segunda-feira, 3 de setembro de 2012

A visão é turva


A visão é turva





Sonho com uma igreja onde o discipulado não seja visto essencialmente como um método de fazer crescer numericamente. Onde não sejam estabelecidas metas e cronogramas de crescimento e multiplicação, como fazem os gerentes de marketing das grandes corporações comerciais.

No Evangelho de Mateus, capítulo 10, quando Jesus enviou seus discípulos pelas cidades para pregar, ele não disse nada sobre quantidade ou taxa de sucesso. Não estabeleceu nenhuma estratégia de abordagem, a não ser a de quando entrassem em alguma casa, declarar: "paz sobre esta casa!", e se houvesse algum filho da Paz ali, ela repousaria sobre a pessoa. Jesus não fez grandes campanhas publicitárias, não disse nada para agradar as pessoas simplesmente com a intenção de atraí-las. Embora Jesus curasse muita gente e expulsasse demônios, não fazia propaganda disso. Ele apenas disse que era para anunciar a chegada do Reino de Deus e que haveria lugares que receberiam a Palavra e outros não. Simples assim.

O discipulado aprendido com Jesus e os apóstolos por todo o Novo Testamento não tem seu foco ou ênfase na multiplicação do número de pessoas alcançadas, mas no ensino da Palavra. As "células", ou reuniões nas casas, aconteciam na igreja primitiva com a finalidade de promover profunda comunhão e aprendizado prático entre a irmandade. Sim, eram uma grande família. Estavam mais para grupos de convivência do que simples reuniões de estudo superficial do texto bíblico e chá com biscoito. Tudo lhes era comum, inclusive as necessidades que alguns passavam. As ofertas eram recolhidas não para comprar terrenos, construir templos ou bancar a vida luxuosa dos líderes, mas para suprir as carências que os irmãos mais pobres tinham.

Muitos sinais e prodígios eram feitos pelos apóstolos, mas nem os milagres físicos eram tão prodigiosos quanto o amor vivido e proclamado naqueles dias pelos discípulos de Jesus, de forma contínua e verdadeira. Havia profundo temor no coração de todos, era um só o sentimento de comunhão e o Senhor acrescentava, todos os dias, os que iam sendo salvos.

Não tenho nada contra o crescimento numérico. É claro que eu quero que o Evangelho alcance muitas pessoas; se possível, todos os que estão a minha volta. Mas nem sempre os números frios sintetizam realidades espirituais muito para além das estatísticas. O problema é quando se faz do crescimento um deus e aí passa a valer qualquer estratégia, qualquer método e desculpa para atrair as pessoas. O foco passa de pregar o que É certo para pregar o que DÁ certo.

Vejo muitas igrejas cheias, lotadas de gente vazia, escravizadas por seus próprios interesses e desejos mesquinhos. Crentes não em Deus, mas no milagre prometido que às vezes demora para chegar, nas correntes infinitas de orações e sacrifícios pessoais.

São lugares onde as reuniões de oração agora são chamadas de campanha e têm, em alguns casos, sete dias ou sete semanas para fazer acontecer o milagre. Quem decreta o milagre não é Deus, mas o "homem de Deus", emocionado e eufórico. E "Deus" fica como que "obrigado" a realizar o que pedem através do ato profético e do sacrifício deixado no altar.

Nesses lugares, quem chega, e vai sendo chamado de discípulo, vai aprendendo a arte do proselitismo religioso/denominacional. São transformados em corretores da fé na plaquinha da igreja, o que é muito diferente da consciência de um só corpo e um só batismo pregado pelo apóstolo Paulo. Este modelo de igreja exige muito entretenimento, muita mudança exterior e asséptica, muito falso moralismo, mas que pouco tem a ver com as mudanças mais profundas até alcançar a mente de Cristo.

Será este o fim? Infelizmente, para este modelo de "igreja mercado", não vejo um futuro diferente. Queria estar errado, mas este modelo vai crescer muito ainda e se alastrar porque há uma demanda e um propósito para isso. A intenção é transmitir uma falsa sensação de conversão, sem compromisso real com a Palavra. As pessoas são carentes deste misticismo, e quando ele é feito em nome de "Jesus", parece que ganha validade. Suas mentes estão cauterizadas. São cegos guiando cegos. Pensam estar agindo em nome de Deus, mas o que é adorado nestes lugares é o poder dos seus próprios líderes.

Entretanto, a verdadeira igreja é de Deus. É invisível. Não tem fronteiras. As portas do inferno não prevalecem contra ela. Os discípulos de Jesus são identificados não pelo nome no letreiro de suas comunidades, mas pelo amor vivido e praticado visceralmente. O Evangelho não fica só no discurso, mas é ensinado e pregado com a própria vida, mesmo que seja preciso perdê-la.

A santidade ensinada não é externa, mas faz sentido e morada na vida, na caminhada dia após dia, mudando o caráter verdadeiramente. O compromisso com o outro não é o tapinha nas costas de quem diz: "estamos juntos", mas não se envolve até as últimas consequências. Este discipulado não acontece somente entre os que estão debaixo de uma "cobertura espiritual", não acontece somente na "célula", entre um grupo restrito ou em uma hora delimitada. O encontro com Deus não está marcado para um lugar isolado do mundo exterior. O Peniel de verdade é o Evangelho praticado na rua, no trabalho, na família e também fora da igreja.

O verdadeiro discipulado se aprende espiritualmente e não emotivamente. O fruto deste ensino até pode vir de forma numérica também, mas vem essencialmente na mudança provocada na vida dos discípulos.

O Deus que disse: "vá e faça discípulos de todas as nações" te abençoe rica, poderosa e sobrenaturalmente!

 (autor desconhecido)

segunda-feira, 20 de agosto de 2012



Ravi Zacharias – Perguntas e respostas sobre o Ateísmo e o Teísmo




Estas perguntas e respostas foram tomadas das preleções Veritas, feitas na Universidade de Harvard, nas quais partes deste livro estão baseadas.


Primeiro Inquiridor: A minha pergunta é: Não é irrealista e egocêntrico Deus condenar um punhado de ateus que não creem nele, quando ele não lhes deu uma razão convincente para crerem?

R. Z.: Levarei de cinco a dez minutos para responder sua pergunta, de modo que talvez seria bom o senhor sentar-se. Lembro-me de uma vez em que estive respondendo a um questionamento doutrinário. A primeira questão foi: Deus é perfeito – explique. Brincando, ironizei com minha mulher, dizendo que “a única questão mais difícil do que esta em que eu poderia pensar seria: Defina Deus e dê dois exemplos”. Como se pode ver, algumas perguntas são espinhosas.
A sua pergunta, senhor, é muito boa, mas primeiro deixe-me assinalar algumas pressuposições desta questão que primeiramente o senhor terá de defender para que a pergunta seja até mesmo válida, as quais são vitalmente importantes que o senhor tenha em mente.
O senhor invocou uma lei moral ao levantar a questão, uma lei moral que basicamente diz: Seria injusto Deus condenar alguém sem dar-lhe evidência suficiente de sua existência. Não é essa a pressuposição da sua pergunta?

Primeiro Inquiridor: Suponho que parece ser essa a minha pressuposição.

R. Z.: Não só parece, tem de ser, ou a pergunta se destrói a si mesma. O tema que o senhor levantou aponta realmente para uma questão mais ampla quanto a justiça ou legitimidade moral de tudo o que Deus faz. É por isso que eu gostaria de abordá-la em sua acusação maior, que, se tratada de maneira satisfatória, automaticamente abrangerá o ponto particular também. E sendo este o obstáculo que com maior frequência é levantado pelos céticos sinceros que o apresentam como uma barreira para a sua fé em Deus, ele merece uma atenção especial.
Permita-me narrar uma conversa que tive com um aluno da Universidade de Nottingham, na Inglaterra. Logo que eu terminei uma das minhas preleções, lá do assento em que estava, ele despejou com precipitação e raiva as seguintes palavras:
_ Há demasiado mal neste mundo; portanto, não pode existir um Deus.
        Pedi-lhe que permanecesse de pé e me respondesse a algumas perguntas. Eu disse:
        _ Se existe algo como o mal, o senhor não está pressupondo que existe algo como o bem?
        Ele fez uma pausa, refletiu e disse:
        _ Suponho que sim.
        _ Se existe algo como o bem – contrapus – o senhor deve aceitar uma lei moral sobre cuja base diferencia o bem do mal.
        Lembrei-me do debate havido entre o filósofo Frederick Copleston e o ateu Bertrand Russel. Num ponto do debate, Copleston disse:
        _ Sr. Russel, o senhor crê no bem e no mal, não crê?
        Russel respondeu: _ Sim, creio.
        _ Como o senhor estabelece diferença entre eles? – desafiou Copleston.
        Russel encolheu os ombros como costumava fazer quando topava com becos filosóficos sem saída para si, e disse:
        _ Do mesmo modo que diferencio entre amarelo e azul.
        Copleston respondeu afavelmente, perguntando:
        _ Mas, senhor Russel, o senhor diferencia entre o bem e o mal? (Russel, com todo o seu gênio ainda a seu alcance, deu a resposta mais insípida que podia dar):
        _ Com base no sentimento – o que mais?
        Devo confessar que Copleston foi mais bonzinho do que muitos outros. O “tiro mortal lógico” apropriado para o momento seria:
        _ Sr. Russel, nalgumas culturas as pessoas amam o seu próximo; noutras culturas elas o devoram, em ambos os casos com base no sentimento. Qual sua preferência?
        Com isso retornei ao estudante de Nottingham que me interrogava.
        _ Quando o senhor afirma que existe o mal, não está admitindo que existe o bem? Quando o senhor aceita a existência da bondade, está declarando uma lei moral com base na qual diferencia o bem do mal. Mas quando o senhor admite uma lei moral, deve reconhecer que há um legislador moral. Isso, porém, o senhor está tentando desaprovar, não provar. Pois, se não existe legislador moral, não existe lei moral. Se não existe lei moral, não existe o bem. Se não existe o bem, não existe o mal. Qual é, então, a sua pergunta?
        Houve uma pausa constrangedora, quebrada quando o inquiridor perguntou como um cordeiro: Qual, então, a minha pergunta? – Aí é que está o xis da questão, eu poderia acrescentar.


Fonte: Pode o Homem Viver Sem Deus? - Ravi Zacharias - Editora Mundo Cristão.



quarta-feira, 15 de agosto de 2012

UMA RADIOGRAFIA DA IGREJA NO CONTEXTO ATUAL


UMA RADIOGRAFIA DA IGREJA NO CONTEXTO ATUAL



Neste breve diagnóstico sobre a igreja hodierna, apontarei o que considero a ponta do iceberg da sua conjuntura atual, não me atrevendo a medir as profundezas, detendo-me apenas naquilo que consigo ver e que está na superfície. Posso sim, conjecturar com a analogia da arca de Noé: Se não fosse o juízo lá fora, ninguém suportaria o cheio dentro. Já faz tempo que a igreja está em declínio espiritual. Uma prova disso é o descaso com a pregação – que está cada vez mais descartada e menosprezada em favor de novos métodos, tais como dramatização, danças, imponentes atrações e outras formas de entretenimento. Esses novos métodos são supostamente mais “eficazes”, pois atraem grandes multidões. Hoje o sucesso de uma igreja não é mais medido pela santidade e busca de caráter e vida cristã autênticos, mas é medido pela quantidade de pessoas que vão aos cultos.



Em séculos passados, cidades, povoados e aldeias inteiras eram abaladas pela pregação da palavra de Deus e as mudanças eram percebidas em todos os segmentos da sociedade; havia um batismo de arrependimento e mudanças imediatas e radicais de comportamento aconteciam. Leis eram promulgadas em resposta a veemência da pregação que apontava os valores, que prezava a família e a moral social. Hoje quanto mais cresce o número de igrejas, cresce em proporções maiores a depravação moral, a corrupção, o descaso e a banalização do sagrado, mostrando com isso que o crescimento exponencial da igreja, nos dias de hoje, não tem sido um fator catalisador de transformação de vida e conduta segundo a Palavra de Deus.

A grande maioria dos líderes e pastores tem demonstrado crer que as prioridades da igreja apresentadas em Atos 2.42 que são a doutrina dos apóstolos, a comunhão, o partir do pão e as orações, constituem uma agenda deficiente e ultrapassada para a igreja de nossos dias. Muitos estão permitindo que a dramatização, a música profissionalizada (o estrelismo gospel), o entretenimento e programas semelhantes substituam o culto e a comunhão bíblica tradicional. Essas distrações da pós-modernidade estagnaram e silenciaram a igreja. O nosso grito passou a ser a portas fechadas e por causa desse silêncio e omissão, a igreja condescendeu com a contracultura deste mundo vil e em quase todos os países não se pode mais proclamar de modo claro e simples a verdade do Evangelho e, acredite, em muitos casos, esse ato é visto como ingênuo, ofensivo e ineficaz.

Num contexto geral, grande parte da igreja atual tem menosprezado a importância da doutrina bíblica. O modernismo abriu a porta para o liberalismo teológico desenfreado, o relativismo moral estabeleceu-se em alguns púlpitos e sorrateiramente entrou no seio da família, e como era de se esperar, o resultado é uma incredulidade sem precedentes. Muitos cristãos e até mesmo uma grande parte de pastores e líderes parecem inconscientes a respeito dos sérios perigos que ameaçam a igreja por dentro e não estão se dando conta de que a história está se repetindo, isto é, os ataques mais devastadores desferidos contra a fé cristã sempre começaram com erros sutis e pequenas concessões surgidas dentro da própria igreja.

As mudanças constantes dos valores, fruto desta pós-modernidade tem deixado a liderança eclesiástica perdida não sabendo a quem agradar. E é aí onde mora o grande perigo, pois a liderança e a igreja geral não estão percebendo que se agradarmos ao homem vamos desagradar a Deus e se desagradarmos a Deus pouco interessa a quem estejamos agradando. Meus queridos, a igreja não pode se dar ao luxo de vacilar nestes últimos dias que antecedem a vinda de Jesus. Não podemos negociar a verdade, nem abrandar o holismo do evangelho. Se fizermos parceria com o mundo e os seus abomináveis conceitos e valores efêmeros, nos constituímos inimigos de Deus. Se nos dispusermos a acreditar que os métodos e artifícios mundanos é que trazem resultados satisfatórios para nossas congregações, estaremos abrindo mão da direção e do poder do Espírito Santo em nossas vidas.

Outro fator preocupante nos dias de hoje é o estrelismo gospel que tomou conta da igreja – a música meramente profissionalizante. Não se canta mais para levar vidas ao pés da cruz. O que importa mesmo é arrastar multidões e encher as igrejas, pois este é o termômetro que mede o sucesso de muitas delas nos dias atuais. É só chamar uma estrela do mundo gospel e pronto. Podemos chegar a uma conclusão quanto a este fenômeno: quando não há mais unção do alto no púlpito, lama cai bem. Refiro-me àqueles que cantam apenas por mero interesse financeiro e visam apenas obter sucesso às custas das igrejas.

E aí, o show termina e o templo fica cheio de vidas vazias, fruto de uma musicalidade medíocre e poesia pobre e, pior, montada em cima de interesse meramente comercial e financeiro. A grande soma de dinheiro cobrado por estes cantores, dinheiro muitas vezes proveniente dos dízimos e ofertas trazidos por aqueles que realmente amam a causa do Mestre, poderia ser aplicado em projetos missionários para o avanço do evangelho, na melhoria da qualidade de vida de obreiros dessas mesmas igrejas e até mesmo nos próprios músicos da igreja que dão o seu melhor como voluntários. Mas não! Muitos líderes têm levado suas denominações a serem ministradas por esses oportunistas do mundo gospel e não se dão conta de que boa parte da música cantada por essas “estrelas errantes” é feita por pessoas não convertidas, sendo raras as que são forjadas na fornalha da comunhão e da intimidade com o Espírito Santo. A liderança está caindo no mesmo erro e simplismo dos dias do profeta Amós que denunciou o conceito de Deus a respeito da liturgia e o culto daqueles dias. Assim nos diz o texto:

“Aborreço, desprezo as vossas festas, e as vossas assembleias solenes não me dão nenhum prazer. E, ainda que me ofereçais holocaustos e ofertas de manjares, não me agradarei delas, nem atentarei para as ofertas pacíficas de vossos animais gordos. Afasta de mim o estrépito dos teus cânticos; porque não ouvirei as melodias dos teus instrumentos”. Amós 5.21-23

Enfim, conscientes ou não, somos nós pastores que estamos “criando” as “estrelas errantes” (Judas v.13) do mundo gospel e consequentemente absorvendo os seus artifícios egoístas e venenosos. E como é de se esperar, o louvor que cura e liberta está cada vez mais distante de nossos púlpitos. A música hoje, diferentemente da esperada pela Palavra de Deus, só atrai em vez de libertar. Sabemos que a música tem o poder de trazer quebrantamento e conversão como nos diz o Salmo 40.3: “E me pôs nos lábios um novo cântico, um hino de louvor ao nosso Deus; muitos verão essas coisas, temerão e confiarão no SENHOR”.

A mim me parece que, em muitas ocasiões não mais podemos dizer que “Deus habita no meio do louvor do seu povo”. A prova disso é a atenção que é dada quando a Palavra vai ser ministrada; o tempo que restou é pouquíssimo, o pregador tem que resumir a mensagem e se ele orar de olhos fechados, ao abri-los, metade do público foi embora ou está sendo distraída com alguma coisa nos bastidores. A “estrela” da noite com certeza já está em uma sala qualquer ou a caminho do aeroporto, porque tem outro e sempre “grande compromisso”. O meu alerta é que nós líderes e pastores, sejamos criteriosos a bem de nossas orações feitas em favor da igreja. A Palavra já nos alerta sobre isto:

Ora, o fim de todas as coisas está próximo; sede, portanto, criteriosos e sóbrios a bem das vossas orações. 1 Pedro 4.7

Apesar de tudo e de nós mesmos, temos ainda um modelo para nos espelhar. O mundo está para conhecer uma comunidade, uma igreja do quilate da igreja de Atos 2.41-47; 4.32-37. Uma igreja que nada temia a não ser o pecado, que nada desejava a não ser Deus e que a todo custo pregava a palavra com ousadia e amor para que pudesse de alguma maneira resgatar o maior número de perdidos para o Reino de Deus. Eu creio que este quadro ainda pode ser revertido por mim e por você. Meu maior sonho é ver e fazer parte de uma igreja encharcada de amor, de comunhão, de ousadia e poder. Sabem quando podemos influenciar a sociedade com o evangelho e quando o nosso testemunho e influência se tornam eficazes? Quando o povo entrar nos nossos templos e sair impactados com o que somos e vivemos e não pela beleza dos nossos templos. Nada vale entrar no lugar de nossas reuniões e dizer: Que templo! Que casa! Que cadeiras! Que bancos! E em seguida
comentar: Que gente antipática e fria! Que gente individualista e metida! Que gente sem amor!

Finalizo esta reflexão afirmando que não sou defensor de uma igreja estagnada. Desejo e trabalho por uma igreja dinâmica que se atualize sem modernizar-se, se contextualize, mas não se comprometa com o mundo. Minha denuncia é a de quem está cansado de uma igreja que prima por uma filosofia que banaliza Deus e sua Palavra. Pode ser que outros estejam tão cansados quanto eu. Se for o seu caso, convido-o então a mudarmos nossa agenda; rompermos com a roda viva religiosa que suga nossas energias; voltarmos ao primeiro amor e orarmos para que o Senhor livre Sua igreja do mesmo tipo de desmoronamento que levou a igreja de séculos passados ao mundanismo e à incredulidade e esgotou seu vigor espiritual. Oremos para que não nasça uma geração vacinada contra a igreja, e que venha a dizer como disse Mahatma Gandhi para os ingleses: “O vosso Cristo eu quero, o que não quero é o vosso cristianismo”.


Hamilton Paulino de Carvalho
Pastor Sênior do Ministério Betesda
prhamiltonpc@hotmail.com
Maringá – Paraná