sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Só um voltou.



O fato ilustra bem a ingratidão.

Ia Jesus saindo de Jerusalém quando se encontrou com um bando de leprosos, que formavam uma pequena comunidade fora da cidade, como recomendava o Levítico:
"A sua habitação será fora do arraial" (Levítico 13.46).
Como Jesus passasse, eles, mantendo-se a uma distância de pelo menos cem passos, gritavam:
"Jesus, Mestre, tem misericórdia de nós!" (Lucas 17.13).
Ao que o Senhor respondeu laconicamente:
"Ide e mostrai-vos aos sacerdotes", como preceituava o Levítico.
E eles foram, e enquanto iam ficaram curados, o que foi constatado pelos sacerdotes, que lhes deram alta, como diríamos hoje falando de médicos.
Cada um tomou o seu rumo depois disso. Nenhum se lembrou de voltar para agradecer a cura que ele lhes dera.


Nenhum, não; um voltou. E esse era samaritano. Voltou para cair aos pés de Jesus, com o rosto em terra, dando-lhe graças (Lucas 17.16). Cristo comentou aquele desfecho, dizendo com mal disfarçada amargura: "Não foram dez os limpos? Onde estão os nove? Não houve quem voltasse para dar glória a Deus senão este estrangeiro?" (Lucas 17.17,18). É que os samaritanos não se davam com os judeus, como estes não se davam com aqueles: odiavam-se.

Como dizíamos, o fato ilustra bem a ingratidão. Falta de reconhecimento por um benefício recebido. Defeito grave, que mais grave se torna quando o objeto da ingratidão é Deus.

Não é verdade que facilmente nos esquecemos de dar graças a Deus pelos bens que ele nos dá?
Apraz-nos pedir quando a necessidade aperta: em momentos assim estiramos os braços para o céu, crispamos as mãos e gritamos como gritavam os dez leprosos dirigindo-se a Jesus. A resposta vem e damos o assunto por encerrado.
Se é para balbuciar um agradecimento, lembramo-nos do médico que nos curou ou do benfeitor que nos fez sair do beco sem saída onde estávamos encurralados.
Mas não nos lembramos de Deus, que nos mandou aquele médico ou aquele benfeitor.
Assim, houve petição, mas não houve ação de graças.

Aconteceu exatamente isso com uma senhora que na cidade de Bristol acabara de receber para uma criança órfã uma excelente ajuda do conhecido filantropo Richard Reynolds:
- Ensinarei a este menino o nome do seu benfeitor para que quando crescer nunca dele se esqueça.
- Perdão, corrigiu o bondoso homem, não lhe ensine o meu nome, mas o de Deus.

Acaso agradecemos às nuvens a chuva que elas nos dão?
Diz uma lenda que os pássaros quando bebem água erguem o bico para agradecer a Deus aquele gole. Para cada gole um agradecimento.
Nem é preciso que sejamos como os pássaros, agradecendo de gole em gole: basta que agradeçamos a água...
Caindo aos pés de Jesus...
Como aquele samaritano.


Pastor Rubens Lopes

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