quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Recomeçar


   "Quando Gregor Samsa despertou, certa manhã, de um sono agitado, viu-se metamorfoseado num monstroso inseto". Assim, incrivelmente e sem qualquer explicação, Franz Kafka inicia uma de suas obras mais famosas, "A Metamorfose", que só recentemente me atrevi a ler. Gostei.
  

   O enredo conta o drama de uma família que perdeu sua coluna de sustentação, o jovem Samsa, sujeito trabalhador e dedicado, arrimo de família, orgulho de pai e mãe, e principal incentivador da irmã mais nova. Transformado numa espécie de barata, nunca mais saiu do quarto, onde vivia sob o sofá, pelas paredes e olhando a janela, como que esperando a morte chegar. E chegou. Contudo, a família adaptou-se à tragédia e reinventou-se.

   Também metamorfoseou-se. Encontrou alternativas vitais, organizou-se, dinamizou-se e seguiu em frente. O antigo "pilar" virou um "peso". Quando morreu, aliviou a todos, os quais puderam tocar suas vidas com alegria maior que aquela que tinham antes. Inimaginável.

   O livro é uma crítica social que toca, dentre outros pontos, na nossa capacidade de continuar vivendo, apesar de tudo. Nenhuma tragédia, nenhuma adversidade, nenhum revés ou o que quer que seja, exceto a morte, deve ser recebido como desfecho, impedimento, fim de linha, impossibilidade. Sempre é possível superar perdas, decepções ou dissabores. Sempre é possível recomeçar.

   Poucas mensagens são tão inspiradoras e fundamentais. A vida não é uma carreira estável e sempre ascendente, isenta de interpéries ou acidentes de percurso. Pelo contrário. E todos sabemos isto. Inclusive, por experiência própria.

   A diferença entre pessoas não consiste em que umas passam por dramas particulares, enquanto outras nunca sofrem dificuldade alguma.

   Não. A diferença está em que umas seguem em frente, enquanto outras optam pela estagnação, a desistência e a deserção. Felizes são os que caem e levantam.

   Pobres, os que ficam caídos.

   Preciso de sabedoria para quando precisar recomeçar, o que certamente se me exigirá, cedo ou tarde. Sabedoria e fé, acrescente-se.

   Afinal, esta é uma das propostas básicas da confissão cristã: "se alguém está em Cristo é nova criatura; as coisas antigas passaram e tudo se fez novo" (2 Coríntios 5.17); "como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também andemos nós em novidade de vida" (Romanos 6.4); "aquele que está assentado no trono disse: eis que faço novas todas as coisas" (Apocalipse 21.5).

   Mais sábio e mais confiante, crerei, em detrimento do que quer que me tenha afetado, que o futuro permanece em aberto e convidando à novidade de vida. Como disse Tim Hansel: "a boa notícia é esta: que a melhor fase da vida ainda está pela frente".

   Preciso de sabedoria para quando precisar soerguer-me, pois não estou e jamais estarei (não nesta vida!) livre das quedas.

   Sabedoria e coragem, portanto. Afinal, não levanta somente quem ainda encontra forças e motivos, mas também quem supera o medo de uma nova queda ou novo golpe. "O que não nos mata nos torna mais fortes", diz o ditado.

   "Por amor de Deus, somos entregues à morte todos os dias e fomos considerados como ovelhas para o matadouro; mas em todas estas coisas somos mais que vencedores", disse o apóstolo Paulo (Romanos 8.36, 37). "No mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo; eu venci o mundo", disse Jesus (João 16.33).

   É contra elas e apesar delas, na certeza da vitória final, que saímo da cama todos os dias.


   A não ser que em nossas veias corra sangue de barata...



   Pr Marcelo Gomes - 1ª Igreja Presbiteriana Independente de Maringá

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Confrontar em amor...




   Os conflitos são, geralmente, sintomas de uma brecha que começou a surgir no passado. Discordâncias entre cônjuges aparecem inúmeras vezes na Bíblia. A descrição poética de Salomão desse desentendimento com a esposa inexperiente demonstra a diferença de sentimentos, a comunicação truncada e o curto espaço de tempo para se aprender a viver juntos em amor. Abraão e Sara brigaram porque ela não podia ter filhos (GN 16.5); Jacó e Raquel Também (Gn 30.1-2). A esposa de Jó discordou de sua reação à enfermidade (Jó 2.9-10). O profeta Malaquias denunciou os sacerdotes que haviam rompido e não restabelecido seus votos matrimoniais (Ml 2.14-16).

   As discordâncias são comuns, mas a Bíblia também apresenta a orientação para resolvê-las. Paulo e Pedro oferecem pistas para se prevenir e se acertar atritos domésticos. Aos casais discordes de Corinto, Paulo escreveu: "Deus vos tem chamado à paz" (1Co 7.15). Este é o objetivo supremo. Pedro admoestou as esposas que vivenciavam relacionamentos pouco amistosos com maridos incrédulos e ganhá-los com espírito manso e tranqüilo (1Pe 3.1-4).

   A natureza humana não mudou. A competição e a contestação só levam a consequências desagradáveis. O amor, por outro lado, "sofre... crê... espera... suporta tudo" (1Co 13.7). Jesus nos ensinou a tirar a trave dos olhos antes de tentar tirar o argueiro dos olhos dos outros (Mt 7.3-5).

   A misericórdia é parte vital para diminuir as tenções. O espírito tolerante, perdoador e paciente atenua os confrontos (Mq 6.8). A sensibilidade no momento adequado também recupera o calor do afeto. Não devemos deixar os problemas se transformarem em amargura. O Novo Testamento adverte quanto a não deixar que o sol se ponha sobre a nossa ira (Ef 4.26). Mesmo que o problema não seja resolvido, o processo de paz foi iniciado.

   Finalmente, devemos perdoar. A calma cai sobre nós quando deixamos Cristo controlar nossas mágoas. Ele deu o exemplo de perdão (1Pe 2.23) e só ele pode nos dar forças para enterrar a vingança e restaurar a harmonia nos relacionamentos. Os cristãos devem ser pacificadores (Mt 5.9).

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

A alegria de Deus



Experimentar a alegria de Deus


A felicidade pode ser definida como uma sensação de contentamento espiritual que a acompanhará em vitórias, perigos ou angústias da vida, dando-lhe equilíbrio, serenidade, paz de espírito e tranquilidade (Mt 5.3-12). A felicidade pode ou não estar relacionada com os acontecimentos de sua vida. Em muitas ocasiões, os acontecimentos externos afetam nossas atitudes. Contudo, a felicidade é, também, um ato de vontade (Sl 144.15). Muitas coisas que "acontecem" na vida são motivo para nos sentirmos infelizes, mas temos o poder, por intermédio de Cristo, de reagir como quisermos a isso. A felicidade é uma opção positiva potencial.

Jesus mostra algumas características que geram felicidade (humildade, justiça, misiricórdia, espírito apaziguador; Mt 5.8-11). O cristão não deve se preocupar em fazer, mas em SER e VIVER! O comprometimento total com o senhor resultará numa reação cristã instintiva aos acontecimentos, à medida que ocorrem. Você deve apropriar-se das ferramentas que Deus colocou à sua disposição (a Palavra dele e o Espírito Santo) para buscar a felicidade (Pv 3.13; 29.18). Quando a fé e a conduta do cristão estão equilibradas, resultam em felicidade.

Felicidade é desfrutar de tudo o que o Senhor lhe deu e não lamuriar pelas coisas que lhe foram tiradas ou recusadas (Mt 6.33-34). Felicidade é confiar na onisciência e na soberania de Deus. Você deve acreditar que, em cada "acontecimento", Deus vai operar para o seu bem (Rm 8.28). A felicidade vem da obediência e da fé no Senhor.



Fonte: Bíblia Editora Mundo Cristão - Pág. 807

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Mas sentir o próprio Deus...


  "É sempre chocante encontrar vida quando pensamos estar sós. "Venha ver!", gritamos, "está vivo". É exatamente nesse ponto que muitos recuam. Acreditar em um "Deus impessoal" - tudo bem. Em um Deus subjetivo, que vive na mente das pessoas - melhor ainda. Em alguma energia gerada pela interação entre as passoas, em algum poder avassalador que podemos deixar fluir - o ideal. Mas sentir o proprio Deus, vivo, puxando do outro lado da corda - é outra coisa.
  Há um momento em que as crianças que estão brincando de polícia e ladrão, de repente, ficam quietas e uma sussurra no ouvido da outra: "Você ouviu aqueles passos no corredor?"
  Chega uma hora em que as pessoas que ficam brincando com a religião ("a famosa busca do homem por Deus"), de repente, voltam atrás: "Já pensou se nós o encontrassemos mesmo? Não é essa a nossa intenção! E, o pior de tudo, já pensou se ele nos achasse?"

  C S Lewis

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Um dom do Criador



Sexualidade – Um dom do Criador


        Embora a palavra “sexo” não apareça na bíblia, a linguagem bíblica descreve o plano de Deus para o comportamento sexual humano, inclusive para a geração de uma descendência e para o prazer sexual no casamento. O sexo foi planejado pelo Criador como um presente especial, que permite ao marido e à esposa expressarem sua unidade em amor íntimo e exclusivo e compartilhar do plano dele para a procriação. Os impulsos sexuais são dados por Deus como um meio de atingir o êxtase natural mais elevado que o corpo humano pode experimentar. Eles são destrutivos apenas quando estão fora de controle ou são mal utilizados.

        Existem passagens que valorizam o sexo e que o celebram com alegria (Gn 18.22; 26.8; Ct 4.1-16); outras recomendam abstinência da atividade sexual (Ex 19.15; 1Sm 21.4-5). Os desvios sexuais são claramente condenados: homossexualismo (lv 18.22; Rm 1.26-27; 1Co 6.9-10); bestialidade (Ex 22.19; Lv 18.23); incesto (Lv 18.6-18; 1Co 5.1-13); estupro (Dt 22.23-29); prostituição (Pv 7.1-27; 29.3). qualquer relacionamento sexual íntimo fora dos limites de fidelidade impostos pelo pacto de casamento monogâmico é condenado como imoralidade sexual (Ex 20.14; Dt 22.22; 1Co 6.9-10). A alternativa é o dom do celibato (Mt 19.12; 1Co 7.7). Os cristãos devem exercitar o domínio próprio para superar os impulsos sexuais inadequados, não pelo ascetismo (Gl 5.16; 1Tm 4.1-5), mas pelo poder do Espírito Santo.

        Alguns fatos a respeito do sexo devem ser lembrados:

1.    O sexo é uma dádiva de deus (Gn 2.18). Satanás nada pode oferecer à sexualidade senão distorção e vazio. A discussão franca sobre sexo não é errada em si mesma, mas se torna errada quando essas discussões se dão fora do contexto divinamente determinado.
2.   O sexo entre um homem e uma mulher é diferente do sexo entre os animais (Gn 2.19-20). A sexualidade humana tem um propósito específico além da procriação.
3.   A relação sexual é uma união total e, portanto, poderosa e misteriosa (Gn 2.21-23). Deus fez dois de um, e os dois não estão completos enquanto não estiverem reunidos. (A exceção a esse conceito seria quando Deus concede o dom do celibato).
4.   O sexo é regulamentado e intencional (Gn 2.24-25). Deus mesmo estabeleceu os limites (Mt 19. 4-6). Qualquer coisa aquém desse compromisso total e exclusivo entre marido e esposa é frustrante e destrutivo.
5.   Deus aprova os relacionamentos em que marido e esposa atendem suas necessidades físicas no relacionamento sexual (Pv 5.15,18-19). Tanto o marido como a esposa têm necessidades sexuais que devem ser atendidas no casamento (!Co 7.3), e cada um deve atender as necessidades do outro e não as próprias.

Os objetivos da intimidade sexual são os seguintes:

·        Conhecimento (Gn 4.1);
·        União (Gn 2.24);
·        Consolo (Gn 24.67);
·        Procriação (Gn 1.28);
·        Relaxamento e diversão (Ct 2.8-17; 4.1-16); e
·        Defesa conta a tentação (1Co 7.2-5).

Ao marido é ordenado que encontre satisfação (Pv 5.19) e alegria (Ec 9.9) com a esposa e que se preocupe em atender a suas necessidades exclusivas (dt 24.5; 1Pe 3.7). a esposa é responsável pela disponibilidade (1Co 7.3-5), preparação e planejamento (Ct 4.9), interesse (v. 16; Ct 5.2) e sensibilidade às singulares necessidades masculinas (Gn 24.67).


Bíblia de Estudo – Editora Mundo Cristão – Pág. 853

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Quem você é na verdade?




O médico e o Monstro

Resgate

É uma fita dupla face que não vai colar
A vida dupla é o teu disfarce
Pra se enganar

É o Doutor e o Monstro
Jekyll and Hyde

Quem você é na verdade
Da pra saber
Qual a sua identidade
sem se esconder

É o Doutor e o Monstro
Jekyll and Hyde

Só conhecendo a verdade pra se libertar
O amor de Jesus é o remédio
Que vai te curar

Tudo que você sonhava
Numa poção
Uma dose inesperada
Pra escravidão

É o Doutor e o Monstro
Jekyll and Hyde

Nessa experiencia a cobaia é você
que triste resultado
vai ter

Para se separar o joio deixe crescer
para o encontro com a verdade
um deles tem que morrer

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Essa é a grande diferença...


Assim como nós perdoamos


A MESMA coisa acontece quando entra em jogo o nosso perdão em relação aos outros, embora em parte seja bem diferente. É a mesma coisa porque, em ambos os casos, perdoar não é o mesmo que desculpar. Muitas pessoas aparentemente acham que é. Elas acham que se você pedir que perdoem alguém que as trapaceou ou ameaçou, na verdade, estarão fazendo de conta que não houve trapaça ou ameaça alguma. Nesse caso, não haveria nada a se perdoar. E continuam argumentando: "Mas você não está entendendo. O homem quebrou uma promessa das mais solenes". É isso mesmo; é exatamente esse tipo de coisa que você está precisando aprender a perdoar. (Isso não quer dizer que você precisa necessariamente acreditar na próxima promessa dessa pessoa. significa apenas que você deve empreender todos os esforços possíveis para matar qualquer ressentimento que possa carregar no coração - qualquer desejo de humilhar ou machucar o outro, ou de dar o troco). Essa é a grande diferença quando você pede o perdão de Deus. No nosso caso, é muito fácil aceitar desculpas; no dos outros, não conseguimos aceitá-las com tanta facilidade.


C S Lewis - O peso da Glória