarei o que sou. Irmão, isso se chama mensagem subliminar! Os pais precisam estar atentos. O adulto não percebe, mas a criança, sim.
iG: Como foi sua infância? Como era a relação com seus pais? 
Pastor Joide: Não tive uma boa relação com meu pai. Ele era alcoólatra, extremamente agressivo. Em frente a minha casa morava um advogado. Quando tinha seis anos, esse vizinho me levou para a casa dele e me molestou. Não houve penetração, mas fiquei machucado. Cheguei em casa chorando, mas tive medo de contar para meu pai. O advogado também me ameaçou, dizendo que ia me desmentir se eu contasse. Só que depois ele começou a me tratar bem. Eu ia para a casa dele e recebia carinho e balas. Comecei a ganhar desse homem o que não recebia do meu pai e ele começou a me molestar. Quando tinha sete anos, ele me levava para o motel, tocava em mim e pedia para eu fazer sexo oral. Ele fazia sexo oral em mim e se masturbava. Ainda me dava doces. Acabei ficando viciado nisso. Logo vieram brincadeiras com outros meninos...

Arquivo pessoal
Joide Miranda em Paris

iG: Seus pais não perceberam nada? 
Pastor Joide: Eu me tornei uma criança muito agressiva. Parei de estudar e meus pais não perceberam nada. Sou o único homem de quatro filhos. Minha mãe não se preocupou tanto comigo, tomava mais conta das meninas. Minha casa também vivia em pé de guerra. Meu pai bebia, agredia minha mãe, me espancava e batia nas minhas irmãs. Foi nesse cenário que aos 12 anos assumi minha homossexualidade.

iG: Como ficou a relação com seus pais após isso? 
Pastor Joide: Com meu pai já não tinha um bom relacionamento. A minha mãe sofreu e chorou muito. Amado, vou falar uma coisa: por mais que a mídia faça apologia ao homossexualismo e de que os pais têm que aceitar a opção de seus filhos, no fundo, nenhum pai aceita porque é um vazio dentro da alma. Todo pai sonha com a continuidade da família. A situação na minha família foi ficando insustentável porque o problema não era mais só com meu pai e, sim, também com minha mãe e minhas irmãs. Elas diziam que eu era uma vergonha e minha mãe dizia que não tinha me feito daquele jeito.
iG: E por que virou travesti? 
Pastor Joide: Eu tinha 14 anos. Segui esse caminho por causa da situação em que me encontrava. Parei com meus estudos e saí de casa. Vi na esquina um grupo de travestis e percebi que eles entravam e saíam de dentro dos carros. Perguntei se eles ganhavam dinheiro naquela vida e ouvi que ganhavam muito. O diabo soprou no meu ouvido que aquela era uma forma de me vingar do meu pai porque ele vivia dizendo que eu não valia nada, que era um inútil. Fui provar para ele que ia ser alguém na vida.
iG: A prostituição te deu muito dinheiro? 
Pastor Joide: Um travesti me levou para a esquina e ali comecei a ganhar dinheiro, ainda em Cuiabá. Fui ganhando cada vez mais e me disseram que no Rio teria mais lucro. No Rio, me disseram que em São Paulo ganharia mais. Segui pra lá, onde coloquei quatro litros e meio de silicone no meu quadril. Em São Paulo, conheci travestis com carro do ano, muito chiques. Perguntei onde eles ganhavam tanto dinheiro e me disseram que em Paris ganhava-se mais...

George Magaraia
Joide Miranda: "Em 99% dos casos, o estado da homossexualidade começa na infância"

iG: E foi para a França? 
Pastor Joide: Já fazia cinco anos que estava na prostituição, juntei uma quantia e viajei. Cheguei a retornar ao Brasil, mas não me adaptei. Voltei para a Europa e morei em Portugal, na Espanha, Itália e Grécia. Em Barcelona, coloquei 380 ml de silicone no peito. Em Milão, conheci um italiano que dizia ser apaixonado por mim. Ele me levou para conhecer sua família, fomos morar juntos e deixei a prostituição.
iG: Como foi esse relacionamento? 
Pastor Joide: Não há fidelidade nesse tipo de relação. Meus amigos não eram fiéis aos seus parceiros, como eu não era ao meu e nem ele a mim. Esse é um aspecto que a mídia não mostra. Uma coisa é estar diante da sociedade, outra coisa é quando se encontra só. Na frente das pessoas, mostrávamos o glamour, todos bonitos e produzidos. Quando nos encontrávamos a sós na madrugada, questionávamos a vida miserável que estávamos vivendo. Muitos iam para as drogas e bebidas para disfarçar aquela hipocrisia. Olhava meus amigos gays e travestis na faixa de 50 e 60 anos e via como eles sofriam. Não tinham parceiros e aqueles que tinham era por causa do dinheiro. Eu pensava que, se não morresse naquele momento, aquilo ia acontecer comigo.

Arquivo pessoal
Joide e Edna: "Ela não casou com um travesti e, sim, com um homem restaurado"

iG: Quando as coisas começaram a mudar? 
Pastor Joide: Minha mãe aceitou Jesus e começou a falar que ele tinha uma obra para minha vida. Mas eu achava que não havia solução. Um dia, com mais de cinco anos de relacionamento com o italiano, flagrei uma traição dentro da minha casa. Fiquei muito abalado porque entendi que a beleza que eu tinha não adiantava nada. Voltei ao Brasil e fui à igreja após um convite da minha mãe. No culto, o Espírito Santo falou ao meu coração e entreguei minha vida a Jesus. Não foi fácil. Foram quatro anos de renúncia, sendo acompanhado por uma psicóloga. O meu interior estava todo bagunçado.
iG: Chegou a ter recaídas nesse período? 
Pastor Joide: (Enfático) No primeiro ano, claro que tive! Só que nelas eu chorava, pedia socorro e procurava a pastora que me ajudava. Falava que não ia dar conta. Foi aí que Deus deu o discernimento para ela e fui viver na sua casa. Lá, tive uma injeção de fé.
iG: Como conheceu sua esposa? 
Pastor Joide: Enquanto dava o meu testemunho em um ginásio. Dois meses depois, nos reencontramos. Ela foi à igreja onde eu frequentava e começamos a ficar amigos. Gostei tanto dela que, quando vinha a vontade de voltar ao passado, dizia que não podia decepcioná-la. Ela confiava demais em mim. Ainda éramos amigos e eu falava para a Edna chorando que não ia dar conta. Mas ela dizia que eu ia conseguir, sim. Olhava e pensava: essa menina é realmente minha amiga. Isso foi criando uma força.
iG: Na construção do relacionamento, foi fácil começar a desejar uma mulher? 
Pastor Joide: Quando comecei a ter sentimentos pela minha esposa nem eu mesmo queria. Mas comecei a observar que era um sentimento diferente, algo que não tinha tido por ninguém. Minha mão suava, meu coração parecia que ia sair pela boca e me dava uma tremedeira. Depois entendi que estava apaixonado e que esse amor vinha do trono da glória de Deus. Quando ficamos noivos, sonhava, desejava e ansiava em tê-la nos meus braços. Posso dizer que casei virgem porque fazia uns quatro anos ou mais que não tinha relação com ninguém. Era um novo homem. A Edna não casou com um travesti e, sim, com um homem 100% heterossexual, restaurado na sua identidade sexual pelo poder do evangelho. Entre namoro, noivado e casamento já são mais de 17 anos.

George Magaraia
"As pessoas acham que Deus é uma fada madrinha e tem obrigação de fazer todas as coisas"

iG: O senhor ainda conta com alguma ajuda psicológica? 
Pastor Joide: Não preciso mais. Posso ver homem nu, de bunda de fora. Deus restaurou minha identidade e quando ele faz isso não há força maligna que faça você voltar atrás. Mas não fiquei com amnésia. Lembro do meu passado, as feridas foram cicatrizadas, mas estão aqui. Elas servem para cicatrizar as feridas expostas de outras pessoas.
iG: Qual é sua opinião sobre as igrejas evangélicas inclusivas, que aceitam gays? 
Pastor Joide: Amigo, as pessoas usam a Bíblia para satisfazer a vontade da carne. Elas não querem crucificar a carne, querem viver um cristianismo sem renúncia. O fato de as pessoas andarem com Jesus, falarem dele e abrirem igrejas não quer dizer que elas estão com Jesus. Esses pseudopastores fundam essas igrejas dizendo que Jesus é amor, mas ele também é justiça. É mais fácil achar que Jesus é só amor e viver no pecado. A crucificação dói e muitos não querem isso...
iG: Como o senhor pretende contar a sua história para seu filho daqui a alguns anos? 
Pastor Joide: Com a maior naturalidade possível. Vou contar que o pai vivia na iniquidade e não conhecia Jesus. Quando o pai é amigo, conselheiro e explica, não tem confusão. Quero começar a conversar sobre sexualidade com meu filho aos cinco anos. Quando ele começar a ir à escola, vou falar para não deixar ninguém pegar na sua bunda. “Filho, não tem nada de (faz voz de criança) piu-piu”. Quando dou banho nele, brinco e falo: (engrossa a voz) “Tira o cacete pra fora, rapaz!” Se minha mãe me corrige, dizendo que não é cacete, respondo: (bravo) “Que negócio é esse da vovó dizer bilu? Bilu, o quê? É pinto, cacete, pau! (ri)
Pastor Joide Miranda. Foto: George Magaraia