segunda-feira, 5 de março de 2012

jornada espiritual...


Minha jornada espiritual
Watchman Nee


Um testemunho do irmão Nee.



Em sua primeira carta aos Coríntios, o apóstolo Paulo escreveu: “Eu, irmãos, quando fui ter convosco, anunciando-vos o testemunho de Deus, não o fiz com ostentação de linguagem, ou de sabedoria. Porque decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo, e este crucificado”. Este mesmo espírito sombreou a vida de Watchman Nee. Desde seus primeiros anos como cristão ele abraçou a cruz de Cristo e proclamou o Cristo da cruz. Nunca moveu para fora esse fundamento através de todos os seus muitos anos de fiel ministério.

Apesar de ainda jovem no Senhor, a ele muito foi dado porque ele muito amou. Seu primeiro amor para com o Senhor era puro e caloroso, e sua apreensão da verdade, firme e sólida.

Não tendo ainda passado dois anos após sua conversão, Watchman Nee escreveu esse testemunho, o qual foi publicado na revista Spiritual Light, em dezembro de 1921.

Uma vez habitei “nas tendas da perversidade” (Sl 84:10), andei “segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe da potestade do ar, e do espírito que agora atua nos filhos da desobediência” (Ef 2:2), eu vivi “segundo as inclinações da [minha] carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e [era] por natureza [filho] da ira, como também os demais” (Ef 2:3).

Então ouvi “a Jesus, o Filho de Deus, como grande sumo sacerdote que penetrou os céus” (Hb 4:14) que está construindo uma morada para mim, pois “na casa de meu Pai”, Ele disse, “há muitas moradas” (Jo 14:2).

Uma vez eu estive completamente desesperado, exatamente “como escrito: Não há justo, nem sequer um, não há quem busque a Deus; todos se extraviaram, e à uma se fizeram inúteis; não há quem faça o bem, não há nem um sequer. A garganta deles é sepulcro aberto; com a língua urdem engano, veneno de víbora está nos seus lábios, a boca eles a têm cheia de maldição e de amargura; são os seus pés velozes para derramar sangue, nos seus caminhos há destruição e miséria, desconhecem o caminho da paz. Não há temor de Deus diante de seus olhos. Ora, sabemos que tudo o que a lei diz para os que vivem na lei o diz, para que se cale toda a boca, e todo o mundo seja culpável perante Deus” (Rm 3:10-19). Fiz, então, uma investigação: “Jesus lhes perguntou: Credes que eu posso fazer isso? Responderam-lhe: sim, Senhor” (Mt 9:28).

Agora eu ando como tendo sido depurado do “velho fermento, para que [fosse] nova massa, como [sou] de fato sem fermento. Pois também Cristo, [meu] Cordeiro pascal, foi imolado” (I Co 5:7). Eu “[recebi] o dom do Espírito Santo” (At 2:38) que habita dentro de mim.

Hoje eu percorro “o caminho, e a verdade, e a vida” (Jo 14:6). Agora vejo a Deus, pois “Quem me vê a mim”, disse Jesus, “vê o Pai” (Jo 14:19).

Finalmente encontrei a casa que havia a tanto procurado – “da parte de Deus um edifício, casa não feita por mãos, eterna, nos céus” (I Co 5:1). Esta casa tem somente uma porta, pois vejo que “se alguém entrar por mim”, declarou Jesus, “será salvo” (Jo 10:9). Agora eu compreendo a verdade da declaração de Jesus: “batei e abrir-se-vos-á” (Mt 7:7).

A casa em que hoje eu vivo, possui um quarto de música – “Gloriai-vos no seu santo nome; alegre-se o coração dos que buscam o Senhor. Buscai o Senhor e o seu poder; buscai perpetuamente a sua presença” (Sl 105:3-4). Possui um aposento para conversação – onde eu devo orar “sem cessar” (I Ts 5:17). Tem, da mesma forma, um quarto de leitura – para examinar “as Escrituras todos os dias para ver se as cousas eram de fato assim” (At 17:11). Tem um salão para preleções – “Fiz-me tudo para com todos, com o fim de, por todos os modos, salvar alguns” (I Co 9:22). Meu quarto, para finalizar, é “o peito de Jesus” (Jo 13:25). Minha atual residência é onde “estou crucificado com Cristo; logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vivem em mim; e esse viver que agora tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim” (Gl 2:20-21). Meu endereço é os “lugares celestiais” (Ef 2:6). Sempre que você me visitar no espírito de “feliz o homem que me dá ouvidos [isto é, ouve a Sabedoria, que é Cristo], velando dia a dia às minhas portas, esperando às ombreiras da minha entrada” (Pv 8:34), você encontrará não apenas a mim, mas também os santos meus companheiro. Dê ouvidos ao que o servo diz: Vinde, porque tudo já está preparado” (Lc 14:17).

Então “nós, os vivos, os que ficarmos, seremos arrebatados juntamente com eles, entre nuvens, para o encontro do Senhor nos ares, e assim, estaremos para sempre com o Senhor” (I Ts 4:17). Depois de serem cumpridas estas palavras, eu terei meu lar onde “vi também tronos, e nestes sentaram-se… Vi ainda a alma dos decapitados por causa do testemunho de Jesus, bem como por causa da palavra de Deus, tantos quantos não adoraram a besta, nem tão pouco a sua imagem, e nem receberam a marca na fronte e na mão; e viveram e reinaram com Cristo durante mil anos. Os restantes dos mortos não reviveram até que se completassem os mil anos. Esta é a primeira ressurreição. Bem aventurado e santo é aquele que tem parte na primeira ressurreição; sobre esses a segunda morte não tem autoridade: pelo contrário, serão sacerdotes de Deus e de Cristo e reinarão com ele os mil anos” (Ap 20:4-6). E o cântico que entoarei será “… um novo cântico, dizendo: Digno és de tomar o livro e de abrir-lhes os selos, porque foste morto e com o teu sangue compraste para Deus os que procedem de toda tribo, língua, povo e nação” (Ap 5:9).

Não muito depois, juntamente com meus amados mudarei para “um novo céu e uma nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra passaram e o mar já não existe” (Ap 21:1). Pois “segundo a sua promessa, esperamos novos céus e nova terra, nos quais habita justiça” (II Pe 3:13).

“E assim,” nessa ocasião, a palavra – “se alguém está em Cristo, é nova criatura: as cousas velhas já passaram; eis que se fizeram novas” – será plenamente realizada, e de forma gloriosa experimentarei a verdade desta palavra: “Alegrai-vos sempre no Senhor; outra vez digo alegrai-vos” (Fl 4:4).

Da mesma forma os santos do passado fizeram sua jornada espiritual. No entanto, estas linhas também representam o que eu mesmo tenho experimentado e ardentemente espero. Na verdade, ao escrever esta última parte, eu me encontrava com lágrimas de regozijo. Suponho, porém, que você, que é salvo, possui o mesmo sentimento em relação à volta do Senhor Jesus. Aqueles que são lavados pelo sangue de Jesus são, naturalmente, otimistas para com a vida. Mas, onde você, que não possui a segurança de estar salvo, passará a morte eterna? Por favor, considere este assunto.

Extraído da revista À Maturidade, número 28 – Outono de 1996


quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

...dúvidas inesperadas


O Tesouro no Vaso de Barro
Watchman Nee


O Tesouro no Vaso de Barro



Fé Quando há Dúvida
 
O que acabamos de dizer é uma impressionante verdade sobre a fé. Inúmeras pessoas vieram a mim e contaram seus temores e preocupações mesmo enquanto buscavam confiar no Senhor. Faziam seus pedidos, tomavam posse das promessas de Deus e, não obstante, sempre surgiam dúvidas inesperadas. Deixe-me dizer-lhe que o tesouro da verdadeira fé aparece em um vaso que pode ser dolorosamente atacado pela dúvida, e o vaso de barro, por causa da presença da dúvida, não invalida o tesouro; pelo contrário, o tesouro nesse ambiente resplandece com uma beleza maior. Não me entenda mal: não estou incentivando a dúvida. A dúvida é uma marca da deficiência em um cristão, mas eu gostaria de deixar claro que o cristianismo não é só uma questão de fé, mas da fé que triunfa na presença da dúvida.


Gosto de lembrar-me da oração da igreja primitiva para que Pedro fosse liberto das mãos dos ímpios. Quando Pedro voltou da prisão e bateu à porta da casa onde a igreja estava reunida em oração, os cristãos exclamaram: “É o seu anjo!” (AT 12.15). Você vê? Havia fé ali, a verdadeira fé, o tipo de fé que poderia trazer uma resposta de Deus; e, não obstante, ainda havia a fraqueza do homem, e a dúvida estava bem ali perto, por assim dizer. Porém, hoje, a fé que muitas pessoas que fazem parte do povo de Deus declaram exercer é maior do que a exercida pelos cristãos reunidos na casa de Maria, mãe de João Marcos. E elas têm certeza disso! Estão certas de que Deus enviará um anjo, e que todas as portas da prisão se abrirão diante delas. Se uma rajada de vento soprar: “Há um Pedro batendo na porta!”. Se a chuva começar a balbuciar: “Há um Pedro batendo na porta de novo!”.


Essas pessoas são muito crédulas, muito confiantes. Sua fé não é necessariamente um objeto genuíno. Até no cristão mais consagrado, o vaso de barro sempre está ali, e, pelo menos para ele, está sempre em evidência, embora o fator determinante nunca seja o vaso, mas o tesouro dentro dele. Na vida de um cristão normal, só quando a fé aumenta positivamente de modo a agarrar-se a Deus é que pode surgir ao mesmo tempo uma questão quanto a se talvez ele possa estar enganado. Quando ele está mais forte no Senhor, muitas vezes está mais consciente da sua incapacidade; quando ele está mais corajoso, talvez esteja mais ciente do temor no íntimo; e no ponto em que ele está mais alegre, uma sensação de angústia prontamente lhe sobrevém novamente. Somente a excelência do poder o leva às alturas. Porém este paradoxo é, em si, uma evidência, tanto de que há um tesouro como de que é ali que Deus gostaria que ele estivesse.


Deveria ser um motivo de grande gratidão a Deus o fato de que nenhuma fraqueza meramente humana precisa limitar o poder de Deus. Somos inclinados a pensar que onde há tristeza não pode haver alegria; que onde há lágrimas não pode haver louvor; que onde a fraqueza é visível falta poder; que quando estamos cercados por inimigos seremos confinados; que onde há dúvida não pode haver fé. Entretanto, deixe-me declarar com força e com confiança que Deus está procurando levar-nos ao ponto onde tudo que é humano só tem por objetivo prover um vaso de barro para conter o tesouro divino. Daqui para frente, quando estivermos conscientes da depressão, que não cedamos a essa depressão, mas nos entreguemos ao Senhor; quando a dúvida ou o temor surgir em nosso coração, que não nos entreguemos a eles, mas ao Senhor, e o tesouro resplandecerá ainda mais gloriosamente, por causa do vaso de barro.


(Textos estrados do livro “A Direção de Deus Para o Homem, de Watchman Nee, Editora dos Clássicos. Julho de 2004).

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Poder na Fraqueza


O Tesouro no Vaso de Barro
Watchman Nee





Poder na Fraqueza


Você já começou a entender o que significa ser um cristão? Ser um cristão é ser uma pessoa em quem aparentes incompatibilidades coexistem, mas em quem é o poder de Deus que muitas vezes triunfa. Um cristão é alguém em cuja vida há um inerente e misterioso paradoxo; e esse paradoxo é de Deus. Algumas pessoas concebem o cristianismo como todo o tesouro e não o vaso. Se, por vezes, o vaso de barro é visível em um servo de Deus, elas acham que esse servo é um caso perdido, enquanto a concepção de Deus é que, nesse mesmo vaso, Seu tesouro deveria ser encontrado.


Neste ponto devemos fazer uma cuidadosa distinção entre homem e “a carne” no homem – entre a limitação que é inerente em nosso ser humano e a natureza carnal do homem com sua inveterada tendência para pecar, uma tendência que nos deixa (à parte da ajuda do Espírito Santo) totalmente impossibilitados de agradar a Deus. Essa distinção é a mais importante por causa da facilidade com que, mesmo em um filho de Deus, alguém influencia o outro, e com que a natureza humana em nós cede à natureza carnal. Que fique bem claro, portanto, que eu definitivamente não tenho a intenção, neste capítulo, de justificar ou fechar os olhos para o pecado ou a carnalidade. A carne deve ser resistida e entregue à morte – a morte da cruz. No entanto, a fraqueza, neste outro sentido, deve permanecer. Nosso bendito Senhor foi, por nossa causa, “crucificado em fraqueza”, contudo vive pelo poder de Deus (2 Co 13.4); e, quanto a nós, é em nossa fraqueza que Seu poder se aperfeiçoa. Há, portanto, uma “enfermidade” na qual é possível gloriar-se (12.9).


Assim Paulo diz-nos que ele tinha “um espinho na carne” (12.7). O que era eu não sei, mas sei que esse espinho o enfraquecia muito, e que, por três vezes, ele orou para que o espinho fosse tirado. No entanto, em resposta, Deus apenas lhe assegurou: “A minha graça te basta” (12.9). Somente isso – mas isso era suficiente.


Como o poder do Senhor pode ser manifestado à perfeição em um homem fraco? Pelo cristianismo, pois o cristianismo é isso. O cristianismo não é a remoção da fraqueza, nem é simplesmente a manifestação do poder divino. É a manifestação do poder divino na presença da fraqueza humana. Sejamos claros neste ponto. O que o Senhor está fazendo não é algo meramente negativo – ou seja, eliminar a nossa enfermidade. Nem, quanto a isso, é meramente positivo – conceder força em qualquer situação, a esmo. Não, Ele nos deixa com a enfermidade e concede a força ali. Ele está concedendo Sua força aos homens, mas essa força é manifestada em sua fraqueza. Todo o tesouro que Ele dá é colocado em vasos de barro.


(Textos estrados do livro “A Direção de Deus Para o Homem, de Watchman Nee, Editora dos Clássicos. Julho de 2004).



sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

o poder se aperfeiçoa na fraqueza...


Render-se (2ª parte)
Watcman Nee 

"As coisas impossíveis aos homens são possíveis a Deus." 


A TENTAÇÃO DE SATANÁS É TENTAR FAZER COM QUE NOS MOVAMOS


NOSSA FRAQUEZA É NOSSA GLÓRIA

Em 2 Coríntios 12:9 diz-se: "Então, ele me disse: A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo". Isso nos mostra que não só devemos considerar-nos frágeis, impotentes e incapazes, mas também regozijar-nos na fraqueza, impotência e incapacidade. Por acaso, esse versículo diz que devemos lamentar-nos pelas fraquezas? Não. Diz que devemos regozijar-nos por elas e que além disso devemos gloriar-nos nelas. Que significa gloriar-nos nas fraquezas? Todo o mundo se lamenta de suas fraquezas, mas os vencedores se gloriam nelas porque têm fé.

Irmãos e irmãs, vocês pensam que têm problemas? Acham que têm fracassos? Precisam ver que os problemas e fracassos são uma bênção, cuja finalidade é ajudá-los a vencer.

Uma vez conheci em Chefoo um médico que fora salvo havia três ou quatro anos. Havia servido no exército por mais de dez anos. Tinha o porte de um soldado; era direto e franco. Não havia dúvidas que era salvo. No entanto, tinha o hábito de fumar, que não era um problema enquanto esteve na Manchúria, mas ao vir a Chefoo as coisas ficaram difíceis para ele. Havia entre setenta e oitenta pessoas na igreja, e Chefoo era um povoado pequeno. O único lugar onde podia fumar era em casa, mas nem ali podia fazê-lo abertamente, porque a esposa também era irmã. No hospital onde trabalhava, algumas das enfermeiras também eram irmãs. Por um lado, desejava fumar; por outro, sentia-se envergonhado. Quando escutava alguém chegar, apressava-se em apagar o cigarro. Se fumava na rua, tinha de primeiro olhar à sua volta para ver se havia rostos familiares. Não conseguia parar de fumar, e ainda assim era-lhe doloroso continuar fumando. Não sabia mais o que fazer. Depois de uma das reuniões em que falei, ele veio a mim e marcou um encontro para ver-me às nove da manhã do dia seguinte. Disse-me que tinha coisas muito importantes para dizer-me. Na manhã seguinte, veio e me contou toda a sua história. Disse-me que fumava há mais de dez anos, e que não conseguia deixar o cigarro. Que deveria fazer? Quanto mais ele falava, mais eu olhava para o teto e ria. Ele disse: "Senhor Nee, esse é um assunto muito sério". Disse-lhe que sabia que se tratava de algo sério. Disse-me que não podia fazer nada a respeito. Disse-lhe: "É maravilhoso que não possa fazer nada a respeito. Nada é melhor que não poder fazer nada". Perguntou-me por quê, e eu lhe respondi: "Alegro-me porque somente o Senhor pode resolver esse assunto. Nem você nem eu podemos fazer nada quanto a isso. Sua esposa não pode fazer nada, nem mesmo os irmãos. Com um paciente tão ideal, o Senhor Jesus terá um bom trabalho para fazer em Sua clínica". Disse-me não ter podido fazer nada durante mais de dez anos e isso não era um assunto trivial. Concordei, mas disse-lhe: "Pode ser difícil para você, mas não há nada difícil para o Senhor. Ele pode mudar a situação num piscar de olhos".

Continuei: "Doutor Shi, o senhor é um bom médico, e eu tenho boa saúde. Portanto, nem o senhor precisa de mim, nem eu do senhor. Se o senhor quiser mostrar suas habilidades em mim, primeiro tenho de estar doente; e não apenas de doença comum, mas de enfermidade grave. Quanto mais grave a minha condição, melhor o senhor poderá mostrar sua habilidade. Hoje o Senhor Jesus está aqui. Ele pode curar o que o senhor, doutor Shi, não pode". Perguntou-me o que eu queria dizer com isso, e então citei 2 Coríntios 12:9: "A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo". Era bom que ele desejasse deixar de fumar, e era maravilhoso que não conseguisse. Mesmo assim, ele não conseguia entender as palavras de 2 Coríntios 12:9. Era maravilhoso que não conseguisse deixar de fumar. Não seria tão maravilhoso se ele não fumasse, porque 2 Coríntios diz que o poder de Cristo somente se aperfeiçoa na fraqueza do homem. Disse-lhe: "Para você fumar é mau. Mas para Deus sua impotência quanto a deixar de fumar é algo maravilhoso". Ele ficou confuso e me olhou firmemente. Disse-lhe: "Nunca pense que o seu hábito de fumar é lamentável ou infeliz. Você tem de dizer ao Senhor: ´Agradeço-Te e louvo porque fumo. Graças Te dou e Te louvo porque não consigo deixar de fumar. Mas Te agradeço e louvo porque Tu podes fazer com que eu deixe de fumar e ajudar-me a deixar´". Ele perguntou com incredulidade: "Deus pode realmente fazer isso?" Respondi-lhe: "É claro que pode". Então oramos juntos. Primeiro eu orei, depois ele. Tinha fé, e sua oração tinha o tom de um típico soldado. Falou de maneira sincera: "Deus, agradeço-Te e louvo porque eu fumo. Senhor, agradeço-Te e louvo porque não consigo deixar de fumar. Senhor, agradeço-Te e louvo porque podes deixar de fumar por mim". Depois de orar e ainda com lágrimas nos olhos, colocou o chapéu e aprontou-se para sair. 

Perguntei-lhe: "Doutor Shi, o senhor continuará fumando?" Ele respondeu: "Eu, Tsai-lin Shi, não consigo deixar de fumar; mas Deus, sim, pode deixar por mim". Nesse momento soube que ele não teria problemas. A noite fiquei preocupado com ele, e perguntei aos que estavam no hospital como ele estava. Fiquei sabendo que tudo estava bem. Na manhã seguinte, perguntei de novo e a resposta foi a mesma. Estava tudo bem. Quando encontrei-me com ele à tarde, disse-me que havia falado com a esposa. Ela se havia queixado por mais de dez anos do seu hábito de fumar, e ainda assim ele nunca tinha conseguido vencer esse vício. Depois de falar com Deus, seu hábito de fumar desapareceu em menos de meia hora. Ele disse: "Não fumei ontem, e hoje também não". Quando ele ia embora, perguntei-lhe de novo: "Doutor Shi, o senhor pensa que pode deixar de fumar?" Ele respondeu que não. Perguntei-lhe: "Então, que fará?" Disse-me: "O Senhor deixará de fumar por mim". Ao escutar suas palavras, fui embora tranqüilo. Irmãos e irmãs, não pensem que podem mudar. Em cinco anos vocês continuarão a perder a paciência. A vitória é Cristo viver por vocês. Vocês podem declarar: "Agradeço-Te e louvo, Senhor, porque não consigo, mas Cristo, sim". Desejaria dizer isso a todo o mundo. Não tenho medo do mau gênio; não me amedronta uma personalidade forte; tampouco temo o orgulho exagerado. Só temo os que não vêem a própria incapacidade, e não vêem que Cristo é capaz.

É bom que vocês louvem a Deus por suas vitórias; mas também devem louvá-Lo por suas fraquezas. Suas fraquezas têm a função principal de manifestar o poder de Cristo. Dou graças a Deus porque Watchman Nee é totalmente corrupto. Dou graças a Cristo porque Seu poder pode mais uma vez ser aperfeiçoado em mim. Digo ao Senhor que não há nada de bom em mim e que não tenho justiça, nem santidade, nem paciência, nem calma. Dou graças ao Senhor e O louvo porque não tenho nenhuma dessas coisas e tampouco me esforço por tê-las. "Oh! Senhor, a partir de agora entrego tudo a Ti. De agora em diante é Teu Filho quem vencerá por mim". Se fizerem isso, imediatamente vencerão.
Vocês podem vencer em menos de um minuto; ou mesmo, em menos de um segundo.


IMPOSSÍVEL PARA O HOMEM, MAS POSSÍVEL PARA DEUS

Lucas 18 nos mostra um jovem rico que não pode vencer; enquanto Lucas 19 nos mostra Zaqueu, que conseguiu a vitória. "Senhor, eis que dou aos pobres a metade dos meus bens; e, se alguma cousa tomei a alguém mediante falsa denúncia, restituo-a quatro vezes mais" (v. 8). Ele obteve a vitória naquele instante. Zaqueu conseguiu fazer o que o jovem rico não pôde. Lucas 18 nos mostra que para o homem é impossível, e Lucas 19, que para Deus tudo é possível. O homem idoso de Lucas 19 pôde fazer o que o jovem de Lucas 18 não pôde. Em Lucas 18 o jovem não pôde fazer o que o Senhor lhe disse que fizesse. Em Lucas 19 o Senhor não teve de dizer muito ao homem de idade e, mesmo assim, ele creu. O jovem rico não conseguiu nada, porque não creu em Deus. O homem idoso e toda a sua casa eram filhos de Abraão; tinham fé, e a salvação chegou àquela casa. Isso foi obra de Deus.

Irmãos e irmãs, temos de agradecer e louvar ao Senhor porque não conseguimos amar, nem perseverar, nem humilhar-nos ou ser mansos. Mas não há um só versículo na Bíblia, nem uma só palavra de Deus que diga que devamos viver ou fazer as coisas de acordo com a nossa capacidade. Deus sempre nos pede que façamos o que não conseguimos fazer e que levemos uma vida que não conseguimos viver. Cada manhã, ao despertar, dou graças a Deus porque é um dia a mais que Ele tem para realizar Seus milagres. À noite volto a dar-Lhe graças e louvá-Lo pelos milagres que fez naquele dia. Hoje, Deus me está capacitando a suportar o que não posso; a amar o que não posso; a fazer o que não consigo, e a agir da forma que não consigo. Devemos dar-Lhe graças e louvá-Lo! Todos os dias podemos experimentar as palavras: "As coisas impossíveis aos homens são possíveis a Deus".


[1] Carrinho de duas rodas por homem, de uso no Oriente
[2] Título originai inglês: The Christian´s Secret of a Happy Life. (N.T.)

Fonte: Capítulo 6 do livro: A Vida que Vence
Editora: Árvore da Vida